MICROFÍSICA DO PODER

(Excertos do livro Microfísica do Poder, de Michael Foucault)




O poder não é um objeto natural, uma coisa. É uma prática social e como tal, constituída historicamente. O que aparece como evidente é a existência de formas de exercício de poder, diferentes do Estado, investigação dos procedimentos técnicos de poder que realizam um controle detalhado, minuncioso do corpo – gestos, atitudes, comportamentos, hábitos, discursos. Os poderes se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social e neste complexo os micropoderes existem integrados ou não ao Estado, distinção que não parece (aprioristicamente alijados). Revolução Francesa – criação e transformação de saberes e poderes – medicina, psiquiatria e sistema penal. O Estado não faz desaparecer a rede de poderes que impera na sociedade. Poder não só como dominação global e centralizada, se pluraliza, se difunde e repercute nos outros setores da vida social homogeneamente, mas tendo existência própria e formas específicas ao nível mais elementar. Os poderes não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura social. O poder não existe, existem práticas ou relações de poder. O poder é algo que se exerce, que se efetua, que funciona. Onde há poder, há resistência. Ele é luta, afrontamento, relação de força, situação estratégica. Ele se exerce, se disputa. Definição de poder (filósofos do séc. XVIII) como direito originário que se cede, se aliena para constituir a soberania e que tem como instrumento privilegiado o contrato, teorias que em nome do sistema jurídico criticarão o arbítrio real, os excessos, os abusos de poder. Poder, violencia legalizada. A idéia básica de Foucalt é mostrar que as relações de poder não se passam fundamentalmente ao nível do direito, nem da violência, nem são basicamente contratuais, nem unicamente repressivas. O poder possui uma eficácia produtiva, uma riqueza estratégica, uma positividade. Problema de uma relação específica de poder sobre os indivíduos enclausurados que incidia sobre seus corpos e utilizava uma tecnologia própria do controle. Poder disciplinar – métodos que permitem o controle minuncioso das operações do corpo, que asseguram a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade. É o diagrama de um poder que não atua do exterior, mas trabalha o corpo dos homens, manipula seus elementos, produz seu comportamento, enfim fabrica o tipo de homem necessário ao funcionamento e manutenção da sociedade industrial-capitalista. Disciplina: controle do tempo, vigilância, olhar invisível. Ao mesmo tempo que exerce um poder, produz um saber. O poder é produto da individualidade. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. Todo saber é político. Todo saber tem sua gênese em relações de poder. Todo ponto de exercício do poder é ao mesmo tempo um lugar de formação do saber. O saber é dotado de determinado poder.

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