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TERAPIA COGNITIVA

Aaron T. Beck e Brad A. Alford. Teoria. In: O poder integrador da terapia cognitiva.
A teoria congnitiva articula a maneira através da qual os processos cognitivos estão envolvidos na psicopatologia e na psicoterapia efetiva. Nesta teoria a natureza e a função do processamento de informação (atribuição de significado) constitui a chave para entender o comportamento maladaptativo e os processos terapêuticos positivos. A conceitualização congnitiva da psicoterapia fornece estratégias para corrigir os conceitos disfuncionais. A estrutura teórica da terapia cognitiva constitui uma “teoria de teorias”: é uma teoria formal dos efeitos de teorias pessoais (informais) ou construções de realidade. A teoria é essencial para a prática clínica. A terapia cognitiva permite que a pessoa (através de exercícios para casa conjuntamente desenvolvidos) teste a teoria cognitiva no contexto de seu ambiente natural e de seu sistema de crenças. Esta terapia é a aplicação da teoria cognitiva de psicopatologia ao caso individual. Aaron Beck, na tentativa de fornecer apoio empírico para certas formulações psicodinâmicas de depressão, encontrou algumas anomalias – fenômenos incosistentes com o modelo psicanalítico. A teoria cognitiva originou-se de tentativas de testar os principios teóricos específicos da psicanálise. Para esta teoria, a cognição ( função que envolve deduções sobre nossas experiências e sobre a ocorrência e o controle de eventos futuros) é a chave para os transtornos psicológicos. A cognição inclui o processo de identificar e prever relações complexas entre eventos, de modo a facilitar a adaptação a ambientes passíveis de mudança.
Os axiomas formais desta teoria são:
1. O principal caminho do funcionamento ou da adaptação psicológica consiste de estruturas de cognição com significado, denominados esquemas. “significado” refere-se à interpretação da pessoa sobre um determinado contexto e da relação daquele contexto com o self.
2. A função da atribuição de significado (tanto a nível automático como deliberativo) é controlar os vários sistemas psicológicos. O significado ativa estratégias para adaptação.
3. As influências entre sistemas cognitivos e outros sistemas são interativas.
4. Cada categoria de significado tem implicações que são traduzidas em padrões específicos de emoção, atenção, memória e comportamento. Isto é denominado especificidade do conteúdo cognitivo.
5. Embora os significados sejam construídos pela pessoa, eles são corretos ou incorretos em relação a um determinado contexto ou objetivo. Quando ocorre uma distorção cognitiva ou preconcepção, os significados são disfuncionais ou maladaptativos.
6. Os individuos são predispostos a fazer construções cognitivas falhas específicas (distorções cognitivas). Estas predisposições são denominadas vulnerabilidades cognitivas. Especificidade cognitiva e vulnerabilidade cognitiva estão inter-relacionadas.
7. A psicopatologia resulta de significados maladaptativos construidos em relação ao self, ao contexto ambiental (experiência) e ao futuro (objetivos), que juntos são denominados de a tríade cognitiva.
8. Há dois níveis de significado: (a) o significado público ou objetivo de um evento e (b) o significado pessoal ou privado.
9. Há três níveis de cognição: (a) o pré-consciente, o não-intencional, o automático; (b) o nível consciente; e (c) o nível metacognitivo, que inclui respostas “realísticas” ou “racionais” (adaptativas).
10. Os esquemas evoluem para facilitar a adaptação da pessoa ao ambiente, e são neste sentido estruturas teleonômicas.
Um determinado estado psicológico não é nem adaptativo nem maladaptativo em si, apenas em relação a ou no contexto do ambiente social e físico mais amplo no qual a pessoa está.
A natureza construtivista do significado
Meichenbaum (1993) sugeria que o construtivismo é “uma terceira metáfora que está orientando o atual desenvolvimento de terapias cognitivas-comportamentais” (p. 203). Ele definiu a perspectiva construtivista como “a idéia de que os seres humanos constroem ativamente suas realidades pessoais e criam seus próprios modelos representativos do mundo” (p. 203). Neimeyer (1993) afirma que o centro da teoria construtivista é “uma visão de seres humanos como agentes ativos que, individual e coletivamente, constroem o significado de seus mundos experienciais” (p. 222). A teoria cognitiva não apenas sugere a “construção” da realidade; ela também postula a especificidade do conteúdo cognitivo, no qual respostas emocionais específicas (normais e anormais) são associadas com diferentes tipos de construções (Beck, 1976, 1958a). A visão cognitiva é consistente com as teorias de condicionamento contemporâneas, que postulam tanto características de estimulo externo quanto mediações cognitivas destas (Davey, 1992).
Definição de personalidade
“personalidade” é o termo que aplicamos a padrões específicos de processos sociais, motivacionais e cognitivo-afetivos, cujos estudos individuais constituem as diferentes áreas de especialização da pesquisa psicológica.
Teoria Cognitiva de Personalidade
Beck e colaboradores (1990) sugeriu que os processos cognitivos, afetivos e motivacionais são determinados pelas estruturas, ou esquemas, idiossincrásicos, que constituem os elementos básicos da personalidade. A definição cognitiva de personalidade inclui processos esquemáticos individuais, que teoricamente determinam a operação dos principais sistemas de análise psicológica. A teoria cognitiva considera que a personalidade baseia-se na operação coordenada de sistemas complexos que foram selecionados ou adaptados para assegurar sobreviência biológica. Os esquemas são essencialmente “estruturas de significado” conscientes e inconscientes: eles servem a funções de sobrevivência. Para ser efetivo, o processamento esquemático deve ser adaptativo a demandas sociais e ambientais imediatas por meio da coordenação e de operações de sistemas adaptativos.
O modelo cognitivo propõe que o pensamento disfuncional (que influência o humor e comportamento) seja comum a todos os distúrbios psicológicos. A avaliação realista e a modificação no pensamento produzem uma melhora no humor e no comportamento. A melhora duradoura resulta de modificações das crenças disfuncionais básicas dos pacientes.
A Terapia Cognitiva foi extensamente testada desde a publicação do primeiro estudo de resultado (1977). Estudos controlados demonstraram sua eficácia, no tratamento do transtorno depressivo maior, TAG, transtorno do pânico, fobia social, abuso de substância, transtornos alimentares, problemas de casais e depressão de pacientes internados. Entre outros: TOC, transtorno do stress pós traumático, transtornos de personalidade, depressão recorrente, dor crônica, hipocondríase e esquizofrenia.
PRINCÍPIOS DA TERAPIA COGNITIVA
1. A terapia cognitiva baseia-se em uma formulação em contínuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos. O terapeuta busca conceituar as dificuldades do paciente em enquadramentos tríplices: pensamento atual e comportamentos problemáticos, identificação de fatores precipitantes e levantamento de hipóteses sobre eventos desenvolvimentais chaves e padrões duradouros de interpretação. O terapeuta continua a refinar essa conceituação ao longo da terapia.
2. A terapia requer uma aliança terapêutica segura. Elementos básicos necessários: cordialidade, empatia, atenção, respeito genuíno e competência.
3. A terapia enfatiza colaboração e participação ativa. O terapeuta encoraja o paciente a ver a terapia como um trabalho em equipe.
4. A terapia é orientada em meta e focalizada em problemas.
5. A terapia inicialmente enfatiza o presente. A atenção volta-se para 0 passado em três circunstâncias: quando o paciente expressa uma forte predileção em fazer isso; quando o trabalho voltado para o presente produz pouca ou nenhuma mudança ou quando o terapeuta julga que é importante.
6. A terapia é educativa, visa ensinar o paciente a ser o seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída.
7. A terapia visa ter um tempo limitado.
8. As sessões de terapia são estruturadas.
9. A terapia ensina aos seus pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais.
10. A terapia utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento. Embora estratégias cognitivas como questionamento socrático e descoberta orientada sejam centrais à terapia, técnicas de outras orientações são também usadas dentro de uma estrutura cognitiva.

Comentários

  1. Olá boa noite...

    gostaria de informação sobre um tema que tenho que apresentar na universidade mas estou com dificuldades em encontrar...
    COGNIÇÃO COMO INVENÇÃO. Se tiver como me ajudar eu agradeço.

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