sexta-feira, julho 31, 2015

DOR E SOFRIMENTO


"A dor é física, o sofrimento é mental. O sofrimento é inteiramente devido ao apego ou à resistência. É um sinal de nossa falta de disposição de mudar, de fluir com a vida. Embora toda a vida contenha dor, uma vida sábia é livre de sofrimento. Uma pessoa sábia tem boas relações com o inevitável e não sofre. Ela conhece a dor, mas esta não a derruba. Se puder, fará o que for possível para restaurar o equilíbrio. Se não, ela deixa as coisas tomarem seu rumo." Nisargadatta (PSICOLOGIA DO AMOR, Jack Kornfield, 2010)

GRUPO DE ORIENTAÇÃO VOCACIONAL



sábado, julho 25, 2015

GRATIDÃO

"Quem sente a verdadeira gratidão afirma: "você me presenteia sem pensar em retribuição e eu aceito o seu presente com amor." O alvo dessa gratidão, por sua vez, afirma: "seu amor e sua valorização do meu presente valem mais para mim do que qualquer outra coisa que você pudesse me dar". Pela gratidão, afirmamos não apenas o que damos uns aos outros, mas o que somos uns para os outros". (Hellinger, B. A simetria oculta do amor, p. 35)

O DAR E O RECEBER

"Um volume pequeno de doações e recebimentos traz pouco proveito; um volume grande nos torna ricos. O dar e receber em larga escala traz consigo um sentimento de abundância e felicidade. Semelhantemente alegria não cai do céu, mas é resultado da vontade de incrementar o amor pelo dar e receber nos relacionamentos íntimos. Graças a esse intercâmbio em larga escala, sentimo-nos leves e livres, justos e contentes. Entre todas as formas de alcançar inocência nas trocas, esta é de longe a mais satisfatória". (Hellinger, B. A simetria oculta do amor, p. 34)

PAIS E FILHOS

"Filhos que não aceitam os pais estão constantemente procurando compensar este deficit. Frequentemente, a busca de autocompreensão e iluminação não passa da busca de um pai ou uma mãe que ainda não foi aceito. A procura de Deus às vezes cessa ou toma rumo diferente depois de se aceitar um pai ou mãe. Muitas pessoas têm descoberto que "sua crise da meia-idade" resolveu-se logo que conseguiram tomar um dos pais até aí rejeitado." (Hellinger, B. A simetria do amor, p. 112)

PAIS E FILHOS

"Os filhos adquirem segurança interior e sentido de identidade quando aceitam e reconhecem ambos os pais como são. Sentem-se incompletos e vazios quando excluem um deles, ou ambos, de seus corações. A consequência da exclusão ou desprezo de qualquer um dos pais é a mesma: os filhos se tornam passivos e se sentem inúteis. Eis uma causa bastante comum da depressão. Mesmo que tenham sido magoados pelos pais, os filhos ainda podem dizer: "sim, vocês são meus pais. Tudo o que está em vocês está também em mim. Reconheço-os como pais e aceito as consequências disso. Fico com a parte boa que me deram e deixo lhes a tarefa de enfrentar o destino de vocês como bem entenderem". Então estão livres para encetar a obra tantas vezes difícil de tirar o melhor de uma situação ruim." (Hellinger, B. A simetria oculta do amor, p. 104)

domingo, julho 19, 2015

O PODER FEMININO

"Os homens julgam estar dirigindo a revolução dos costumes em curso. Na realidade, eles a estão sofrendo. Seu orgulho esta a ponto de pregar-lhes uma peça grave. Inocentemente acredita ele ser o instigador de um fenômeno do qual é a primeira vitima. Inocentemente se sente sujeito pensante e agente, mas não passa de um objeto passivo, a massa frágil e tenra, o mármore dócil ou rebelde, que está sendo modelado. O artista que trabalha, evidentemente, é a mulher. Os menos inocentes – e, para isso, não são os mais lúcidos – veem bem que o homem contemporâneo não é mais livre que seu pai ou seu avô. (...) Faz-se menos amor na medida em que se fala mais. O homem moderno é um sexo pensante. Essa atitude inortodoxa seria suficiente para indicar que vivemos numa época de revisão. O antigo combate entre homem e a mulher está-se transformando. As regras do jogo estão sendo reconsideradas." (O PODER FEMININO, Cap. 2, p. 31 – LIVRO: A RENOVAÇÃO DO AMOR, JACQUES MOUSSEAU) 

sexta-feira, julho 10, 2015

SENSUALIDADE

"O que faz realmente parte de nosso caminho espiritual é aquilo que nos torna vivos. Se a jardinagem nos torna vivos, ela é parte do nosso caminho, se for a música, a conversação [...] devemos seguir aquilo que nos torna vivos." David Steindl-Rast

"A luminosidade do Sol, a beleza do corpo, a intensidade da vida, amplitude da sensualidade, energia vital". Mirian Lopes
Desenho: SENSUALIDADE, aquarela de Mirian Lopes


quinta-feira, julho 09, 2015

SEREIA DO MAR LEVOU

"O marinheiro bonito
Sereia do mar levou
É doce morrer... 
Nas ondas verdes do mar meu bem" (Canção É DOCE MORRER NO MAR, Dorival Caymmi)
Desenho: SEREIA DO MAR LEVOU, grafite de Mirian Lopes



Á BEIRA DO RIO

"Quando nos sentamos à beira de um rio e permitimos que a correnteza se insinue em nosso espírito, percebemos a mudança na permanência e o eterno retorno - nuvens, chuva, rio, oceano e novamente, nuvens, tudo são fases de um vasto sistema". Bert Hellinger
Desenho: Á BEIRA DO RIO, aquarela de Mirian Lopes

terça-feira, julho 07, 2015

VER

"Então foi como se, de repente, eu visse a beleza secreta dos corações, as profundezas de seus corações, onde nem o pecado, nem o desejo, nem o conhecimento de si próprio pode alcançar, a essência de sua realidade, a pessoa que cada um é aos olhos do Divino. Se todos eles pudessem ver a si mesmos como realmente são, se pudéssemos ver uns aos outros, dessa maneira, todo o tempo. Não haveria mais guerra, não haveria mais ódio, não haveria mais crueldade, não haveria mais cobiça. [...] Eu suponho que o grande problema seria que nos prostraríamos em veneração uns aos outros". Thomas Merton
Desenho: VER, grafite e lápis aquarelado, de Mirian Lopes



APEGOS

Desenho: APEGOS, de Mirian Lopes

"Luminosa é a consciência, radiante é a sua natureza, mas ela se torna obscurecida pelos apegos que a visitam" Anguttara Nikaya


DESENHOS: RECURSO EXPRESSIVO DO SER

E os desenhos nascentes, cada dia em um novo traçado. Para mim, desenhos são como fotografias da alma, uma maneira expressiva de colocar em traçados sobre o papel, o que a sensibilidade captura desse jogo de luz e sombra, das formas geométricas das coisas que se apresentam aos nossos olhos. O exercício de desenhar é também o da entrega ao se colocar em meditação, contemplação de algo, e se deixar envolver pelos contornos, até que suas mãos e os seus olhos dançam em harmonia produzindo arte. Isto me faz entrar em contato com a consciência..."Mais do que qualquer coisa, o modo como vivenciamos a vida é criado pelos estados de mente específicos com os quais enfrentamos.(...) a consciência pura se torna colorida por nossos pensamentos, emoções e expectativas." (Psicologia do Amor, Jack Kornfield). Assim, os desenhos são uma forma de exercício do pensamento de descobertas. Um lado do cérebro que flui, um fazer libertador. Nada melhor do que se permitir a fazer o que te traz alegria, ao invés de ficar adiando, sob justificativas que não dão conta de explicar essa experiência. Assim sendo, meu prazer é a cada encontro clínico, ao mergulhar na experiência do outro, me permitir a expressar em desenhos, esta energia positiva de transformação. Isto sim, é encontrar sentido no que se faz. Uma dádiva poder realizar o chamado.

Texto: Mirian Lopes

A FORÇA, grafite, desenho de Mirian Lopes

"Impressionante como ouvir o outro nos transforma, nos atravessa. E o que resulta? Em mim, reflexões que escoam na ponta do lápis, em rabiscos, imagens do interior da alma. A força necessária para sobrevoar paisagens desconhecidas, mas fascinantes. Força para renascer em meio adversidades, visão para alcançar o infinito." Mirian Lopes
MEU GATINHO, grafite de Mirian Lopes
"A arte de viver não é nem ser levado ao sabor do vento, por um lado, nem ficar apegado e temeroso, por outro. Ela consiste em ser sensível a cada momento, considerando-o totalmente novo e único, em ter a mente aberta e inteiramente receptiva." Alan Watts

ELVIS DA LAÍS, grafite de Mirian Lopes
"Com sabedoria, deixe sua mente plena de amor impregnar um quarto do mundo, e também o segundo, terceiro e quarto quartos. Preencha o mundo inteiro, acima, abaixo, em volta, impregne o mundo com pensamentos plenos de amor, livres de qualquer má vontade, amor abundante, sublime, além da medida." Digha Nikaya

PASSEANDO, grafite de Mirian Lopes

sexta-feira, julho 03, 2015

SEXUALIDADE DO CASAL IDOSO – ATITUDES E COMPORTAMENTOS QUE PRECISAM DE EDUCAÇÃO SEXUAL - MITOS SOBRE IDADE E SEXUALIDADE

O que mais se fala em nossa cultura sobre a sexualidade em idosos são circunstâncias mitificadas. Vejamos dois mitos contraditórios comuns de se ouvir:

Mito 1- Ao envelhecer, não há qualquer mudança no interesse sexual do homem, nem na resposta ou desempenho sexual.

Mito 2 - Envelhecendo você perde o interesse no sexo e não conseguirá mais fazer sexo. Esta compreensão sem fundamentação cientifica precisa ser substituída, mas somente o será trazendo esta discussão com quem ainda não atingiu uma idade mais avançada.  O aumento da expectativa de vida no séc. XX mostrou que o número das pessoas com mais de 65 anos tem crescido muito. No ano 2000 tínhamos no Brasil 9.926.472 pessoas com mais de 65 anos. A tendência de aumentar a percentagem já é percebida, fazendo com que as próximas décadas produzam mais habitantes com vida mais prolongada sobrevivendo! Mesmo com o crescimento da população mais idosa, pouca atenção tem sido dedicada ao tratamento de disfunções sexuais em idosos, senão até a última década do séc. XX. E mesmo assim esta discussão apenas começou e ainda precisa de muita atenção de profissionais de saúde.  A Organização Mundial da Saúde, a partir de discussões e consultas a grupos de especialistas em sexualidade entre 1974 e 2003, definiu a Saúde Sexual: “A integração dos aspectos afetivos, somáticos e intelectuais do ser sexuado, de modo tal que dela derive o enriquecimento e o desenvolvimento da pessoa humana, a comunicação e o amor”. No transcorrer da senectude, a sexualidade segue desempenhando um papel importante, mesmo que pese a falta de oportunidades para exercê-la e a marginalização que socialmente sofre a população idosa. Winn e Newton (1982) usaram arquivos para comparar a sexualidade de idosos em 106 culturas. Concluíram que a continuidade da sexualidade em idosos em muitas sociedades significava que os fatores culturais devem ser a chave determinante para o comportamento sexual. A compreensão da sexualidade no idoso é o que permite que idosos aproveitem a vida sexual.


Sexo muda com a idade – homens

Idosos não conhecem as mudanças no funcionamento sexual relacionados ao envelhecimento, e adotam as atitudes sociais de sexo e atividades sexuais que aprenderam que eram de idosos. Este “conhecimento” aprendido desde infância sobre como deverá ser mais tarde na vida produz muita ansiedade relacionada a expressão da sexualidade. Buscar atividades sexuais sob ansiedade prejudica o desempenho sexual de homens e mulheres, produzindo disfunções sexuais. A ansiedade e medo advinda da interpretação negativa das mudanças genitais e da função sexual associadas com a idade está na base de muitos problemas vividos pelos mais idosos.  Mudanças genitais e da resposta sexual precisam ser conhecidas por quem envelhece e pelos profissionais de saúde que deles cuidam. Por exemplo, homens tendem a precisar de mais tempo para obter uma ereção, existe aumento do tempo de ereção pré-ejaculação, diminuição da força da ejaculação, e o aumento do tempo da fase refratária, dificultando a próxima ereção. Embora a incidência de disfunções sexuais aumentem com a idade, associam-se a problemas de saúde que aumentam com a idade, e não com a idade per se. Muitas doenças endócrinas, vasculares, e neurológicas podem interferir na função sexual, tanto quanto os medicamentos e cirurgias para os tratamentos. Estes fatores de saúde são mais prevalentes em idosos, o que não deveria surpreender termos mais causas orgânicas para as disfunções sexuais nos idosos. Os fatores patológicos que afetam a função sexual: doenças cardiovasculares, demência, artrite e cirurgias. Medicamentos que afetam o sistema nervoso autônomo podem interferir com a função sexual.
Muitas medicações que idosos usam também afetam a sexualidade: anti-hipertensivos, tranquilizantes, antidepressivos.  Mudanças que ocorrem na fisiologia do homem idoso podem afetar a ereção e a ejaculação. Estas mudanças não precisam ter um impacto na obtenção de prazer sexual, e não teriam se não fosse a interpretação errada que as pessoas fazem ao ficarem mais velhas. Conhecer que estas mudanças não são disfuncionais e o auxílio para adaptações na prática sexual são cruciais para a prevenção de disfunções sexuais devido a ansiedade.

Sexo muda com a idade – mulheres

Na mulher idosa os efeitos fisiológicos do envelhecimento que afetam a função sexual devem-se ao decréscimo de circulação de estrogênio após a menopausa. A velocidade e quantidade de lubrificação vaginal diminui e ocorre uma atrofia geral da vagina. Para muitas mulheres estas mudanças significam a liberdade para explorar a atividade sexual com prazer e sem preocupar-se com a gravidez. Mudanças Genitais na mulher incluem redução do tamanho do clitóris, da vulva, do tecido labial, diminuição do tamanho do cérvix, útero e ovários, e perda de elasticidade e afinamento da parede vaginal. Algumas mulheres podem experienciar lubrificação inadequada e coito pode ser doloroso com as paredes vaginais muito finas. O declínio cognitivo que pode ocorrer em idosos pode influencias a atividade sexual. A deterioração cognitiva relacionada a desordens de demência pode afetar o comportamento sexual, produzindo problemas no relacionamento do casal.
Sexualidade – comportamentos

Pesquisa com 800 idosos sobre o que sentiam sobre as atividades sexuais revelaram que os idosos definem e expressam a sexualidade de modo mais difuso e variado do que os grupos mais jovens sugerindo que as mudanças na expressão da atividade sexual pode ser mais comum com o avanço da idade. Comportamento sexual e atitudes sobre sexo no idoso refletem a continuidade dos padrões adquiridos nas duas primeiras décadas de vida. Aqueles mais ativos na juventude tendem a manter este padrão durante toda a vida. Atitudes negativas sobre sexo aprendidas na juventude podem produzir interferir na habilidade de obter prazer sexual na terceira idade. Atividade sexual relaciona-se com comportamento e atitudes sexuais, grau de interesse sexual, e frequência de atividade sexual anterior. Outros fatores psicossociais que afetam o funcionamento sexual de idosos: muitos casais com problemas de rotina e vida enfadonha com o relacionamento de longo prazo, relacionamento ou casamento sem amor nas décadas intermediarias minam a possibilidade de condições futuras. Mudanças no estilo de vida relacionadas a aposentadoria, mudanças e problemas de adaptação, precisam ser considerados. Com a aposentadoria o homem deixa as atividades percebidas como masculinas o que pode produzir diminuição da autoestima e afetar o desempenho sexual. Sanções religiosas que restringem o sexo à reprodução e ignoram a importância da intimidade, amor e prazer sexual na produção do bem estar, negam a importância destas necessidades humanas.
Educação sexual não é apenas para jovens

Conhecimento e atitudes sobre sexualidade influencia as percepções sobre as necessidades sexuais e sentimentos na terceira idade. Associação entre conhecimento e atitudes sobre sexo na terceira idade. Intervenções educacionais são necessárias para diminuir mitos, estereótipos e iniciar atitudes positivas a idosos para promover a percepção de que a expressão sexual faz parte da vida independente da idade. É ampla a evidência que sugere que a educação sexual para idosos conduz a atitudes positivas sobre sexo.  Idosos tem poucas oportunidades de acesso a educação, menos ainda a educação sexual. Idosos não tem acesso a informações sobre sexualidade e desconhecem o funcionamento sexual. Nas casas de repouso e serviços geriátricos em que pessoal de saúde tem mais informações sobre sexualidade, os idosos têm atitudes de maior aceitação sobre sexualidade. Através do “Aged Sexuality Knowledge and Attitudes Scale (ASKAS)”, um estudo do efeito da intervenção educacional sobre sexualidade em idosos, familiares e profissionais de saúde apontou: Existe um aumento significativo do conhecimento, das atividades sexuais e satisfação com o sexo, e o desenvolvimento de atitudes mais permissivas após a intervenção educacional de um processo de Educação Sexual aplicado a idosos. Antes de 1980, a maioria dos sujeitos de pesquisas em sexualidade eram idosos de casas de repouso, produzindo apenas conhecimento limitado a atitudes negativas sobre sexualidade. Estudos sobre profissionais de saúde com idosos mostram que com o aumento de conhecimento deles sobre sexualidade em idosos produzem maior aceitação das atitudes sexuais em idosos.  Assim os psicólogos que se dedicam a atender queixas sexuais podem auxiliar casais mais idosos a compreenderem suas mudanças e poderem mudar ideias errôneas e mudar processos mentais que os conduzem a erros. Assim virá uma felicidade sexual possível e real!

Oswaldo M. Rodrigues Jr. | Psychologist and sex therapist at Instituto Paulista de Sexualidade | Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual do Instituto Paulista de Sexualidade.

COMO É O HOMEM COM DISFUNÇÃO ERÉTIL QUE PROCURA PSICOTERAPIA SEXUAL?

Devido a meu trabalho em consultório com queixas sexuais, sempre recebo perguntas a respeito dos pacientes e dos problemas sexuais que apresentam. Para responder a perguntas assim, junto a meu grupo de pesquisas, o GEPIPS, estudamos os homens que vieram ao consultório com queixas de não obter ou manter ereções penianas que permitissem um relacionamento sexual com penetração. Sim, é exatamente o problema que sempre se chamou de impotência sexual!  Estudamos as respostas de um questionário que usamos para compreender a história sexual destes homens. Este questionário permite conhecer e comparar um paciente aos outros homens.  Homens com queixa de disfunção erétil que buscam tratamento psicoterápico especializado em sexualidade consideram-se terem sido sempre curiosos com relação a sexo (65,9%) ou desenvolveram esta curiosidade após aparecimento do problema sexual (20,5%). As primeiras informações sobre sexualidade foram recebidas aos 11 anos (entre 4 e 16 anos) de idade, com amigos de mesma idade (45,4%) ou com a concepção de ter aprendido sozinho (15,5%). Sobre jogos sexuais infantis não praticaram (53,3%) ou os que praticaram consideravam normal (32,3%) os jogos de troca-troca, masturbação mutua ou em grupo na infância. Interessante é que 8,9% dos homens referiu ter participado destes jogos e que consideram estas vivências parte da causa de seus problemas sexuais. O ato sexual somente foi visto em filmes (56,9%) ou pela TV (31,8%), sendo que apenas (6,8%) viram os pais em atividades sexuais. A masturbação iniciou-se aos 12 anos (entre 7 e 16 anos), com frequência diária (32,6%) ou de 1 a 2 vezes por semana (20,9%). Atualmente a masturbação ocorre de 2 a 3 vezes ao mês (63,7%) sem sentimentos de culpa (63,7%), embora 20,5% considere ser bom, mas que não devia fazê-lo, ou sentem–se culpados (11,4%). Estes homens consideram que sempre foi fácil arranjar namoradas (47,8%), embora 11,4% tenham se casado com a primeira namorada.  A primeira relação sexual foi aos 17 anos (entre 8 e 27 anos), com uma amiga (32,5%), namorada (25,6%) ou prostituta (23,2%). A primeira relação sexual foi homossexual para 11,6% desta amostra. Sentiram que foi bom (50,1%) sendo que para 20%, além de ter sido bom trouxe um sentimento de realização, e para 16% foi confuso.  A razão para o encontro sexual é o prazer (55,5%) ou o desejo (53,3%) ou a atração física (39,9%).  A preocupação com a possibilidade de engravidar a parceira sexual ocorre sempre em 25,6% destes homens, ou às vezes em 18,6%. Não contraíram doenças sexualmente transmissíveis (73,3%) ou tiveram gonorreia (15,5%). A nudez solitária é vivida com prazer (38,7%) ou com indiferença (34,1%). Junto de outra pessoa de mesmo sexo é desconfortável (43,2%) ou indiferente (34,2%); se for uma mulher é indiferente (27,2%) ou desconfortável (22,8%), sendo excitante para 41%.  A homossexualidade feminina traz curiosidade para 34,2%, e 15,9% teme tornar-se homossexual. O desejo sexual com para com a parceria sexual é ausente em 26,2%, ou variável (21,4%). Para outras mulheres é intenso (34,9%) ou variável (34,9%). As mamas são a parte do corpo mais atraente na parceria sexual (40,1%) secundado pelas nádegas (35,7%), embora 37,8% afirme ser ela por inteiro. A barriga é parte rejeitada da parceria sexual (36,4%). Não se sentem satisfeitos com a parceria sexual em 47,6% os casos. Não acham que a parceira sexual tenha problemas (47,7%), embora 40,4% considere que ela tenha algum tipo de problema sexual. A parceria sexual mostra-se ressentida com o problema erétil (15,9%) ou é cooperativa (23,3%) ou irá ajudar a resolver o problema sexual em 22,6%. Estes homens não consideram que sua parceira sexual seja a causa do problema que vivem (54,5%). A última relação sexual satisfatória havia sido há uma semana (20,5%) ou há seis meses (20,5%).  Um fator cognitivo importante é o medo de não conseguir, de fracassar (67,5%). Ficam nervosos dependendo da parceira (20,9%) ou sempre (16,3%). Uma pequena porcentagem (7%) confunde excitação sexual com nervosismo, considerando este um sinal da primeira. Os problemas psicológicos de algum tipo (57,5%) ou a preocupação de não conseguir desempenhar o sexo (62%) são considerados como causa da dificuldade sexual, além do cansaço (8,9) e o trabalho (11,1%); além disso, 15,5% não apresentam compreensões de fatores intervenientes na vida sexual. A dificuldade com a ereção é na obtenção (41,%) ou na manutenção (41%). A ejaculação é considerada normal quanto ao tempo para a parceira obter orgasmos (32,4%), e muito rápida para 31,1%, sendo que 23% consideram que ejaculam sempre antes da parceira poder ter orgasmos. Ejaculação ante-porta ocorre em 7,1% e em 9,5% ela acontece sem mesmo ter ereção peniana presente.  O médico urologista é o profissional de saúde que já foi procurado para tentar resolver o problema sexual (62,8%) ou um psicólogo/psiquiatra (28%). Estes homens percebem-se muito preocupados com a vida (73,3%) ou nervosos (16,6%) ou tem períodos de tristeza (23,3%). O uso de bebidas (23,5%) ou cigarros (20,3%) são as substâncias mais usadas por estes homens. No caso do álcool, mais 32,2% afirmam fazer uso social da bebida. Conhecer o perfil dos homens que se queixam de problemas eréteis é uma necessidade dos profissionais de saúde que se propõe a tratar estas dificuldades sexuais.  Devemos compreender que esta amostra representa um tipo de pacientes e caracteriza aqueles homens que entendem que a dificuldade sexual se deve a questões psicológicas, por isso aceitam o tratamento psicológico. O homem que não compreende que tem um problema sexual não procura tratamento. O homem que sabe que tem o problema sexual tem suas dificuldades em tratar-se, tem medo, considera que tenha vergonha, sente-se incapaz de se expor e de buscar ajuda. Os homens que buscam tratamento para o problema de ereção podem levar de 2 a 5 anos para conseguir marcar uma primeira consulta com um profissional de saúde. Muitas vezes a primeira procura é feita pela esposa que telefona e marca consulta, mesmo que o homem não consiga sequer ir para esta consulta. O homem que marca a consulta ainda terá várias desculpas para postergar esta consulta. Indicado por outro profissional de saúde a um especialista, muitos homens podem aguardar muitos meses, até um ano com o nome indicado, sem assumir a responsabilidade de mudar a vida e os problemas que vive. As dificuldades sexuais têm tratamento e solução! A mulher tem grande importância para facilitar que o homem resolva o problema. Tentar conversar, sempre, e exigir que o homem cuide de sua saúde facilitará que este homem se trate. 

Fonte:  Oswaldo M. Rodrigues Jr. | Psychologist and sex therapist at Instituto Paulista de Sexualidade | Psicólogo e Psicoterapeuta Sexual do Instituto Paulista de Sexualidade.

UM SENTIDO PARA A VIDA

“O ser humano já não conta com tradições que lhe diziam o que fazer; assim muitas vezes parece já não saber o que quer, e acaba por fazer aquilo que outros querem, exigem e o resultado é o conformismo, a massificação da sociedade atual. A frustração existencial parece ser um dos componentes responsáveis por esses fenômenos mundiais” (FRANKL, 1989, p. 12).

FRANKL, V.E. (1989). Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. São Paulo: Editora Santuário

ANALÍTICS