segunda-feira, fevereiro 28, 2011

A FLOR DO SONHO

Florbela Espanca



A Flor do Sonho, alvíssima, divina,

Miraculosamente abriu em mim,

Como se uma magnólia de cetim

Fosse florir num muro todo em ruína.



Pende em meu seio a haste branda e fina

E não posso entender como é que, enfim,

Essa tão rara flor abriu assim! ...

Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...



Ó flor que em mim nasceste sem abrolhos,

Que tem que sejam tristes os meus olhos

Se eles são tristes pelo amor de ti?!...



Desde que em mim nasceste em noite calma,

Voou ao longe a asa da minh'alma

E nunca, nunca mais eu me entendi...

LITERATURA

"A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio." (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. 2. ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. p. 9-10)

domingo, fevereiro 27, 2011

O AMOR

Carlos Drummond Andrade



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração para de funcionar

por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da

sua vida.



Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso

entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o

dia em que nasceu.



Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos

encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.



Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de

ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um

presente divino: o amor.



Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca

receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais

que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.



Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a

outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las

com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer

momento de sua vida.



Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela

estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda,

mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos

emaranhados...



Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que

está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira

nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...



Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim,

tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir

morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma

dádiva.



Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou

encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem

atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer

verdadeiramente.



É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as

loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

SE FAZ ASSIM...

A beleza é inspiração para a alma do artista!


Você é expressão de uma rara beleza que me inspira!

Consegue trazer para minhas mãos a chave da criação,

Da emoção e do desejo de continuar vivendo,
De continuar amando o que há de tão sublime na vida!

E torna possível a forma e a cor das palavras

Que em mim estão a nascer!

Isto se faz assim, em tua presença...











quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Transexualismo não está ligado a personalidade psicótica

Por Rafaela Carvalho - rafaela.souza.carvalho@usp.br

Publicado em 10/fevereiro/2011
Editoria : Sociedade

Psicanalistas que se pautavam na teoria lacaniana desenvolvida nos anos 1950 associavam o transexualismo à personalidade psicótica. A perda da noção da realidade do corpo faria com que um homem se enxergasse mulher e vice-versa. Porém, uma pesquisa apresentada ao Instituto de Psicologia (IP) da USP aponta para um outro caminho. Segundo o estudo, a vontade de ser do sexo oposto não implica necessariamente uma patologia ou uma disfunção de percepção da aparência, mas uma singularidade de algumas pessoas.

Muitas vezes, o transexual aceita seu corpo, mas se porta como o sexo oposto O psicólogo Rafael Cossi, autor da pesquisa, trabalhou com diferentes noções da psicanálise lacaniana para tentar explicar por que algumas pessoas buscam viver suas vidas como se fossem do sexo oposto. Seu objetivo era contrapor o ponto de vista lacaniano mais corrente, que julgava que a psicose era condição para o transexualismo.

Funcionamento normal da mente

Baseando-se em seis biografias de pessoas transexuais, o pesquisador trabalhou quatro conceitos para explicar a condição de uma pessoa com esse perfil: o estágio do espelho; o verleugnung (do alemão, “renegação” ou “desmentido”); o semblante; e o sinthoma. Todos estão vinculados ao funcionamento comum da mente humana e não se relacionam com a noção de verwerfung — condição psicótica que, traduzida do alemão, significa “rejeição”.

O estágio do espelho está relacionado à formação inicial do ego da pessoa. Segundo Cossi, é nessa fase que a mente forma uma imagem antecipada do corpo, mesmo que não exista uma noção totalizante de como ele é. No caso de transexuais, há momentos, no início da vida, em que a criança percebe que o tratamento que ela recebe do outro não é, sob o seu ponto de vista, coerente com o seu sexo. “O comportamento e a atitude de outras pessoas, neste momento precoce da vida, contribuem para moldar o psiquismo de cada um. Às vezes, há hesitações por parte do outro, não confirmando para a criança que ela pertence ao sexo que o seu corpo indica”, explica o psicólogo.

A noção de verleugnung implica negar a presença de algo, mesmo reconhecendo sua existência. No transexualismo, a pessoa tenderia a desmentir sua realidade física. “O transexual não alucina que seu corpo é o do outro sexo. Ele o reconhece de fato como é, mas nega isso e recorre à realização de intervenções hormonocirúrgicas, como meio de adequar sua anatomia à sua identidade sexual”, diz Cossi. O semblante, terceiro conceito que o autor sustenta, diz respeito à noção de aparência. “O transexual faz o semblante de que existem personalidades masculina e feminina claramente definidas e incorpora rigidamente uma delas. Por meio dessa atitude, o transexual quer se mostrar como uma mulher legítima presa em um corpo de um homem ou vice-versa. A encarnação deste estereótipo é condição fundamental para que o transexual possa ser reconhecido como tal e lhe seja permitido realizar a cirurgia de mudança de sexo”, aponta o pesquisador.

 
Por fim, segundo Cossi, o conceito de nome sinthoma é útil porque reconfigura, a partir dos anos 1970, a clínica psicanalítica lacaniana, esvaziando seu caráter patologizante. O psicólogo diz que os casos de transexualismo não devem ser encaixados automaticamente em padrões que, inevitavelmente, condenam os sujeitos que não se enquadram no modelo heterossexual ao campo da patologia. “Devem ser estudadas as peculiaridades das pessoas e conduzir tratamentos específicos em direção à singularidade de cada um.”

Cirurgia plástica

Tratar o transexualismo como uma singularidade de cada pessoa, segundo Cossi, é entender a personalidade de cada uma delas e fugir dos estereótipos. “Transexual não é apenas a pessoa que solicita a cirurgia de mudança de sexo. Há homens que vivem como mulheres e mulheres que vivem como homens mesmo com o órgão sexual oposto. Eles lidam bem com isso e sentem que não precisam fazer a cirurgia. Para muitos deles, sua redesignação civil, a mudança de nome, já lhes é suficiente, assim como o reconhecimento e o respeito do outro.”

A dissertação de Mestrado Transexualismo, psicanálise e gênero: do patológico ao singular foi apresentada ao Instituto de Psicologia em 19 de maio de 2010 e teve orientação da professora Maria Lucia de Araujo Andrade.


Mais informações: email rkcossi@hotmail.com

Terapias cognitivas

Publicado em 15/fevereiro/2011
Editoria : Cursos e palestras

Estão abertas as inscrições para o Curso de Especialização em Terapias Cognitivas, do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP. As inscrições vão até o dia 31 de março. O curso faz parte do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria (IPq), do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

O objetivo da atividade, voltada para psicólogos e médicos, é desenvolver conhecimentos práticos relativos às abordagens cognitivas da psicoterapia, habiltando os alunos para a prática clínica e ambulatorial. O curso, que tem início no dia 15 de abril, possui 35 vagas, carga horária de 500 horas e custa R$750,00. As inscrições devem ser feitas pelo telefone: (11) 3069-6975

Mais informações: www.ambulim.org.br, email cursosambulim@gmail.com





Site disponibilizará conteúdo validado sobre brinquedos

Por Glenda Almeida - glenda.almeida@usp.br

Publicado em 15/fevereiro/2011
Editoria : Saúde

O brinquedo aproxima enfermeiro e criança, gerando relação de confiança e colaboraçãoNo segundo semestre de 2011, um site irá disponibilizar gratuitamente na internet informações validadas e refinadas sobre as formas mais adequadas de utilização dos brinquedos em hospitais, a fim de divulgar o brincar como estratégia de cuidado na área da pediatria. A eficácia do uso de brinquedos para diminuir o sofrimento e evitar traumas em crianças hospitalizadas tem se tornado cada vez mais conhecida entre os profissionais da área de saúde. Como conta Amparito Vintimilla Castro, autora da tese que validou o conteúdo, “enfermeiros, outros profissionais da saúde e até mesmo os pais vão poder consultá-lo, para encontrar instruções, curiosidades e conceitos sobre essa ferramenta de comunicação com as crianças”.

Para julgar esse conteúdo a respeito do uso do brinquedo, Amparito utilizou o método conhecido como Delphi. Ela explica que para aplicar a técnica, o primeiro passo foi selecionar peritos ou juízes no assunto, ou seja, especialistas que possuíssem algumas características que os capacitasse para tal. Como pretendia ser bastante criteriosa em seu estudo, considerando a relevância do tema, Amparito aplicou o método duas vezes, obtendo uma alta concordância entre os juízes, fazendo com que as informações fossem validadas e refinadas.

Segundo as conclusões de Amparito, um enfermeiro pediátrico deve estar capacitado a detectar as necessidades da criança e perceber que o brinquedo é o meio de comunicação mais “eficaz”, que serve para diversos fins. De acordo com o estudo, essa ferramenta possibilita que o enfermeiro cuide melhor da criança hospitalizada, especialmente no que diz respeito às situações novas e limitadoras. Como diz a pesquisadora, essas situações são “potencialmente ansiogênicas”, ou seja, geram muita ansiedade.

Brinquedo terapêutico

Para aliviar a tensão da criança, o brinquedo pode ser usado com objetivos recreacionais, ou mesmo com objetivos específicos, como os do “brinquedo terapêutico”. “Usar o brinquedo nunca é perda de tempo, muito pelo contrário, o profissional ganha tempo e cria um vínculo com a criança. Significa conquistar e ganhar a confiança dos pequeninos”, ressalta a autora do trabalho, realizado na Escola de Enfermagem da USP.

 
Explicações sobre os brinquedos chamados “terapêuticos” aparecem como conteúdo validado no estudo. De acordo com Amparito, esse tipo de brincadeira é capaz, dentre outros objetivos, de atuar como uma válvula de escape e facilitar as funções biológicas. Além disso, pode servir para instruír e ensinar a criança sobre o que está acontecendo em seu corpo, ou seja, é capaz de ter finalidades instrucionais e educativas. “No caso de profissionais que tem como paciente uma criança com problemas respiratórios, brincadeiras com bolinhas de sabão, por exemplo, seriam muito adequadas”, explica a pesquisadora.

As crianças podem entender seu corpo por meio dos brinquedos, uma ferramenta eficiente de comunicação

Simbólico e simples

Dessa forma, a utilização de brinquedos pode auxiliar enfermeiros a instruir a criança a respeito dos sintomas da doença da qual sofre, sobre as cirurgias pelas quais passou ou vai passar, e até mesmo a respeito de outros processos relacionados à terapêutica. “Se uma criança sofre de diabetes, precisamos dizer o que isso significa para ela e a necessidade da aplicação da insulina. Isso a fará entender o que está acontecendo e que ela passe a colaborar com seu próprio cuidado”, destaca Amparito. “Os brinquedos representam essa forma simples e simbólica de explicação, por meio da qual uma célula do corpo humano consegue ser entendida e representada por uma casinha de brinquedo, e a insulina, transformada em carrinho que leva os alimentos em forma de açúcar através da abertura da porta dessa casinha, transformando-se em nutrientes que o organismo precisa”, completa.

Na opinião da pesquisadora, a humanização das práticas nos hospitais é mais que essencial para alcançar excelentes resultados. “O brincar significa humanização da assistência, que pode ser associado e equilibrado com os avanços técnicos, ambos importantes no cuidar. Além disso, os profissionais da saúde podem aprender junto aos pacientes as melhores maneiras de se comunicarem e de criarem um vínculo de amizade. É estando mais próximos das crianças que passamos a perceber e entender melhor suas necessidades, assim como o medo e as dificuldades que enfrentam durante a hospitalização. É a partir daí que podemos apresentar possibilidades de alívio de tensão, de diversão, de compreensão e alegria em meio a dor”, conclui a enfermeira.

A tese de Amparito Validação de conteúdo de sítio virtual sobre uso do brinquedo na enfermagem pediátrica, foi orientada pela professora Magda Andrade Rezende.

Mais informações: (11) 9738-7699, (11) 3069-8941, email amparito@ig.com.br

Transtornos de aprendizagem

Publicado em 16/fevereiro/2011

O professor Fernando César Capovilla, do Instituto de Psicologia (IP) da USP lançou o livro Transtornos de Aprendizagem: Progressos em Avaliação e Intervenção Preventiva e Remediativa – Novo Paradigma de Alfabetização de Ouvintes, Surdos, Cegos, SurdoCegos.


A publicação é o primeiro de uma série de 20 livros todos organizados pelo professor Fernando César Capovilla, docente do Departamento de Psicologia Experimental do IP. O livro faz revisão etimológica da taxonomia dos fenômenos de linguagem oral e escrita e de sinais, e implementa novo sistema de variáveis (substituindo nominais e ordinais por intervalares) para permitir regulagem fina dos parâmetros de controle experimental e estatístico, aumentando a validade das avaliações e a eficácia das intervenções na área.



O projeto faz parte do Programa Observatório da Educação em parceria com a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessonal de Nivel Superior (Capes) e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), do governo federal, que que visa ao desenvolvimento de estudos e pesquisas na área de educação.


Mais informações: email ipcomunica@usp.br



ANALÍTICS