quarta-feira, novembro 16, 2016

CERTIFICADO DE EXCELÊNCIA - 2016 DOCTORALIA

Muito Feliz!!! Com o reconhecimento de minha atuação clínica na área de sexualidade humana!
Gratificante promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas que nos procuram e acreditam em nosso trabalho!


GRAVAÇÃO PARA O PROGRAMA COLETIVAS - UNIVERSIDADE SÃO JUDAS

Muito feliz!!! Gravação do Programa Coletivas...falando sobre sexualidade para estudantes de jornalismo da Universidade São Judas, a ser exibido no canal 11 NET



AUTOESTIMA








PROCRASTINAÇÃO - COMO ENFRENTÁ-LA?








quarta-feira, julho 13, 2016

REFLEXÕES



Reflexões são sempre bem-vindas. Não me entendo sem elas. Fazem parte de meu fazer diário, do meu processo de escuta e de diálogo. Elas se dão no encontro, na observação do que sinto, do que me atravessa, do que alcanço, do que ouço, do que posso expressar.

Elas me veem de longe e de perto. São como uma brisa suave a soprar em minha face. São como labaredas de fogo a aquecer-me o coração. São como os pássaros voam livremente. Vem e vão e atingem muitas direções.

Reflexões fazem parte de quem sou. São ferramentas de minha construção. Como não fazê-las? Impossível, pois diariamente fico embevecida pelas muitas histórias de vida que tenho o privilégio de participar, de acompanhar. Incríveis transformações. São enredos escritos a quatro mãos.

Amo os seres que voam em minha direção. Fico extasiada com a beleza destes renascimentos, destes desprendimentos, das reinvenções que testemunho, daqueles que sonham e realizam, daqueles que lutam e obtém vitórias, daqueles que compreendem seu caminho.

E enquanto estou flutuando surpreendida, também sou transformada. Isso é viver. É estar presente inteiramente na experiência. Sem expectativas, sem medos, sem estranhezas, apenas seguindo o fluxo dos acontecimentos.

E assim, me deparo mais uma vez a construir reflexões. A cada amanhecer novas linhas nascem junto com o Sol em meu Céu, onde todas as possibilidades passam a existir.

Texto: Mirian Lopes

PALAVRAS


Ah! Que liberdade poder se permitir no desvelar do ser. Permitir-se a deixar que as palavras saltem dentro da alma e venham para o exterior. Acredito que elas têm vida própria, que elas têm poder.

Sendo assim todo o cuidado é necessário, pois cada palavra é como uma flecha que segue velozmente para uma direção, e uma vez lançada não volta mais, todavia, reverbera.

Deixo-as livres brotando em mim. Elas me trazem conhecimento. Elas conversam comigo sobre coisas que ainda não sei. O fato é que elas, as palavras, habitam em mim.


Elas podem cortar, dividir, ferir. Podem apaziguar, acalmar, curar. São constituídas de força ou de leveza. São monocromáticas ou iridescentes em suas cores. São preciosidades ou poeira espalhadas ao vento.

Depende do modo como cada um pode vê-la, tocá-la, proferí-la, a palavra ou as palavras estão sempre ali, esperando para serem reconhecidas, decodificadas, compreendidas.

É como o fio de um novelo, dá passagem para as saídas da alma. Ou pode ser uma chama que incendeia uma floresta inteira, sem salvação.

Para mim, as palavras são riquezas, instrumentos com finalidades distintas prontas para encantar, para transformar, para trazer à luz, o que está nas sombras.

Faço parte delas, pois já estou mergulhada em sua dimensão. Elas ditam para mim, o tempo e o espaço. São como leme da embarcação, neste desconhecido mar. As palavras, sempre elas, me absorverem, como agora estão a fazer.

Texto: Mirian Lopes

terça-feira, julho 12, 2016

SOBRE A IMAGEM CORPORAL



...sobre a imagem corporal...

“Para Schilder a imagem corporal é a representação que um indivíduo faz do eu corpo, em sua mente (tradução inglesa) ou em seu espírito (tradução francesa). Naturalmente, a escolha do termo é enviesada pela perspectiva cultural desses países. Considerando tratar-se de uma representação psicológica, a imagem corporal integra os níveis físicos, emocional e mental em cada ser humano, com respeito à percepção da sua corporalidade.

A imagem corporal é colocada por Schilder como o conceito moderno capaz de operar as três estruturas constituintes da complexa relação que criamos com o nosso próprio corpo:

Estrutura fisiológica: responsável pelas organizações anatomofisiológicas que dispõem o arcabouço ósseo, muscular, nervoso e hormonal em suas inter-relações particulares a cada indivíduo. Incluem-se nesta estrutura contribuições geneticamente herdadas e as modificações sofridas pelas funções somáticas durante as fases anteriores da vida do sujeito.

Estrutura libidinal: considerada como o conjunto das experiências emocionais, vividas nos relacionamentos, desde a gestação. Aqui o conceito de libido refere-se ao quantum de energia investida em determinando órgão ou função e liga-se indiretamente com o grau de satisfação que o indivíduo tem consigo mesmo.

Estrutura sociológica: derivando-se parcialmente dos intercâmbios pessoais, a imagem corporal está formada também à base da aprendizagem dos valores culturais e sociais. Esta estrutura aborda especialmente os motivos pelos quais as pessoas de um grupo tendem a valorizar certas áreas ou funções, o papel das vestes e dos adornos na comunicação social, assim como do olhar e dos gestos.” 

(Lucy Penna, O corpo sofrido e mal-amado: as experiências da mulher com o próprio corpo, p. 27-28)

Imagem: Alex Alemany

segunda-feira, julho 11, 2016

OBSERVANDO SENTIMENTOS

Assim sendo, o homem que se deprecia por não conseguir se enquadrar em um padrão aceito socialmente como "homem conquistador" e que não consegue expressar seus sentimentos por achar que isso é coisa do comportamento feminino, então está se colocando em dificuldades em lidar com seus aspectos emocionais e ao lidar com sua sexualidade. Na verdade o que o homem pode fazer é compreender sua singularidade, e se aceitar e desenvolver seus recursos internos, elevando sua autoestima e se tornando autoconfiante.

SOBRE A DISFUNÇÃO ERÉTIL

É evidente que não se sentir bem ou confortável em determinando momento é natural, e mesmo que o homem não consiga ter o desempenho ou a performance sexual que tanto idealiza ou tem expectativas, isso não o diminui como homem. Então é importante que este observe suas emoções que resignifique a experiência, que se sinta encorajado a tentar um recomeço, aprendendo a lidar com a frustração ou com a ansiedade que possa surgir pelo temor ao insucesso.

O TAMANHO DO PÊNIS



Sabe-se que o tamanho do pênis causa preocupação, angústia e ideias fantasiosas nos homens, pois é considerado símbolo de masculinidade.

Desde a infância, meninos vivenciam uma intensa intimidade com o órgão, manipulando-o com curiosidade que os levam a descobrir sensações excitantes. Isto faz parte de um processo de crescimento natural.

Porém, eles também aprendem que sua coragem e potência se ligam ao tamanho do pênis ou a frequência da ereção. Aprendem a valorizar o tamanho de seu órgão e carregam uma ideia de que o pênis grande traz ao homem a garantia de um status de potência.

Assim, ocorre a ansiedade na infância, na adolescência ou na fase adulta. Meninos com frequência comparam o tamanho de seu órgão com os dos outros. Então, eles desenvolvem uma curiosidade sobre seu corpo.

Porém, nesta descoberta se forem repreendidos pelo adulto, dependendo de como cada um lida com a situação, frustrações podem iniciar ou a ideia de que existe algo de errado com o sexo, e estes podem desenvolver associações que trarão insucesso no futuro.

A masturbação se apresenta como uma fonte para alivio das tensões. O sexo poderá ser entendido como uma prática ligada à diminuição da ansiedade, interferindo assim, na possibilidade de construir uma forma de envolvimento e integração com a parceria.

Também, a ansiedade desenvolvida poderá contribuir para o surgimento de problemas tais como, a ejaculação precoce, a preocupação excessiva com o desempenho e a performance sexual.

Ainda que o pênis tenha tamanho normal, muitos homens poderão considerar que o dos outros é maior sem nenhum fundamento, reclamando do comprimento do órgão mesmo com ereção normal.

Mas qual é o tamanho normal? Um pênis flácido mede de 5 cm a 10 cm de comprimento. De acordo com Masters e Johnson (1966) o pênis em ereção mede de 12,5 cm a 17,5 cm. Já o pênis pequeno é o que atinge quando flácido tamanho menor que 4 cm ou quando ereto menor de 7,5 cm. Contudo, não há uma definição universalmente aceita. Apesar disso, homens que se aproximam dessas medidas tem boa ereção sem dificuldades na atividade sexual.

É importante saber que o tamanho do pênis não interfere no prazer feminino, pois o ponto de explosão e de orgasmo na mulher está localizado no clitóris. Além disso, mesmo que o pênis seja grande poderá não levar a mulher ao prazer, pois o vínculo da relação e a capacidade de envolvimento e entrega, atenção, conforto, confiança e atitudes frente ao sexo são fatores importantes para que o prazer aconteça.

Como tratar a questão? Se há dúvidas, a procura por profissional qualificado possibilitará que aspectos emocionais sejam trabalhados, e que uma compreensão e ressignificação da experiência se estabeleçam, promovendo assim, uma maior qualidade de vida e satisfação sexual.

Por Mirian Lopes

HOMEM NÃO CHORA


O homem que esconde seus sentimentos, por querer se mostrar sempre forte, pode estar se colocando em uma condição de angústia. Forte é aquele que enfrenta suas dificuldades com coragem e que consegue lidar com suas emoções.

A afirmação “homem não chora” dita desde a infância, criou uma imagem falsa de que homem não pode expressar suas fragilidades, e que deve “engolir” seus conflitos. Assim, perde a oportunidade de expor seus sentimentos, e reprime o que o faz adoecer. De fato, o “homem que não chora” perde a oportunidade de estabelecer trocas afetivas importantes e enfrenta a dificuldade de se humanizar.


"Homem não chora!" Resolve demandas profissionais, realiza bem muitas atividades, mas, sente-se vulnerável diante da possibilidade de se mover na região dos afetos. Sofre calado. Desenvolve sintomas psicossomáticos – enfarte, hipertensão arterial, gastrite, etc – isto porque não se liberta desta condição aprendida e que pode e deve ser desconstruída para reinventar-se como humano que é.

Homem que é homem chora, se emociona, sorri e assume corajosamente sua sensibilidade, sua capacidade de ser e continuar sendo singular em sua existência. Enfrenta seus fantasmas, seus medos e não perde a oportunidade de se revelar aos olhos que podem vê-lo!

Por Mirian Lopes

sábado, julho 09, 2016

COMO CONVERSAR SOBRE SEXUALIDADE COM ADOLESCENTES

DIVULGAMOS UMA DE NOSSAS PALESTRAS QUE REALIZAMOS EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO, INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E ONGs

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ENCONTRO


Estar diante do outro, compreendendo seu desvelamento, sua maneira única de ser e se deixar conhecer. Respeitar o som e o silêncio, constituídos de uma linguagem própria. Assim, a transformação, a realidade, que se dá pela via do encontro, da aproximação e dos distanciamentos, um ritmo da vida, uma ordem, um caos, várias saídas!

Encontros são sempre oportunidades para evoluir, alcançar outros níveis de compreensão sobre o mistério da existência. O contato, um sorriso, um olhar, um aperto de mãos, um jeito de caminhar lado a lado ou em outras direções, uma lágrima, uma dor, um deixar-se flutuar!

Que riqueza da vida, intuir e sentir, a presença, a própria e a de outros seres singulares! Falaria de distintas passagens, destes encontros que mudam nossa forma de perceber do lado de dentro e do lado de fora.

Já não há como ser da mesma maneira, pois presenças transformam, se fazem no encontro, de forma expandida, no lugar de fronteiras, um estar junto no curso do rio, no ato do movimento da vida!

Reflexão: Mirian Lopes

quarta-feira, julho 06, 2016

O CICLO DE VIDA DOS RELACIONAMENTOS


Há um ciclo de vida próprio para os relacionamentos amorosos. Os períodos de crises e transições das fases da vida interferem na dinâmica de interações entre os parceiros. Há casais que funcionam bem realizando atividades em comum, porém, sem espaço individual; há outros que se unem na educação de filhos, mas são distanciados enquanto casal; e há casais que preservam seus interesses individuais, enquanto funcionam produtivamente em projetos comuns.

O ciclo de vida do casal começa bem antes da decisão de compartilharem o espaço da conjugalidade. De acordo com Jay Haley, a família de origem de cada um influencia este ciclo, na medida em que desempenha um papel de preparar ou não o individuo para uma vida separada dos pais.

As primeiras experiências amorosas se dão na busca sem preocupação, de um parceiro mais estável, que seja apto e tenha desejo de aceitar algo que o outro também espera resolver: seus conflitos infantis.

A relação que uma pessoa vivencia com sua mãe e seu pai, ou como os percebe enquanto casal poderá influenciar no seu interesse por uma determinada pessoa, embora este interesse pareça um acontecimento aleatório. O apaixonar-se supõe que haja uma reciprocidade e complementaridade das necessidades e anseios da vida a dois.

No ato de apaixonar-se é necessário o reconhecimento do amor. Um dos dois assumirá estar apaixonado na tentativa de estabelecer conexão com o outro. Se há enamoramento mútuo, surgirá a fantasia de unidade, e a tendência à idealização do outro e a evitação de se estar consciente sobre as dificuldades do outro.

A idealização do parceiro tornará difícil o reconhecimento de suas características e necessidades individuais, o que poderá trazer tensões futuras para o relacionamento. A crise se estabelece quando os parceiros percebem a modificação da relação, ou seja, há o reconhecimento de que o parceiro não é exatamente o que pensava-se que ele fosse ou de que ambos não são o que pensavam que fossem.

Assim o sentimento da unidade cede lugar a experiência de divisão, de distanciamento, causando desilusão e frustração. Esta fase termina quando as desilusões são desfeitas e ambos se aceitam como realmente são e o que realmente tem na relação. 

Os parceiros podem sobreviver a esta fase e alcançar estabilidade com a aceitação um do outro e com negociação das diferenças, resultando em mais espaço para a individualidade, ou pode haver um distanciamento que por fim resulte em separação por não haver mais interesse ou sentido de reinvestimento no relacionamento.

Os parceiros descobrem a capacidade de amar sem odiar o que cada um faz, e a manejar tensões, ceder sem que isso represente perda. Pode haver outro nível de comprometimento com o futuro, onde cada um dedica-se a compartilhar com outras pessoas as experiências adquiridas e a investirem em projetos comuns.

Todavia, há o risco de que esta dedicação faça com que pouca energia seja voltada para o relacionamento. É importante lidar com o “stress” da relação, tolerando mudanças. Este ritmo em lidar com tensões e evoluir nesse processo dependerá das características de cada pessoa e das pressões que a vida exerce sobre a relação.

Quando se reconhece que a relação não deu certo e que há a decisão de separação, haverá o processo de luto pela perda. Quando há a decisão da manutenção da relação, haverá a necessidade de que as magoas sejam trabalhadas para se chegar ao perdão, reconhecendo as dificuldades e responsabilidades da própria mudança, e das necessidades de cada um. 

Neste sentido, a terapia de casal tem a finalidade de auxiliar os parceiros a lidar com esse contexto encontrando alternativas para manter ou não a relação. O cuidado de si é fundamental nesse processo evolutivo.

Texto: Mirian Lopes; Arte: Pascal Chove

SÍNDROME DO PÂNICO



Texto: Mirian Lopes – Arte: Federico Beber


A síndrome do pânico é caracterizada por períodos em que surgem ataques a qualquer momento do dia-a-dia de uma pessoa, na qual ela experimentará o início súbito de medo, terror, apreensão e uma sensação de morte iminente. Ela pode causar de forma lenta, sentimentos genéricos de tensão e desconforto nervoso, e pode aparecer como ataques de ansiedade aguda.


Em geral, estes ataques podem durar de 5 a 20 minutos e em média pode acontecer três ataques no período de um mês. O individuo se preocupa com as consequências do ataque ou pode mudar seu comportamento por causa do ataque.


Os sintomas são: tontura, sensação de insegurança, ou desmaio; palpitações ou frequência cardíaca acelerada (taquicardia); tremor, calafrios; sudorese; sufocação; náuseas ou dor abdominal; despersonalização; rubor; dor ou desconforto torácico; medo de morrer; medo de ficar louco ou de fazer alguma coisa descontrolada (TALBOTT et al, 1992 p. 193)


A síndrome do pânico faz parte dos chamados transtornos de ansiedade, conjuntamente com as fobias (fobia simples e fobia social), o estresse pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo e a ansiedade generalizada.


O tratamento da síndrome de pânico deve contemplar o gerenciamento das crises, a modificação da relação da pessoa com o próprio corpo, a retomada da capacidade de proteção pelo vínculo e a elaboração dos processos afetivos inconscientes que levaram ao pânico.


Para o gerenciamento das crises são utilizadas técnicas respiratórias, reorganização das posturas somático-emocionais de ansiedade, atenção dirigida, entre outras.


Os exercícios com atenção focada e ressignificação das sensações do corpo, o reconhecimento da correlação entre as posturas somáticas e os estados psicológicos, são importantes pois favorecem a intimidade com a linguagem somática que organiza a presença no mundo e ensina a pessoa como influir sobre os seus estados internos e desorganizar os padrões somático-emocionais que mantém a ansiedade e levam ao pânico.


A capacidade de restabelecer e sustentar a conexão profunda nos vínculos, também são trabalhados, ou seja, a pessoa revê sua história de vida, seus relacionamentos, e pode reorganizar os padrões de vinculação em direção a relações mais estáveis que possam oferecer uma rede de confiança e trocas afetivas, essenciais para a superação da síndrome do pânico.


Também é dado o enfoque nas situações causais, na história de vida emocional e no mapeamento das transições, crises existenciais e pressões que estavam em processo quando a síndrome de pânico começou. É fundamental identificar os afetos não elaborados que desencadearam as respostas de desconexão e que levaram à síndrome de pânico.


Em caso de necessidade, o tratamento com antidepressivos, normalmente associados aos ansiolíticos, poderá ser indicado. A técnica de relaxamento respiratório e muscular deve ser aplicada, e que consiste em exercícios de respiração e relaxamento muscular progressivo, onde o paciente exercita padrões com inspiração-expiração profundas e padrões com amplas respirações diafragmáticas, proporcionando-lhe senso de controle sobre o próprio organismo (ANDRADE et al 2005 p-38).


A dessensibilização sintomática é utilizada para levar o paciente a pensar e tentar vivenciar os sentimentos que o levam a desencadear sintomas que geram ansiedade ou submeter-se a uma exposição direta graduada aos objetos ou situações temidas (ANDRADE et al., 2005).


A reestruturação cognitiva também é utilizada para corrigir a má avaliação de sensações percebidas como ameaçadoras. A técnica da distração também pode auxiliar o paciente. Ele poderá se envolver em atividades lúdicas com jogos que exijam atenção ou iniciar uma conversa neutra com alguém.


Ler sobre a síndrome também auxilia o paciente, pois poderá modificar seu comportamento, seus pensamentos ou sentimentos.


Finalmente, há uma estratégia chamada A.C.A.L.M.E-S.E. que são assim descritas: Letra A: Significa aceitar a ansiedade. Letra C: Contemplar as coisas em sua volta em vez de ficar olhando para dentro de si mesmo, deixando acontecer ao corpo o que ele quiser; Letra A: Aja como se não tivesse ansioso. Diminua o ritmo com que faz as coisas, porém, mantenha-se ativo. Letra L: Libere o ar dos pulmões, bem devagar, calmamente, inspirando pouco ar pelo nariz e expirando longa e suavemente pela boca; Letra M: Mantenha os passos anteriores. Letra E: Examine seus pensamentos, pois talvez esteja antecipando coisas catastróficas; Letra S: Sorria, você conseguiu! Merece todo o seu crédito e todo o seu reconhecimento. Letra E: Espere o futuro com aceitação. Livre-se do pensamento mágico de que está livre definitivamente de sua ansiedade. Para prevenir as crises de pânico é necessário atenção para prática de exercícios regulares, boa alimentação, boa relação com as pessoas, e boa capacidade para liberar as tensões, em resumo, cuidado com a qualidade de vida.


ANDRADE, M. F. B.; MACEDO, M. L. M.; GUIMARÃES,R. L. L. Transtorno do pânico: uma visão cognitivo-comportamental. Monografia (Especialização em Psicologia Cognitiva – Comportamental). Faculdades Integradas de Patos. João Pessoa, 2005.

TALBOTT, John et al. Tratado de psiquiatria.. 1ª reimpressão. Porto Alegre: Arts Médicas 1992.





sábado, maio 07, 2016

RODA DE CONVERSA SOBRE SEXUALIDADE E GÊNERO

...continuando nesta manhã, a roda de conversas sobre Sexualidade e Gênero com meus colegas psicólogos do projeto EUPSICO...muito enriquecedor! Gratidão pelo convite para compartilhar um pouco mais da minha experiência como terapeuta, conhecer um pouco mais das questões colocadas pelos colegas e pensarmos sobre este tema em uma construção conjunta!






terça-feira, maio 03, 2016

PÁGINA OFICIAL


...queridos! divulgando aqui minha página oficial, onde diariamente compartilho publicações de interesse em sexualidade e saúde, cursos, eventos, artigos, curiosidades e muito mais...Gratidão! 

PALESTRA "SEXO, GÊNERO E A DIVERSIDADE SEXUAL" PROJETO EUPSICO

Agradeço aos colegas psicólogos do Projeto Social EUPSICO, pelo convite e recepção calorosa, pela riqueza de partilhar as experiências e os questionamentos sobre este tema tão importante em nossa prática clínica diária, que é a Diversidade Sexual... Sábado, tenho certeza que será também especial!






domingo, março 20, 2016

PEREGRINOS OU TURISTAS?




PEREGRINOS OU TURISTAS?

Impossível abrir mão do exercício de pensar! Pensar sobre os fatos e sobre as situações que nos atravessam. E como não seria diferente, temos a capacidade de nos informar e de conhecer. Ora o que isso significa? 

Somos bombardeados por informações que nos chegam minuto à minuto, porém, só se tornam conhecimento a partir das relações de sentido que estabelecemos com estas. Conhecimento é estabelecer relações com as informações apreendidas. Isto nos faz refletir! 

Sendo assim, pensava sobre a explanação de Yves de La Taille, a respeito da formação da ética e sobre os aspectos da pós-modernidade. Deparei-me com a metáfora do Peregrino e do Turista, apresentado por Bauman, e referido por La Taille de modo tão eloquente, que decidi escrever um pouco das reverberações deste encontro. Qual é a postura que adotamos na vida: peregrinos ou turistas? 

Para o peregrino a viagem é existencial, é um ato de fé. O peregrino está buscando modificar a identidade e quando volta da viagem traz em si experiência e aprendizagem. Para ele, o percurso é importante. Ele contempla, faz perguntas e se adapta aos lugares por onde passa. Ele participa da vida dos lugares e tem vontade, sabe querer. O peregrino tem medo de se enganar a si mesmo. 

Para o turista, a viagem existencial não está presente, ela é um ato de consumo. Ele está em busca de alteridade e traz consigo lembranças. Ele não se interessa pelo percurso, mas sua meta é a chegada. Para ele o lugar deve se adaptar a si, e escolhe lugares que lhe sejam iguais. O turista não participa da vida do lugar e se precipita em não ter relações, a não ser instrumentais, com os lugares. Ele espera algo. O turista tem medo de ser decepcionado pelo lugar que ele encontra.

Será está uma questão de escolha? Talvez seja. O fato é que me parece bem interessante tornar-se peregrino, pois este é aquele que silenciosamente busca sua essência, o sentido da vida e da verdade. Vai construindo sua identidade durante o seu difícil percurso existencial. Está em movimento e se apodera de sua vontade. Depara-se com a realidade nua e crua, com fragmentos, que demoradamente ao relacionar-se com estes, torna-se um todo, sentido, o encontro com o “eu”. Sua existência é o percurso e não a chegada. 

Já o turista é aquele que está voltado para fora de si mesmo, em busca de sensações fugazes, voltado aos prazeres ocasionais, ligados ao consumo. Vive o tédio, pois sua meta é a procura de novas sensações que se tornam desinteressantes ao serem experimentadas. O percurso é algo cansativo, pois a ele interessa a chegada e com isso não contempla as paisagens de sua viagem. Assim, ele passa o tempo trocando, de objetos, de sentimentos, de relacionamentos, etc e etc... Tudo lhe é descartável! 

Ora, diante dessa perspectiva entre peregrinos e turistas, cabe pensar com cuidado e em cuidado! O que pode modificar este contexto diluído, frágil e fragmentado? De certo modo, a escolha que fazemos diariamente pode nos apontar caminhos. 

Então, não me parece satisfatório estar aqui como turista, pois sofreremos de tédio, ou seja, teremos uma vida vazia, não suportando o tempo, não fluindo. Para dar conta do vazio, surge a busca pelo divertimento; a busca de algo para ocupar o tempo. Ora, porque não viver feliz não fazendo nada? Ócio criativo...

Finalmente, qual é o sentido de existência? Pense no seu percurso e em suas relações com o mundo, com as coisas, com os lugares e com as pessoas. Talvez esteja exatamente aí, as respostas para as questões. Peregrine e seja participante da vida!

Texto: Mirian Lopes
Foto: Domashnyaya Idilliya

domingo, março 06, 2016

BEIJAR


Beijar...
O beijo e arte...
"Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso!"
Texto: Clarice Lispector
Arte: Leonardo Bistolfi (Italia, 1859-1933) "il sacrificio" (dettaglio) - Altare della Patria - Monumento a Vittorio Emanuele - Roma

AFRODITE



Formosa. 
Esses peitos pequenos, cheios. 
Esse ventre, o seu redondo espraiado! 
O vinco da cinta, o gracioso umbigo, o escorrido 
das ancas, o púbis discreto ligeiramente alteado, 
as coxas esbeltas, um joelho único suave e agudo, 
o coto de um braço, o tronco robusto, a linha 
cariciosa do ombro...


Afrodite, não chorei quando te descobri? 
Aquele museu plácido, tantas memórias da Grécia
e de Roma! 
Tantas figuras graves, de gestos nobres e de 
frontes tranquilas, abstratas... 
Mas aquela sala vasta, cheia, não era uma necrópole. 
Era uma assembleia de amáveis espíritos,
divagadores, ente si trocando serenas, eternas e nunca 
desprezadas razões formais.

Afrodite, Afrodite, tão humana e sem tempo... 
O descanso desse teu gesto! 
A perna que encobre a outra, que aperta o corpo. 
A doce oferta desse pomo tentador: peito e ventre. 
E um fumo, uma impressão tão subtil e tão provocante de pudor, 
de volúpia, de reserva, de abandono... 
Já passaram sobre ti dois mil anos?

Estranha obra de um homem! 
Que doçura espalhas e que grandeza... 
És o equilíbrio e a harmonia e não és senão corpo. 
Não és mística, não exacerbas, não angústias. 
Geras o sonho do amor.

Praxíteles. 
Como pudeste criar Afrodite? 
E não a macerar, delapidar, arruinar, na ânsia de 
a vencer, gozar! 
Tinha de assim ser. 
Eternizaste-a! 
A beleza, o desejo, a promessa, a doce carne...

Texto: Irene Lisboa
Arte: Gérard Daran

O CICLO DE VIDA DOS RELACIONAMENTOS


Texto: Mirian Lopes & Arte: Pascal Chove

Há um ciclo de vida próprio para os relacionamentos amorosos. Os períodos de crises e transições das fases da vida interferem na dinâmica de interações entre os parceiros. Há casais que funcionam bem realizando atividades em comum, porém, sem espaço individual; há outros que se unem na educação de filhos, mas são distanciados enquanto casal; e há casais que preservam seus interesses individuais, enquanto funcionam produtivamente em projetos comuns.

O ciclo de vida do casal começa bem antes da decisão de compartilharem o espaço da conjugalidade. De acordo com Jay Haley, a família de origem de cada um influencia este ciclo, na medida em que desempenha um papel de preparar ou não o individuo para uma vida separada dos pais.

As primeiras experiências amorosas se dão na busca sem preocupação, de um parceiro mais estável, que seja apto e tenha desejo de aceitar algo que o outro também espera resolver: seus conflitos infantis.

A relação que uma pessoa vivencia com sua mãe e seu pai, ou como os percebe enquanto casal poderá influenciar no seu interesse por uma determinada pessoa, embora este interesse pareça um acontecimento aleatório. O apaixonar-se supõe que haja uma reciprocidade e complementaridade das necessidades e anseios da vida a dois.

No ato de apaixonar-se é necessário o reconhecimento do amor. Um dos dois assumirá estar apaixonado na tentativa de estabelecer conexão com o outro. Se há enamoramento mútuo, surgirá a fantasia de unidade, e a tendência à idealização do outro e a evitação de se estar consciente sobre as dificuldades do outro.

A idealização do parceiro tornará difícil o reconhecimento de suas características e necessidades individuais, o que poderá trazer tensões futuras para o relacionamento. A crise se estabelece quando os parceiros percebem a modificação da relação, ou seja, há o reconhecimento de que o parceiro não é exatamente o que pensava-se que ele fosse ou de que ambos não são o que pensavam que fossem.

Assim o sentimento da unidade cede lugar a experiência de divisão, de distanciamento, causando desilusão e frustração. Esta fase termina quando as desilusões são desfeitas e ambos se aceitam como realmente são e o que realmente tem na relação. Os parceiros podem sobreviver a esta fase e alcançar estabilidade com a aceitação um do outro e com negociação das diferenças, resultando em mais espaço para a individualidade, ou pode haver um distanciamento que por fim resulte em separação por não haver mais interesse ou sentido de reinvestimento no relacionamento.

Os parceiros descobrem a capacidade de amar sem odiar o que cada um faz, e a manejar tensões, ceder sem que isso represente perda. Pode haver outro nível de comprometimento com o futuro, onde cada um dedica-se a compartilhar com outras pessoas as experiências adquiridas e a investirem em projetos comuns.

Todavia, há o risco de que esta dedicação faça com que pouca energia seja voltada para o relacionamento. É importante lidar com o “stress” da relação, tolerando mudanças. Este ritmo em lidar com tensões e evoluir nesse processo dependerá das características de cada pessoa e das pressões que a vida exerce sobre a relação.

Quando se reconhece que a relação não deu certo e que há a decisão de separação, haverá o processo de luto pela perda. Quando há a decisão da manutenção da relação, haverá a necessidade de que as magoas sejam trabalhadas para se chegar ao perdão, reconhecendo as dificuldades e responsabilidades da própria mudança, e das necessidades de cada um. Neste sentido, a terapia de casal tem a finalidade de auxiliar os parceiros a lidar com esse contexto encontrando alternativas para manter ou não a relação. O cuidado de si é fundamental nesse processo evolutivo.


SÍNDROME DO PÂNICO




Texto: Mirian Lopes – Arte: Federico Beber

A síndrome do pânico é caracterizada por períodos em que surgem ataques a qualquer momento do dia-a-dia de uma pessoa, na qual ela experimentará o início súbito de medo, terror, apreensão e uma sensação de morte iminente. Ela pode causar de forma lenta, sentimentos genéricos de tensão e desconforto nervoso, e pode aparecer como ataques de ansiedade aguda.

Em geral, estes ataques podem durar de 5 a 20 minutos e em média pode acontecer três ataques no período de um mês. O individuo se preocupa com as consequências do ataque ou pode mudar seu comportamento por causa do ataque.

Os sintomas são: tontura, sensação de insegurança, ou desmaio; palpitações ou frequência cardíaca acelerada (taquicardia); tremor, calafrios; sudorese; sufocação; náuseas ou dor abdominal; despersonalização; rubor; dor ou desconforto torácico; medo de morrer; medo de ficar louco ou de fazer alguma coisa descontrolada (TALBOTT et al, 1992 p. 193)

A síndrome do pânico faz parte dos chamados transtornos de ansiedade, conjuntamente com as fobias (fobia simples e fobia social), o estresse pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo e a ansiedade generalizada.

O tratamento da síndrome de pânico deve contemplar o gerenciamento das crises, a modificação da relação da pessoa com o próprio corpo, a retomada da capacidade de proteção pelo vínculo e a elaboração dos processos afetivos inconscientes que levaram ao pânico.

Para o gerenciamento das crises são utilizadas técnicas respiratórias, reorganização das posturas somático-emocionais de ansiedade, atenção dirigida, entre outras.

Os exercícios com atenção focada e ressignificação das sensações do corpo, o reconhecimento da correlação entre as posturas somáticas e os estados psicológicos, são importantes pois favorecem a intimidade com a linguagem somática que organiza a presença no mundo e ensina a pessoa como influir sobre os seus estados internos e desorganizar os padrões somático-emocionais que mantém a ansiedade e levam ao pânico.

A capacidade de restabelecer e sustentar a conexão profunda nos vínculos, também são trabalhados, ou seja, a pessoa revê sua história de vida, seus relacionamentos, e pode reorganizar os padrões de vinculação em direção a relações mais estáveis que possam oferecer uma rede de confiança e trocas afetivas, essenciais para a superação da síndrome do pânico.

Também é dado o enfoque nas situações causais, na história de vida emocional e no mapeamento das transições, crises existenciais e pressões que estavam em processo quando a síndrome de pânico começou. É fundamental identificar os afetos não elaborados que desencadearam as respostas de desconexão e que levaram à síndrome de pânico.

Em caso de necessidade, o tratamento com antidepressivos, normalmente associados aos ansiolíticos, poderá ser indicado. A técnica de relaxamento respiratório e muscular deve ser aplicada, e que consiste em exercícios de respiração e relaxamento muscular progressivo, onde o paciente exercita padrões com inspiração-expiração profundas e padrões com amplas respirações diafragmáticas, proporcionando-lhe senso de controle sobre o próprio organismo (ANDRADE et al 2005 p-38).

A dessensibilização sintomática é utilizada para levar o paciente a pensar e tentar vivenciar os sentimentos que o levam a desencadear sintomas que geram ansiedade ou submeter-se a uma exposição direta graduada aos objetos ou situações temidas (ANDRADE et al., 2005).

A reestruturação cognitiva também é utilizada para corrigir a má avaliação de sensações percebidas como ameaçadoras. A técnica da distração também pode auxiliar o paciente. Ele poderá se envolver em atividades lúdicas com jogos que exijam atenção ou iniciar uma conversa neutra com alguém.

Ler sobre a síndrome também auxilia o paciente, pois poderá modificar seu comportamento, seus pensamentos ou sentimentos.

Finalmente, há uma estratégia chamada A.C.A.L.M.E-S.E. que são assim descritas: Letra A: Significa aceitar a ansiedade. Letra C: Contemplar as coisas em sua volta em vez de ficar olhando para dentro de si mesmo, deixando acontecer ao corpo o que ele quiser; Letra A: Aja como se não tivesse ansioso. Diminua o ritmo com que faz as coisas, porém, mantenha-se ativo. Letra L: Libere o ar dos pulmões, bem devagar, calmamente, inspirando pouco ar pelo nariz e expirando longa e suavemente pela boca; Letra M: Mantenha os passos anteriores. Letra E: Examine seus pensamentos, pois talvez esteja antecipando coisas catastróficas; Letra S: Sorria, você conseguiu! Merece todo o seu crédito e todo o seu reconhecimento. Letra E: Espere o futuro com aceitação. Livre-se do pensamento mágico de que está livre definitivamente de sua ansiedade. Para prevenir as crises de pânico é necessário atenção para prática de exercícios regulares, boa alimentação, boa relação com as pessoas, e boa capacidade para liberar as tensões, em resumo, cuidado com a qualidade de vida.

ANDRADE, M. F. B.; MACEDO, M. L. M.; GUIMARÃES,R. L. L. Transtorno do pânico: uma visão cognitivo-comportamental. Monografia (Especialização em Psicologia Cognitiva – Comportamental). Faculdades Integradas de Patos. João Pessoa, 2005.

TALBOTT, John et al. Tratado de psiquiatria.. 1ª reimpressão. Porto Alegre: Arts Médicas 1992.

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