quarta-feira, janeiro 08, 2014

A LEVEZA DO SER

A LEVEZA DO SER
Mirian Lopes

Muito calor por aqui. Você já viu a lua? Perguntou-me o beija-flor. Este não só batia suas asas, serelepe, mas, tinha o poder da comunicação. Neste Céu, não é possível ver a lua, pois ele é cinza e encobre até as estrelas. Contudo, no Céu das lembranças é possível vê-lo estrelado, assim, como é o seu Céu beija-flor, salpicado de estrelas grandes e pequenas. Pareço uma adolescente, lá do interior. Sou mesmo. Adorava acordar com o cantar do galo, lá fora na beira da minha janela.  Ainda conservo minhas raízes; elas me fazem jovem. Adorava ficar sentada num banquinho, ora no quintal de casa, ora no portão sob a luz da lua, a olhar o céu para encontrar as constelações: as Três Marias de Órion, a Ursa maior, Centauro, e por aí vai... E você beija-flor? Já viu as Três Marias? Ah, são tantas estrelas que é difícil achá-las! Ele me disse.  Beija-flor, eu as vi sempre enfileiradas no Céu. E o Cruzeiro do Sul! Adorava andar com os pés na terra, deitar em baixo de árvores e ver vaga-lumes piscando. Ao entardecer, ouvir as cigarras. Você tem o rico privilégio da natureza e pode se alegrar. Você me traz coisas boas, beija-flor! De fato são fortes lembranças que me dão leveza. 
Hoje saí para caminhar embaixo de árvores. Vi pássaros diferentes que não sei nomear. Estavam no gramado. Vi tocos de árvores sangrando literalmente no chão. Foram cortadas e do seu caule, no centro, escorria um óleo vermelho vítreo, como se estivessem a chorar pela ruptura. Quase fotografei. Se estiverem lá, amanhã farei as fotos. Ando a ver beleza em cada coisa que toco; algo novo dentro de mim. Uma inquietação positiva; a vida a pulsar dentro do peito. Numa intensidade, a perceber o que sinto, a observar feliz que estou bem viva, com vontade de abraçar o mundo como se coubesse em mim! Tudo parece invadir meus sentidos, as cores, as formas, o sol, o ar, o paladar. Tudo é prazer! 
Beijaria você beija-flor, mas esta sempre a voar! E eu aqui, inteira, natural, vaporosa, leve e solta, cor-de-rosa, pura liberdade! Reconheci e aceitei o que faz parte de mim, e assim será até o fim dos meus dias! Esse jeito de ser.  Essa condição que está no olhar, no sorriso, no andar, na voz, nos gestos, na companhia dos bons momentos a partilhar, nos pensamentos e na presença. Estou a preparar-me para outro tempo, o nosso, o tempo em que podemos criar, o que o querer ditar, o que desejarmos! A leveza do Ser beija-flor! 

segunda-feira, janeiro 06, 2014

AZUL É A COR MAIS QUENTE



Aí vai uma dica do Michael Jefferson, que hoje me contou sobre um filme interessante... Para os terapeutas de plantão e para os que se interessam pelo tema sexualidade humana, indico o filme AZUL É A COR MAIS QUENTE...


O filme “Azul é a Cor mais Quente” (La Vie d’Adèle, França/Bélgica/Espanha, 2013, Drama, 179 minutos) dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche, é delicado pela comovente história de amor entre duas adolescentes, que se revela lentamente e de forma envolvente; também é impactante, pois pode chocar os mais desavisados, pelas longas cenas ousadas de sexo entre duas mulheres. O diretor deste filme trata a questão da homossexualidade sem ressalvas. É excepcional o trabalho das duas protagonistas Emma (Léa Seydoux) e Adéle (Adèle Exarchopoulos) pela dificuldade e intensidade na realização das cenas do filme. Adèle descobre na cor azul dos cabelos de Emma sua primeira paixão por outra mulher e sem poder revelar seus desejos, se entrega a este amor secreto, enquanto encontra-se mergulhada numa guerra familiar e moral vigente. O filme foi o primeiro no Festival de Cannes, a receber a Palma de Ouro, concedida ao diretor e às duas atrizes em conjunto. É um filme que aproxima o olhar para reflexão sobre as questões da sexualidade, das angustias, dos valores e expectativas humanas.

COMER, REZAR, AMAR


Um filme antigo...de 2010, que amei assistir mais uma vez .... 

COMER, REZAR, AMAR. Um filme baseado no livro de mesmo nome "Comer, Rezar, Amar" que reflete as vivências da autora, Elizabeth Gilbert, em uma linguagem simples e espontânea. A autora compartilha com o leitor os frutos de uma atitude assumida no auge do desespero de uma vida aparentemente destinada ao fracasso. Ao completar trinta anos, vivia um casamento considerado feliz, ao lado de um homem que a amava, em uma vasta residência recém-adquirida, alimentando o desejo de ser mãe, desenvolvendo uma trajetória profissional vitoriosa. Contudo, mergulha num estado de insatisfação, que a faz assumir a atitude de se libertar de todas as posses materiais, das opiniões alheias, das convenções sociais, de um trabalho socialmente aprovado, para ir em busca de si mesma da maneira mais inusitada. Ela decide analisar sua forma de ser e, para isso, escolhe particularmente três elementos de sua personalidade, associando cada um deles a uma cultura e a um país diferente. Ela, Elizabeth vai para a Itália em busca do prazer; em Roma encontra a gastronomia, ganha 11 quilos a mais, sem crises ou neuroses, torna-se especialista na língua italiana e vivencia as delícias dos desejos terrenos. Depois, segue para a Índia, e cultiva o sagrado, assessorada por uma mentora indiana e um vaqueiro texano. Nesta etapa da auto-descoberta a autora percorre o país ao longo de quatro meses. Depois, na Indonésia, em Bali, Gilbert encontra o ponto de equilíbrio entre os dois extremos até então por ela experimentados. Num paraíso exótico, passa a seguir as orientações de um antigo xamã até encontrar-se com uma surpresa. Um best seller, que foi adaptado para o cinema; e que tem como protagonista a atriz Julia Roberts. Lindo!!!


Livro disponível na livraria Saraiva

SHAME


Aí vai uma dica de cinema: SHAME é um filme interessante. A pessoa que assisti-lo poderá amá-lo ou odiá-lo. Ele apresenta o contexto do transtorno hipersexual ou impulso sexual excessivo. É um filme dirigido pelo diretor londrino Steve McQueen, que trata de duas pessoas a procura de ajuda, embora incapazes de verbalizar com clareza o desespero que sentem. O filme apresenta reiteradas cenas de sexo, prazer, solidão e desespero, as quais revelam a complexidade da sexualidade em pleno século XXI; um retrato do lado vazio da vida de pessoas sem relações pessoais significativas, focadas numa rotina autodestrutiva. Na trama, Michael Fassbender faz o papel de Brandon, um homem charmoso de trinta e tantos anos que busca obter prazer sexual de todas as formas. Ele tenta conciliar a vida profissional, o vício sexual e o convívio com Sissy, a irmã mais nova que invadiu a sua vida e o seu apartamento, papel interpretado pela atriz Carey Mulligan. O filme tem cenários interessantes acompanhados de uma bela trilha sonora. Uma obra de arte ousada, triste, curiosa e impactante que pode ser utilizada para abordar o tema do transtorno hipersexual. Este transtorno ou a compulsão sexual refere-se a comportamentos relacionados à masturbação, visitas frequentes a sites pornôs, relações sexuais anônimas, sexo por telefone e elevado número de parceiros entre outras práticas. Os sintomas presentes no diagnóstico compreendem pelo menos três aspectos, tais como: a satisfação só pode ser atingida com práticas sexuais mais intensas e recorrentes (como fantasias/pensamentos acompanhados de masturbação); aumento do tempo e energia gastos com o comportamento sexual; ao tentar diminuir ou evitar o sexo, ocorre mal-estar físico ou emocional; tentativa de controle do comportamento sexual fracassada; comprometimento do tempo que deveria voltar-se para outras atividades, como, trabalho, estudo e convívio familiar, voltado para ocupação com o sexo; incapacidade de controlar consequências negativas dos atos praticados. Este transtorno causa sofrimento além de outros problemas. O Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo realiza pesquisas sobre a compulsão sexual, no Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo, no Instituto de Psiquiatria. Maiores informações no site  http://compulsaosexual.com.br/?p=408

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