quarta-feira, março 25, 2015

DUALIDADE E NÃO-DUALIDADE - AQUARELA E SATURAÇÃO DIGITAL






"O desenho é captura da memória. É uma sutileza do espírito. Uma via singular por onde transitam significados". Mirian Lopes


Encontrei um lindo texto que expressa bem o sentido da não-dualidade. São excertos de "A não-dualidade" de Lama Yeshe  (http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=43).


"O que significa o termo "não-dualidade"? Todos os fenômenos existentes, sejam eles considerados bons ou maus, são por natureza transcendentes a dualidade, transcendentes as nossas falsas discriminações. Nada do que existe acontece fora da não-dualidade. Em outras palavras, todas as energias existentes nascem dentro da não-dualidade, funcionam dentro da não-dualidade e, por fim, desaparecem na natureza da não-dualidade. Nós nascemos nesta Terra, vivemos e desaparecemos sempre dentro do espaço da não-dualidade. Trata-se de uma verdade simples e natural e não de uma filosofia fabricada pelo Buda Maitreya. Estamos falando sobre fatos concretos e sobre a natureza fundamental da realidade, nem mais nem menos. 

Se quisermos compreender o Mahamudra, é essencial que desenvolvamos a habilidade da arte da meditação. Mas para meditar adequadamente, devemos ouvir primeiro uma exposição perfeita do assunto. Isso nos dará uma compreensão exata e precisa do objetivo da meditação. Se tivermos a clara intenção de por em prática essas explicações sobre a meditação, então o mero fato de ouvir os ensinamentos torna-se uma poderosa experiência, em vez de alguma espécie de "viagem" intelectual superficial. 

Compreender que a mente dualista, perdida em falsas discriminações, e a origem do sofrimento sem começo nem fim da própria pessoa e dos outros, é ter uma visão intuitiva verdadeiramente valiosa que irá modificar profundamente a qualidade de nossa vida diária. 

A mente dualista é contraditória por natureza. Ela estabelece um dialogo interior que vem perturbando a nossa paz. Estamos sempre pensando: "Talvez isto, talvez aquilo, talvez qualquer outra coisa" - e assim por diante. O pensamento dualista perpetua o conflito dentro da nossa mente. Ele nos torna agitados e profundamente confusos. Quando chegamos a conclusão de que essa confusão é o resultado de urna mente condicionada pela visão dualista da realidade, então poderemos fazer alguma coisa a respeito. Até lá, será impossível lutar contra o problema, porque não identificamos corretamente sua verdadeira causa. Não é suficiente tratar apenas dos sintomas. É claro que devemos erradicar completamente a origem dos nossos problemas, se quisermos ficar verdadeiramente livres deles.

Na medida em que a nossa compreensão e o nosso conhecimento do Mahamudra se aprofundam, compreendemos que o modo como as coisas nos parecem é uma mera projeção da nossa mente. Por exemplo, não se trata da questão de se Madison, Wisconsin, existem ou não, mas se o modo como os vemos de fato existe ou não. Deve ficar claro que isso difere da visão niilista, que afirma que nada existe. Estamos apenas procurando ter uma visão correta da realidade. 

Para esclarecer ainda mais este ponto, podemos investigar as fantasias que projetamos sobre os nossos amigos e sobre as pessoas com quem convivemos ou que encontramos diariamente. Nossa mente dualista projeta uma máscara de atração ou de rejeição sobre a imagem mostrada por todas as pessoas que encontramos, ocasionando o aparecimento de reações de desejo ou de aversão, que matizam nossas atitudes e o nosso comportamento com relação a essas pessoas. E começamos a discriminar: "Ele é bom" ou "Ela é má". Se essas atitudes rígidas e preconceituosas já impossibilitam a comunicação adequada com nossos amigos mais íntimos, o que dizer da comunicação com a profunda sabedoria de um ser iluminado, de um Buda? 

Se investigarmos persistentemente as maquinações interiores da mente, seremos finalmente capazes de mudar nossa maneira habitualmente rígida de perceber o universo e de deixar espaço e luz dentro da nossa consciência. Com o tempo, teremos um discernimento do que significa, na verdade, a não-dualidade. Nessa altura, deveríamos simplesmente meditar sem manter pensamentos intelectuais ou discursivos. Com forte determinação, devemos apenas deixar a mente meditar intencionalmente sobre a visão da não-dualidade, além de sujeito/objeto, do bom/mau e assim por diante. A visão da não-dualidade pode ser tão vívida e poderosa que quase julgamos poder alcançá-la e tocá-la. É muito importante matizar a mente apenas com essa nova experiência de alegria e luminosidade, sem buscá-la através de análise. Devemos compreender diretamente que a não-dualidade é a verdade universal da realidade. Ao dirigir nossa mente ao longo do caminho do dharma, é melhor não esperar demais logo no começo. O caminho é um processo gradual que deve ser percorrido passo a passo. Antes que alguém possa seguir práticas que tragam resultados rápidos e profundos, há outras técnicas preparatórias que devem ser realizadas. [...]"

DAS ÁGUAS: RETRATANDO ANNA - AQUARELA E SATURAÇÃO DIGITAL


"Desenhar  é uma arte que nos coloca em suspensão, nos conduz por caminhos incríveis, a expressão da alma." Mirian Lopes


Desenho

Traça a reta e a curva,
a quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.

Cecília Meireles

segunda-feira, março 23, 2015

OLHAR E VER


OLHAR E VER
Mirian Lopes


Sair pela cidade, perceber as cores, luz e sombra, as formas, o som, o silêncio, o ruído, o movimento da vida acontecendo dentro e fora das janelas: a janela do vagão que percorre os trilhos; a janela da alma, dos olhos que se colocam a procurar sentidos. O que passa lá fora, pela janela do vagão: imagens tão rápidas ou tão lentas, a vida que imprime movimento. Pessoas que esperam chegar em algum lugar; pessoas que não sabem para onde estão indo; pessoas que nada esperam; pessoas em movimento; pessoas estáticas enquanto a vida se move. Olhos que se encontram e nada dizem; olhos que perturbam e invadem a alma; olhos abertos que nada veem fora de si; olhos que veem tudo dentro de si. A estação que recebe todas as direções, pessoas que chegam; pessoas que partem; pessoas que esperam por algo ou alguém, que passam por ali, que falam sozinhas, palavras ao vento; pessoas que se silenciam diante do cenário: a vida. Caminhos, sinais, protocolos, sincronias, abraços, sorrisos, direções, um texto a ser escrito. Sabores, burburinho, vozes, doçura em um prato a ser degustado, compartilhado em dois hemisférios, o sensorial e o emocional, sentidos pulverizados em cada esquina, em cada face, o prazer de viver. O tempo marcado pelo ponteiro do relógio, o tempo da existência descontinuado, infinito, que se sente pelas ideias, pelo encontro de experiências, pela alegria do acolhimento e da compreensão. A entrada pelo corredor, a acomodação confortável diante do palco onde todas as possibilidades se fazem presentes, onde as luzes acendem nuances multicoloridas seguidas de uma trilha sonora impactante, em um só momento: um enredo que se desenrola através dos corpos, da entrega de artistas que constroem sentidos. A beleza dos corpos, a entrega, a coragem de despir-se de si mesmo, e despir-se aos olhos de outros; a força que vem da alma e se expressa pelos espaços, produzindo sensações: a transformação daquele que olha e realmente vê. A sensibilidade de agora. A arte conversa comigo, uma longa conversa, intensa. O tempo é de transição, de descoberta, e provoca reflexões, e faz flutuar, e faz lembrar a sensação de ser criança. Tudo parece recortado de beleza e magia. Algo que nos arrebata, e nos leva a falar coisas do coração, ainda sem saber exatamente o que acontece aqui do lado de dentro. Olhar e ver, de modo diferente, o que surge diante de nós. É delicado, é bom: a emoção, a inquietação, a alegria que se mistura com lágrimas, e que se misturaram com poesia. Esta mesma inquietação que faz escrever, desenhar, cantar, dançar, amar, conhecer um pouco de cada coisa e tudo ao mesmo tempo: uma linda metáfora, metamorfose. Dormirei após escrever, ainda bem, aprecio papel e lápis. A possibilidade de ver a vida acontecendo aqui e acolá. Gosto de senti-la, de vê-la assim e assim, como ela é de fato. Ah, vida! Há coisas que ouvimos dizer e outras vamos compreendendo o sentido através do experimentar. Ouvia falar: o que será Presença? Um dia entendi o sentido. Considerava o termo tão comum, tão igual aos outros termos. Porém, em um tempo comecei a ver diferente e entendi a amplitude de Presença. Enquanto caminhava pela cidade, ora sob as árvores, ora sob o Sol, a ouvir o crepitar das folhas, compreendi o sentido de Presença: era algo mais do que a materialidade, era a essência. Passamos pela vida sem prestar atenção nas presenças que nos cercam, na forma como se desvelam para nossos olhos, aquela natural... Não nos damos conta da vida como ela é. Até que de repente, acordamos de um longo adormecimento, entorpecimento, e começamos a ver claramente o que está ali diante de nós. Olhar e ver, é desfazer-se de um olhar vítreo que esta a mirar e nada enxerga. Compreende? Há profundidade nas coisas e estamos habituados a ficar na superfície. Olhar e ver, é cada vez mais, ir além de seus limites; é estar disponível para observar, para tentar compreender o que surge. É estar despido de preconceitos; é ter um distanciamento para capturar o todo; é romper com as velhas formas de um contexto; é mover-se em direção à...

segunda-feira, março 16, 2015

MUDE - EDSON MARQUES




Mude

Edson Marques



Mas comece devagar, porque a direção

é mais importante que a velocidade.

Mude de caminho, ande por outras ruas,

observando os lugares por onde você passa.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Descubra novos horizontes.


Não faça do hábito um estilo de vida.


Ame a novidade.

Tente o novo todo dia.

O novo lado, o novo método, o novo sabor,

o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

Busque novos amigos, tente novos amores.

Faça novas relações.

Experimente a gostosura da surpresa.

Troque esse monte de medo por um pouco de vida.

Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.


Mude.

Dê uma chance ao inesperado.

Abrace a gostosura da Surpresa.


Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.


Lembre-se de que a Vida é uma só,

e decida-se por arrumar um outro emprego,

uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,

mais digno, mais humano.

Abra seu coração de dentro para fora.


Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.


Exagere na criatividade.

E aproveite para fazer uma viagem longa,

se possível sem destino.

Experimente coisas diferentes, troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,

mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,

o movimento, a energia, o entusiasmo.


Só o que está morto não muda!

domingo, março 15, 2015

"O BANHO" - Óleo, de Alfred Stevens



"O Banho" - Óleo - de Alfred Stevens

"Poesia, perfume, harmonia.
Descanso, prazer e silêncio.
Encontro, momento, viagem.
O banho, a pele, o som." Mirian Lopes

DESENHO: "MIRANTE"




MIRANTE

Mirian Lopes

Sobre o som do coração...dei asas para a imaginação. Meus dedos, minhas mãos sobre o papel, a dançar, a trazer uma imagem...aquela que vem da alma. Ouvi dizer: "Os barquinhos no horizonte são fruto do que almeja essa pequena ilha, uma relação de amor, onde o mirante somos nós". De fato, somos universo, somos o que sonhamos, o que desejamos ser, a infinita expressão de sentidos...Daqui, olho e vejo o beijo do Céu no Mar...uma linha ampla para ser escrita, desenhada, cantada, contada...Mirante, mirantes.


DESENHO: "O ARTISTA E SEU TEMPO"



O desenho, um prazer que me acompanha; o fazer artístico que alegra e ilumina, agora acorda para criar caminhos. Retratando Gabriel Rufo, "O Artista e seu tempo", é meu presente para este artista sensível e talentoso que brilha com sua arte em cerâmica, literária, musical, visual entre tantas outras formas de expressão...Brilhe... Brilhe como uma estrela-guia...nós aqui, celebramos... Mirian Lopes.

ANALÍTICS