quinta-feira, dezembro 02, 2010

Antirretroviral pode reduzir risco de contrair vírus da aids

Um estudo internacional com a participação de 11 centros de pesquisas, entre eles a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), revelou que o uso da pílula Truvada, uma combinação de dois antirretrovirais já existentes — o tenofovir e o entricitabina – pode reduzir em até 73% o risco de se contrair o vírus HIV.

Participaram do estudo 2.499 voluntários que foram avaliados durante 3 anosOs resultados da pesquisa foram divulgados no dia 23 de novembro, após a publicação do artigo científico no periódico The New England Journal of Medicine, e representam um grande avanço na prevenção da Aids em todo o mundo.

Além de três centros de pesquisas brasileiros (USP, Fiocruz e UFRJ), o estudo foi conduzido por instituições do Equador (Guaiaquil), Peru (Lima e Iquitos), África do Sul (Cidade do Cabo), Estados Unidos (São Francisco e Boston) e Tailândia (Chiang Mai).

Participaram do estudo 2.499 voluntários, grupo composto por homens, travestis e transsexuais femininas, que tinham como parceiros sexuais pessoas do sexo masculino. Os participantes foram avaliados por um período de três anos. Os voluntários foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu o antirretroviral e o segundo, placebo. Eles foram orientados a tomar uma dose diária do comprimido. Além disso, ambos os grupos foram aconselhados a adotar medidas preventivas e receberam preservativos, testes mensais para detecção do vírus e tratamento para DSTs.

Resultados

No grupo que recebeu o antirretroviral, foi detectada redução geral de 44% no risco de infecção. Os pesquisadores levaram em conta, nesta avaliação, todos os voluntários deste grupo, independente de terem tomado diariamente a medicação, conforme a recomendação inicial. Para participantes com mais de 50% de adesão aos comprimidos a eficácia foi de 50%. Para os que relataram mais de 90% de adesão à medicação a proteção chegou a 73%.

“O uso de medicamento em associação com medidas já bem estabelecidas de prevenção conferiu proteção adicional significativa contra infecção por HIV aos participantes”, ressalta o infectologista da FMUSP, Esper Kallás, um dos autores da pesquisa. O estudo concluiu que as intervenções de aconselhamento, redução de risco e distribuição de preservativos e gel tiveram impacto na redução do número de parceiros e aumento do uso de preservativos.

Durante o estudo, foram identificadas 64 infecções por HIV no grupo placebo e 36 no grupo medicamento. A equipe de pesquisadores da USP alerta, porém, que não é possível generalizar esses resultados a outros grupos de pessoas, tais como heterossexuais, adolescentes e mulheres. Para esses grupos, outros estudos de profilaxia pré-exposição estão em andamento.

Mais informações: (11) 3078-2356, na Assessoria de Imprensa da FMUSP

Notícia extraída do site http://www.usp.br/agen/?p=42907

domingo, novembro 21, 2010

FORMAS DE EXPRESSÃO DO MOBBING

As informações a seguir foram extraídas do artigo: Liliana Andolpho Magalhães Guimarães, Adriana Odalia Rimoli. “Mobbing” (Assédio Psicológico) no Trabalho: Uma Síndrome Psicossocial Multidimensional. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 183-192 - Universidade Católica Dom Bosco.  Disponível no link  http://www.assediomoral.org/IMG/pdf/Mobbing_conceitos.pdf

GRUPOS DE AÇÕES MECANISMOS

Manipulação da comunicação da vítima

- Negação de informação relativa ao posto de trabalho, como as funções e responsabilidades, os métodos de trabalho: a quantidade, qualidade e prazos do trabalho a ser realizado.

- Comunicação hostil explícita, com críticas e ameaças públicas.

- Comunicação hostil implícita, como o não dirigir palavra, ou negar cumprimento.

Manipulação da reputação da vítima

- Realização de comentários injuriosos, com ridiculizações públicas, relativas ao aspecto físico ou às idéias ou convicções políticas ou religiosas.

- Realização de críticas sobre o profissionalismo da vítima.

- Assédio sexual da vítima.

Manipulação do trabalho da vítima

- Aumento da sobrecarga de trabalho.

- Atribuição de trabalhos desnecessários, monótonos ou rotineiros.

- Atribuição de tarefas de qualificação inferior à da vítima (shunting).

- Atribuição de demandas contraditórias ou excludentes.

- Atribuição de demandas contrárias aos padrões morais da vítima.

- Não atribuição de tarefas.

- Negação dos meios de trabalho.

Manipulação das contrapartidas laborais

- Discriminação no salário, nos turnos, jornada ou em outros direitos.

- Discriminação quanto ao respeito, o tratamento ou no protocolo.

MOBBING: O QUE É?

Atualmente, observa-se comportamentos de pessoas, nas organizações, que tendem a uma prática de violência invisível, denominada Mobbing. O termo ainda é pouco conhecido e é importante que mais pessoas se conscientizem deste assunto, com a finalidade de se evitar danos que este tipo de violência pode causar para saúde dos trabalhadores e para o ambiente de trabalho.

De acordo com MOURA 2008, Mobbing é um termo inglês to Mob, e significa maltratar, atacar, perseguir, tumultuar, importunar e assediar. Este termo pode ser definido como assediar por interesse, admiração, ataque ou para importunar (TROMBETTA, 2005).

É toda e qualquer conduta que caracteriza comportamento abusivo, freqüente e intencional, através de atitudes, gestos, palavras ou escritos que possam ferir a integridade física ou psíquica de uma pessoa, colocando em risco seu emprego ou degradando seu ambiente de trabalho. Constitui-se como uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização.

A vítima é estigmatizada e isolada do grupo, enquanto gradativamente enfraquece e se desestabiliza, chegando ao adoecimento físico e psíquico com risco de causar morte.

A intenção do Mobbing é neutralizar as ações da vítima em termos de poder. Trata-se e um processo disciplinador podendo ocorrer agressões físicas e levar à despersonalização do individuo acarretando para sua vida prejuízos biopsicossomáticos.

O Mobbing pode ser praticado de forma ascendente – um superior é agredido por subordinados, ou horizontal, o assédio ocorre entre colegas de um mesmo nível hierárquico, e o mais comum, o descendente – a pessoa que detém o poder utiliza-se desse comportamento para minar a esfera psicológica do trabalhador assediado, com a intenção de se destacar frente aos subordinados para manter sua posição hierárquica (GUIMARAES, RIMOLI, 2006).

Ele é praticado no trabalho e tem como objetivo intimidar, diminuir, humilhar, amedrontar, consumir emocional e intelectualmente a vitima, além da tentativa de elimina-la da organização ou simplesmente pelo desejo de agredir, controlar e destruir.

“Ambiciosos e invejosos, os agressores procuram aproveitar-se do trabalho alheio, sugando energias e realizações de outros para montarem uma pseudo-imagem de si próprios: verdadeiros “salvadores da pátria”, os “guardiões das organizações” (HELOANI, 2004).

Em muitos casos, as vitimas não são pessoas frágeis, apresentam personalidade, são sinceras e questionadoras e sabem se posicionar. Por não se curvarem a um superior sem motivos claros, tornam-se vitimas dessa violência (HELOANI, 2004).

As ações praticadas são: o corte da comunicação com a pessoa atacada, ou seja, negam-se informações de trabalho relativas à quantidade, qualidade e prazos. A comunicação que permanece é hostil podendo ser implícita e explicita. Outra forma de segregar o sujeito do grupo consiste em tentativas de denegrir a sua reputação, através de comentários maldosos, à opção politica, religiosa, sexual ou aspecto físico. Esta fase dura de 1 a 3 anos e serve para estigmatizar a vitima com o consentimento e participação ativa ou passiva do meio (GUIMARAES, RIMOLI, 2006).

Por fim, ocorre a manipulação do trabalho da vitima em que se coloca a prova sua dignidade profissional, aumentando a sobrecarga do trabalho e a retirada de tarefas e instrumentos de trabalho, demanda de tarefas de qualificação inferior ou superior com seu cargo e capacidade, ordens contraditórias, diminuição no salario, nos turnos, entre outros direitos. Isto ocorre em ambientes profissionais onde a politica interna é permissiva ou omissa. Caso não haja uma intervenção, o assedio toma proporção considerável resultando em afastamentos por doenças, licenças , abandono de emprego e até mesmo suicídio.

É preciso conscientizar pessoas sobre a necessidade de uma convivência em grupo, mais solidária e mais justa, de modo a coibir essas práticas. É preciso buscar  o respeito e a dignidade humana, nos ambientes profissionais.  A implatação de ações práticas nas organizações de trabalho que visem uma maior qualidade de vida dos profissionais, poderá previnir e reparar o mobbing.


MOURA, A.P.M O mobbing nas organizações de trabalho. TCC de psicologia. Universidade do Vale do Itajaí, 2008

 
GUIMARAES; L.A.M.; RIMOLI,A.O. Mobbing - Assedio Psicologica no trabalho: uma síndrome psicossocial multidimensional. Psicologia: teoria e pesquisa. Brasilia v. 22, 2, 2006.


HELOANI, J.R.M. Violência invisível. RAE Executivo. São Paulo, v.2. n.3, 2003.


HELOANI, R. Assédio moral – um ensaio sobre a expropriação da dignidade no trabalho. RAE Executivo. São Paulo, v. 3, n. 1, Art. 10, jan./jun. 2004.

TROMBETTA, T. Características do assedio moral a alunos-trabalhadores nos seus locais de trabalho. Florianópolis, 2005, 122f. Dissertação de Mestrado em Psicologia. UFSC.

domingo, novembro 14, 2010

O FATOR HUMANO NA GESTÃO

Fernando Cyrino


Um olhar cuidadoso e diferenciado da liderança da organização sobre o fator humano é chave para o sucesso na gestão.

Liderar projetos não é algo simples. Não basta ter competências técnicas atualizadas, visão do negócio e clareza do que queremos. Caso não se coloque um olhar cuidadoso e especial sobre as pessoas envolvidas é provável que ocorram problemas. É o que tenho visto não poucas vezes em todos os tipos de organização. Mesmo a instituição ou empresa contando com sofisticada e atual tecnologia, tendo gente técnica altamente especializada e havendo dinheiro disponível, os problemas, quando não se cuida do fator humano, teimam em aparecer.

É claro que tecnologia, provisão orçamentária, bons equipamentos e ferramentas, são todos absolutamente necessários. São a ficha inicial para se entrar no jogo e sem estes não se irá a lugar algum. Só que a partida é jogada por gente, e aí, caso as pessoas não estejam com as suas competências atualizadas, motivadas e totalmente comprometidas com os resultados, prepare-se para lidar com os problemas que irão acontecer no caminho ou no final da estrada.

Um olhar cuidadoso e diferenciado da liderança da organização sobre o fator humano é chave para o sucesso na gestão. Por isto, além da atenção necessária com a área técnica e financeira é imperioso que se reserve também uma atenção toda especial para a questão gente na condução de projetos.

Não é raro que se pense que é o dinheiro o grande fator mobilizador das pessoas na busca da realização. Não é bem assim. Tenho certeza de que conhecem muita gente que se empenha além do fator monetário. A remuneração, caso não haja, irá se tornar um fator de desmotivação ou de descaso, mas recebê-la não significará que haverá pessoas na condução dos projetos que, além de capacitadas tecnicamente para a atividade, estejam realmente comprometidas.

O ser humano busca mais. Nós hoje queremos nos empenhar por um sentido maior, precisamos ter as competências atualizadas e nos comprometemos, entrando de cabeça no projeto, caso sejamos respeitados por serem não somente “mãos ou cabeças” de obra, mas também emoção e espírito da construção.

O mundo mudou, as organizações mudaram e as pessoas, que sempre tiveram essas carências, mas que muitas vezes não as manifestavam e se omitiam, hoje, caso não vejam as suas necessidades de realização sendo atendidas, passam a render muito menos do que a sua real capacidade. Para que as pessoas atuem no nível da sua capacidade, e até o ultrapassem, alguns cuidados precisam ser tomados pelas lideranças.

Ter competências atualizadas

Quando se fala em competências atualizadas não estamos falando somente da área técnica, como, por exemplo, a competência da Geologia, a especialização no tipo de rocha, a capacidade de se fazer uma análise de material com excelência, o manuseio de algum equipamento complexo, a gestão de processos, o controle de custos. Claro que tudo isto é fundamental. É o pré-requisito básico para se “entrar no jogo”, como já vimos. Mas há outras competências que têm que ser vistas quando se trata de estar e se sentir um profissional pronto: as competências de liderança e interpessoais. Não valerá muita coisa possuir competências técnicas as mais avançadas se as pessoas não souberem interagir, não administrarem bem os seus conflitos, têm problemas de comunicação, não estão acostumadas a cobrar, nem a serem cobradas e por aí segue a lista.

Das competências técnicas não nos cabe tratar aqui. Também as competências relativas à liderança do negócio não são foco desse nosso artigo. Importa, neste momento, falarmos um pouco de algumas competências de liderança de pessoas e competências interpessoais. São estas que fazem a diferença quando temos tudo, mas os resultados não são aqueles que sabemos que somos capazes de atingir.

- Ter foco no resultado através das pessoas: Quando falamos em ter foco nos resultados não estamos dizendo apenas que precisamos estar ligados nas metas ou na execução financeira do projeto. Precisamos mostrar que quando falamos de ter foco em resultados estamos falando primordialmente de gente. Resultados somente acontecem a partir e através de pessoas e o líder de projetos não só tem que saber disto. Aliás, ele já o sabe, mas o que é necessário é que esta certeza se traduza em prática sentida pela sua equipe. Ele tem consciência de que os resultados não se fazem por acaso. Eles são fruto de muito trabalho e este é realizado por gente comprometida e competente. Numa organização produtiva não se gera resultado especulando, mas sim com as competências e comprometimento das pessoas. Ter foco em resultados significa, basicamente, estar totalmente ligado no que está fazendo cada um dos membros da equipe. A dispersão, quando se está envolvido numa etapa chave da atividade em andamento, pode ser mortal para o projeto.

- Entender de Gente: Não se concebe um líder ou um gerente numa organização moderna que não entenda de gente. Entender de gente é ter consciência do que move as pessoas a realizarem suas tarefas e usar disto com respeito aos valores dos envolvidos e aos valores organizacionais, ou seja, sem haver manipulação, para que as ações dos projetos aconteçam e não fiquem apenas na intenção ou na teoria. Quando nos fazemos a pergunta “Qual o melhor líder que tive?”, vale a pena verificarmos o porquê da resposta dada. A pessoa que escolhemos e que, com toda certeza, marcou a nossa história profissional. Alguém que entendia de gente e por compreender as pessoas, tem coisas a nos ensinar sobre elas. Quando fazemos esta pergunta de forma invertida, “Qual foi o pior líder que tivemos?”, certamente chegaremos a alguém que não entendia de gente e que, também por conta disto, não teve e não tem nada a nos ensinar.

- Formar Pessoas: Vários papéis o líder pode até pensar em delegar. Alguns outros são indelegáveis. Este é um deles. O bom líder é aquele que tem sempre gente preparada e pronta para assumir novos desafios. Para ele, estar com as pessoas, principalmente os melhores empregados, para ensiná-los e acompanhá-los, não é gastar tempo, mas investir em algo que é fundamental na função gerencial e propiciará o crescimento da organização no futuro. Formar pessoas significa cercar-se de gente que é melhor do que somos. Se só temos na nossa equipe gente igual a nós, ou até um pouco pior, o futuro da empresa no longo prazo estará comprometido. Ser um grande líder é formar pessoas para que se tornem com o tempo melhores e maiores do que o líder formador. Não se pode ter medo desta situação, pois é aí que se poderá também crescer na organização. Daí, do medo de se cercar de gente melhor do que nós, é que nasce a “síndrome do insubstituível”. Aquele que nunca pode crescer porque nunca há alguém pronto para o seu lugar.

-Criar e gerenciar Equipes: Criar e gerenciar equipes é diferente de formar pessoas. É claro que as duas tarefas têm muitos pontos em comum, mas o formador de equipes precisa ter ainda algo mais: a capacidade de reunir e manter motivadas as pessoas para que trabalhem de forma coesa e sinérgica na busca de um objetivo maior. Escolher as pessoas certas para gerarem o maior resultado, dando para elas autonomia de voo, é a competência do formador de times. Quando se forma verdadeiras equipes o resultado que se alcança é muito maior do que o somatório individual dos componentes dela. Acontece aí, de uma forma muito bonita, o que chamamos de sinergia. O líder formador de equipes é aquele que, conhecendo profundamente de gente, irá colocar em cada função a pessoa que mais fará com que o processo avance sem ruídos nem tropeços. Formar equipes é não ter medo do diferente, do questionador, do chato detalhista, do que parece estar voando e só consegue mirar o futuro... É saber como fazer com que as características individuais de cada um multipliquem (e não diminuam) a capacidade do todo.

- Comunicar: O líder moderno é um comunicador por excelência. Foi-se o tempo do “chefe caixa preta”. Se ainda não está extinto, só pode estar sobrevivendo em algum gueto ou museu. O certo é que tende ao desaparecimento. Comunicar é ser transparente. É mostrar as coisas boas quando elas existem e falar claro dos problemas quando eles começam a sair da caixa. Ninguém gosta de ser o último a saber e se confiamos na equipe temos que comunicar a ela o que está havendo. Esta é uma competência na qual nunca estaremos totalmente prontos (ou competentes). Há sempre o que melhorar no processo de comunicação. Quando o bom líder comunica, ele vai até a ponta e checa se o que disse chegou com nitidez ao último empregado da equipe. Dizer algo na reunião e achar que todos já estão comunicados costuma ser um grande engano .

- Lidar com conflitos: Ter conflitos na organização não é algo que possa ser considerado a priori como ruim. Precisamos entender que os conflitos são inerentes à situação do trabalho em comunidade e para que as coisas aconteçam é necessário que haja alguma tensão, o que é gerador de calor e consequentemente, de potenciais conflitos. A proximidade das pessoas, as formas diferentes de se encarar as coisas, as dificuldades que se costuma ter no relacionamento interpessoal contribuem para eles. Caso não haja conflitos à vista, sempre é bom desconfiar. Pode ser que exista alguém que os esteja varrendo para debaixo dos tapetes e algum dia, quando não couber mais sujeira debaixo dele e aquilo explodir, vai voar pra todo lado, e aí poderá ser tarde demais para acertar de novo as coisas. Quando não são corretamente tratados, os conflitos podem paralisar a equipe, além de dividi-la, matando o grupo e formando uma série de subgrupos que se digladiam.

Saber dar e receber confiança: O líder é aquele em quem se confia. Seus liderados acreditam nele da mesma maneira que ele tem confiança em cada um dos que estão sob o seu comando. Isto não quer dizer que o líder tenha que ser totalmente previsível. Significa que estando claras e bem definidas as regras e caso estejam sempre sendo cumpridas, a confiança acontecerá naturalmente. Aliás, dar e receber confiança nada mais é do que cumprir o que está combinado nos prazos, custos e qualidades exigidos, e isto é condição primordial no trabalho, tanto para o líder quanto para os liderados. Líder previsível é aquele que segue sempre os mesmos procedimentos, agendas e modelos gerenciais, o que logo é percebido pelos subordinados. Isto leva a equipe a funcionar dentro da sua zona de conforto, o que não é desafiante nem motivador para ninguém. Quando o nível de confiança é alto a equipe comemora seus resultados e as pessoas deixam de ter certo tipo de “vida dupla”, separando a vida profissional da vida privada.

Executar: Esta é uma competência fundamental para os gerentes. Atenção, porque esta é uma das que não podem ser delegadas nunca, mas o que ocorre na prática é que existem muitos líderes por aí que acabam deixando para outro cuidar da realização. Eles podem achar que feito o planejamento, disponibilizados os recursos e a equipe, sua função está pronta e as coisas acontecerão natural e automaticamente. Todos os envolvidos estarão comprometidos e já poderá até ser agendada, para o final do cronograma do projeto, a comemoração pelos resultados alcançados. Nada mais falso. Por isto, o líder precisa acompanhar passo a passo a execução. Este papel, repito, é indelegável. Acompanhar é olhar de perto, ver os detalhes, corrigir rapidamente os desvios de rota enquanto são ainda pequenos, tratar conflitos paralisantes e divisores, manter o comprometimento e acima de tudo, cuidar da motivação com a sua presença constante junto aos que fazem. O gerente precisa, enfim, mostrar à sua equipe que o projeto tem dono, que se pode confiar nele que sabe para onde estão indo e que ele é o responsável por tudo que está acontecendo.

Capacidade de se perceber: Aquele que se conhece faz um retrato de si muito semelhante ao que as pessoas que convivem com ele fariam. Quando alguém tem o ego exagerado costuma-se dizer que “ele se acha”. Não é disto que estamos falando. Até porque o que se acha faz uma leitura de si totalmente diferente daquela que fazemos dele. O gerente que se percebe é aquele que conhece suas forças e as suas fraquezas. Ele tem plena consciência dos seus atos, ações e reações. Somente se conhecendo, sendo sabedor das suas dificuldades e limitações, como também de tudo aquilo no qual ele é realmente bom, terá condições de sentir o pulso de cada um e da sua equipe como um todo. Gerentes ou líderes que não se conhecem bem tornam-se imprevisíveis para a organização e geram insegurança à sua volta. O líder precisa se perceber tanto quanto o percebem a secretária e os demais que estão ao seu lado. Estes são capazes, após um tempo não muito longo de convivência com o “chefe”, de captarem as mudanças no seu comportamento, ainda quando os sinais são imperceptíveis a olho nu.

Saber ouvir: Não é possível ser um bom gerente ou um líder eficaz quando não se tem bons ouvidos. Para gerenciar é preciso ter sempre os ouvidos bem atentos e abertos. Ouvir principalmente naquelas horas em que se tem muitas coisas para fazer, quando se está com a agenda completamente tomada, é um exercício difícil de ser feito. O outro fala, olha-se para os seus olhos, mas não se está presente na realidade, pois que se permanece envolto naquilo que virá mais à frente. Saber ouvir é colocar-se inteiro – cabeça, coração e ação – em prontidão e máxima atenção para captar além das palavras que estão sendo ditas. O gerente que sabe ouvir tem a equipe sob seu controle. Ele conhece cada um dos subordinados e eles também o conhecem e sentem que ele os respeita e os lidera ao ouvi-los.

Ter empatia: Ser empático é colocar-se na posição do outro. É sair da sua zona de conforto e ir até o lugar através do qual o nosso interlocutor está vendo o problema. É ver a situação a partir dos seus olhos e sentimentos. O gerente empático compreende as necessidades dos subordinados e é capaz de, antes deles se manifestarem, agir proativamente. Ele participa da vida da sua equipe. Comemora com ela as vitórias e está sempre junto com cada um para avaliar os fracassos cometidos. Tem alta sensibilidade para o clima organizacional e possui leveza no trato com as pessoas, mesmo quando elas são, ou chegam, “pesadas”.

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO INTERNA NAS ORGANIZAÇÕES

Artigo de Quézia de Alcantara Guimarães Leite*

Hoje, apesar de termos muitas formas de obter informações e conhecimentos, nem sempre estamos nos comunicando. Existe grande diferença entre comunicação e informação. Numa empresa não é diferente. Muitas informações são produzidas e causam impacto na vida dos funcionários, mas nem sempre geram mudanças de atitudes, ou ainda, causam confusão porque não foram divulgadas da forma adequada. Outras informações sequer chegam aos verdadeiros destinatários porque um gestor não identificou a essência comunicativa de determinado fato. Daí o valor da Comunicação Interna numa organização.

O que é Comunicação Interna?

A Comunicação Interna são as interações, os processos de trocas, os relacionamentos dentro de uma empresa ou instituição. Também chamada de Endocomunicação, a Comunicação Interna é responsável por fazer circular as informações, o conhecimento, de forma verticalmente, ou seja, da direção para os níveis subordinados; e horizontalmente, entre os empregados de mesmo nível de subordinação.

Para a doutora em Ciências da Comunicação, Marlene Marchiori, que também é Membro do corpo de palestrantes da Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial “a busca da valorização da comunicação interna deve ser entendida como estratégia básica dos empresários que desejam a efetividade de sua organização. Chega a ser irônico pensar que neste novo mundo, altamente tecnológico, com tantas transformações, o sucesso de um empreendimento continua a estar centrado nas pessoas. É por meio da comunicação que uma organização recebe, oferece, canaliza informação e constrói conhecimento, tomando decisões mais acertadas”.

Segundo o professor , pesquisador e consultor de empresas na área de Comunicação Empresarial, Wilson da Costa Bueno, “ela é de suma importância numa organização porque cada pessoa de uma organização tem um papel a desempenhar na comunicação interna e não só o "staff" profissional de comunicação”.

Mas por que a Comunicação Interna é tão importante numa organização?

1º- Em primeiro lugar, porque os empregados são parceiros e quanto mais bem informados estiverem, mais envolvidos com aquela empresa, sua missão e seu negócio, eles estarão. A Comunicação interna amplia a visão do empregado, dando-lhe um conhecimento sistêmico do processo. “As ações da empresa devem ter sentido para as pessoas – sendo necessário que encontrem no processo de comunicação as justificativas para o seu posicionamento e comprometimento”, fala a doutora em Ciências da Comunicação, Marlene Marchiori. Assim, o funcionário, sabendo o que seu trabalho representa no todo da organização, qual a importância das tarefas que realiza, do que produz, o desempenhará com mais eficiência.


2º- Em segundo lugar, de acordo com o professor Bueno, os empregados são os “melhores porta-vozes” da instituição em que trabalha. Sua opinião sobre a organização vale muito para quem está de fora. Ele é o maior propagandista de sua organização. Diz o professor Bueno que “funcionários descontentes, mal informados, geram prejuízos imensos às organizações porque podem expressar, com mais autenticidade do que outros públicos, os valores positivos ou negativos da cultura organizacional. Fica fácil acreditar no que eles dizem porque, afinal de contas, eles estão vivendo lá dentro. Como sabemos, a imagem e a reputação se formam assim, a partir de pequenas vivências e convivências e os públicos internos têm papel fundamental neste processo”. Daí que investir na comunicação interna é investir no clima organizacional e em marketing também.

3º- Em terceiro lugar, porque toda organização está inserida num mercado altamente competitivo. Com a globalização e a disseminação de novas tecnologias. “a Comunicação Interna tem uma função importante, no sentido de fazer circular as informações novas, promover o debate e a interação entre os vários segmentos da organização e, sobretudo, capacitar os funcionários para os novos desafios”, defende o professor Wilson Bueno, opinião compartilhada com a professora Margarida Maria Krohling Kunsch, para quem a comunicação interna “deixa de ser uma área periférica e alia-se aos demais setores, tornando-se assim uma ferramenta imprescindível para a obtenção de resultados”.

Por isso, o processo de comunicação interna precisa ser valorizado e os canais que ele dispõe (jornais, boletins, intranet, murais etc) disponibilizados de forma eficaz e atrativa para que realmente cumpram sua missão de integrar todo o quadro funcional de uma organização. Comunicar é mais que informar, é atrair, é envolver. E neste processo, todos os empregados possuem seu valor e atuam de forma a tornar uma organização bem informada ou não. Enfim, uma boa comunicação interna depende de todos nós!


BIBLIOGRAFIA:


KUNSCH, Margarida Maria Krohling. As organizações modernas necessitam de uma comunicação integrada. São Paulo. Revista Mercado Global, ano XXIV, nº 102, 2º trimestre de 1997, página 20.

BUENO, Wilson da Costa . Comtexto educação a distância - Curso de Comunicação Interna-2.htm – acessado em

MARCHIORI, Marlene Regina. Cultura organizacional: conhecimento estratégico no relacionamento e na comunicação com os empregados, 2001. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade de São Paulo, São Paulo.





* Quézia de Alcantara Guimarães Leite – Técnico em Comunicação Social Jr - Habilitação em Jornalismo pela UFG-Universiade Federal de Goiás. Trabalha na Assessoria de Comunicação dos Correios de Goiás

PROF MARINS - CAUSAS DO FRACASSO NA LIDERANÇA

Encontrei estas dicas que valem a pena compartilhar...




12 CAUSAS DO FRACASSO NA LIDERANÇA

Escrito por Luiz Marins



"AS 12 MAIORES CAUSAS DE FRACASSO NA LIDERANÇA"

Richard Denny, autor e consultor inglês fez uma extensa pesquisa sobre as causas de fracasso na liderança e chegou à seguinte conclusão:

1. Incapacidade de organizar detalhes

2. Falta de disposição para fazer o que se pede para os outros fazerem

3. Expectativa de pagamento pelo que se sabe, ao invés do que se realiza

4. Medo da competição dos outros

5. Ausência de pensamento criativo

6. Síndrome do "EU"

7. Excesso de licenciosidade

8. Deslealdade

9. Ênfase demais na autoridade

10. Ênfase demais no "título"

11. Ausência de compreensão dos efeitos negativos de um ambiente negativo

12. Ausência de bom senso


Há algumas causas que parecem óbvias, outras interessantes, outras realmente novidades, como o "Excesso de Licenciosidade". Diz Denny que líderes que não sabem manter o respeito de seus subordinados, logo perdem a liderança. É preciso manter o "respeito" diz ele. Outra causa interessante é a "Expectativa de pagamento pelo que se sabe...". Na verdade, muitas pessoas perdem a liderança porque achando-se capazes de fazer alguma coisa, de fato, não fazem, mas como acham-se capazes, pensam que devem ser reconhecidas apenas pela sua capacidade de saber ao invés de capacidade de realizar, fazer. Outra causa interessante é a "Falta de disposição para fazer o que se pede para os outros fazerem". Isto é incrível! Muitos chefes, gerentes, etc. só sabem "mandar fazer" e não têm a mínima disposição de participar da ação. O líder verdadeiro está sempre disposto a fazer aquilo que ele pediria a outro para fazer, mesmo que não faça tão bem quanto o especialista. Ele está sempre disponível para fazer, participar.

Sugiro que você tome esta lista das 12 maiores causas de fracasso na liderança e faça uma auto-análise. Qual a nota que você daria a si mesmo em cada um dos doze ítens? Como os seus subordinados, seus companheiros de trabalho, seus chefes, percebem a sua liderança? O que fazer para transformar as causas de fracasso em sucesso?

Embora seja extremamente importante saber o que fazer ao liderar pessoas, é também, importante, saber o que não fazer.

Pense nisso. Sucesso!

quinta-feira, julho 22, 2010

CELINE DION - Quand On N’a Que L’amour



Quand on n'a que l'amour

À s'offrir en partage

Au jour du grand voyage

Qu'est notre grand amour

Quand on n'a que l'amour

Mon amour toi et moi

Pour qu'éclatent de joie

Chaque heure et chaque jour

Quand on n'a que l'amour

Pour vivre nos promesses

Sans nulle autre richesse

Que d'y croire toujours

Quand on n'a que l'amour

Pour meubler de merveilles

Et couvrir de soleil

La laideur des faubourgs

Quand on n'a que l'amour

Pour unique raison

Pour unique chanson

Et unique secours

Quand on n'a que l'amour

Pour habiller matin

Pauvres et malandrins

De manteaux de velours

Quand on n'a que l'amour

À offrir en prière

Pour les maux de la terre

En simple troubadour

Quand on n'a que l'amour

À offrir à ceux-là

Dont l'unique combat

Est de chercher le jour

Quand on n'a que l'amour

Pour tracer un chemin

Et forcer le destin

À chaque carrefour

Quand on n'a que l'amour

Pour parler aux canons

Et rien qu'une chanson

Pour convaincre un tambour





Alors sans avoir rien

Que la force d'aimer

Nous aurons dans nos mains

Amis le monde entier





Quando se tem amor

Para compartilhar

No dia dessa viagem

Que é o nosso grande amor

Quando se tem amor

Meu amor, você e eu

Para morrer de alegria

A cada hora e a cada dia

Quando se tem amor

Prara viver nossas promessas

Sem riqueza nenhuma

A não ser a riqueza de acrediatr nelas

Quando se tem amor

Para enfeitar com maravilhas

E cobrir com sol

A feiura da miséria

Quando só se tem amor

Como única razão

Como única canção

E única saída

Quando se tem amor

Para vestir o amanhecer

Pobres e bandidos

Com casacos de veludo

Quando se tem amor

Para se unir em oração

A favor dos males desta terra

Como um simples trovador

Quando se tem amor

Para entregar a essa gente

Que vai à luta

Em busca de luz

Quando se tem amor

Para traçar um caminho

E ajudar o destino

Cada vez que cruzamos com ele

Quando se tem amor

Para falar aos canhões

E bastasse uma canção

Para convecer os tambores





Só então, quando não tivermos mais nada

A não ser esta força que é o amor

Teremos na palma de nossas mãos

Meu amigo, o mundo inteiro

domingo, julho 18, 2010

CARTAS A UM JOVEM POETA

Li um artigo sobre "Como ler e escrever poesia" (http://www.pucrs.br/gpt/poesia.php) e resolvi postar aqui belas e verdadeiras linhas  referentes a arte poética.
Trata-se de uma carta em resposta à um jovem que aspirava se tornar poeta...

Dignas de nota são também as cartas de Rainer Maria Rilke (1875-1926), o maior poeta da língua alemã do séc. XX.

Rilke recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira a se tornar poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. O fato dá início a uma troca de correspondências na qual o poeta responde aos questionamentos do rapaz e expõe suas opiniões a respeito de ser poeta, da necessidade de escrever, da criação artística, entre outros assuntos.

Foram dez as cartas, das quais transcrevemos a primeira.

Primeira Carta de Rainer Maria Rilke

Paris, 17 de fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, - seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com maior clareza no último poema, "Minha Alma". Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema "A Leopardi" talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos, sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo - peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento.

Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou. Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.

(Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas e perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Hoaracek; guardo por esse amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke

(Esta Primeira Carta do livro "Cartas a um jovem poeta" foi traduzida por Cecília Meireles, retirada da edição: "Cartas a um jovem poeta e Canção morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke", ed. Globo, 1983.)



quarta-feira, julho 07, 2010

PSICOMOTRICIDADE: PRINCIPAIS CONCEITOS

INTRODUÇÃO

O cérebro é considerado o órgão que integra a motricidade, que elabora e reintegra os seus efeitos. Nascemos com uma relação inconclusa entre o corpo e o cérebro que não tem vias de comunicação, nem de interação. Portanto é o desenvolvimento da motricidade que vai proporcionar essa comunicação estreita entre o centro e a periferia. A função da motricidade é o meio através do qual a inteligência se edifica e organiza-se e é o meio através do qual essa inteligência se manifesta.

A integração sucessiva da motricidade implica a constante e permanente maturação orgânica. Ela é a interação de diversas funções motoras (perceptivomotora, neuromotora, psicomotora, neuropsicomotora, etc). A atividade motora é de suma importância no desenvolvimento global da criança. É através da exploração motriz, que a criança desenvolve a consciência de si mesma e do mundo exterior. Essa motricidade humanizada é aquilo que designamos por psicomotricidade.


1. HISTÓRICO E DEFINIÇÃO


No século XIX, o corpo começa a ser estudado por neurologistas, por necessidade de compreensão das estruturas cerebrais e depois, por psiquiatras para clarificação de fatores patológicos.

Em 1909, Dupré introduz o termo psicomotricidde, quando inicia os primeiros estudos sobre a debilidade motora nos débeis mentais.

Em 1925, Henri Wallon, ao publicar L’ Énfant Turbulent e, em 1934, Lês Origines du Caracter Chez l’Enfant, inicia uma das obras mais relevantes no campo do desenvolvimento psicológico da criança. Ele é o grande pioneiro da psicomotricidade, vista como campo científico e o principal responsável pelo nascimento do movimento de reeducação psicomotora.

Para Wallon, o papel da função tônica e da emoção nos progressos da atividade de relação são encarados como processos básicos da intervenção psicomotora. O movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo. Em 1929, ele advoga, que o desenvolvimento psicológico da criança é o resultado da oposição e substituição de atividades que precedem umas às outras.

Wallon esforçou-se por demonstrar a ação recíproca entre funções mentais e funções motoras, tentando argumentar que a vida mental não resulta de relações unívocas ou de determinismos mecanicistas. Através do esquema corporal, ele introduz dados neurológicos nas suas concepções psicológicas, motivo esse que o distingue de outro grande vulto da psicologia, Piaget, que também influenciou a prática da psicomotricidade. O esquema corporal é uma construção, elemento de base para o desenvolvimento da personalidade da criança.

Ajuriaguerra publica trabalhos sobre o tônus e desenvolve métodos de relaxamento, além de se tornar um notável psiquiatra infantil, consolida os princípios e as bases da psicomotricidade.

Guilmain (1981) considera que os estudos da motricidade empreendidos no começo do século XX se orientam em quatro direções, complementares:

Elaboração da síndrome de debilidade motriz e busca das relações entre a debilidade motriz e a debilidade intelectual.

Estudo da evolução das funções motrizes na criança e busca de testes de níveis de desenvolvimento da habilidade manual e das aptidões motrizes em função da idade.

Estudo da lateralidade dominante, dos transtornos psicomotores e da busca de suas correlações com as dificuldades de aprendizagem das técnicas escolares de base (leitura, escrita, cálculo, etc) em crianças com inteligência lógica normal.

Elaboração de testes motores que permitem a determinação das características afetivas motrizes na criança e o estudo das relações existentes entre o comportamento motor de um sujeito e as características fundamentais de seu caráter.

A psicomotricidade é hoje concebida como a integração superior da motricidade (relação inteligível entre a criança e o meio) instrumento através do qual a consciência se forma e materializa-se.

2. ELEMENTOS BÁSICOS DA MOTRICIDADE

No Manual de Avaliação Motora, de Francisco Rosa Neto, são abordados os seguintes elementos básicos da motricidade que serão apresentados sinteticamente a seguir: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial, organização temporal e lateralidade.

Motricidade Fina

A coordenação visuomanual representa a atividade mais freqüente e mais comum no homem, a qual atua para pegar um objeto e lançá-lo, para escrever, desenhar, etc. Esta atividade inclui uma fase de transporte da mão, seguida de uma fase de agarre e manipulação, resultando em um conjunto com seus três componentes: objeto/olho/mão. Para a coordenação desses atos, é necessária a participação de diferentes centros nervosos motores e sensoriais, que se traduzem pela organização de programas motores e pela intervenção de diversas sensações oriundas dos receptores sensoriais, articulares e cutâneos do membro requerido.

A fixação visual necessita da visão periférica; em seguida, das sacudidas oculares que restabelecem o olho em uma visão central que os movimentos de perseguição tendem a manter quando o alvo se movimenta. O êxito dessa atividade em cada uma de suas etapas varia na criança conforme o nível de aprendizado e conforme a evolução de seu desenvolvimento motor.

O ato de agarrar um objeto representa uma das atividades humanas mais complexas. Este contato com o objeto encerra o processo de agarrar, dando informações particulares sobre a força que é necessária desenvolver para levantá-lo. O córtex pré-central correspondente à motricidade fina tem um papel fundamental no controle dos movimentos isolados das mãos e dos dedos para pegar um objeto, e a fineza extrema dos controles táteis e motores são ressaltados pela importância das áreas cortiço-sensomotoras da das mãos e dos dedos. Assim, é possível o reconhecimento das formas de um objeto sem a intervenção da visão, pois as informações cutâneas e articulares associadas à motricidade digital proporcionam a reconstituição das formas do objeto.

A coordenação visuomotora é um processo de ação em que existe coincidência entre o ato motor e uma estimulação visual percebida. Ela se elabora de modo progressivo com a evolução motriz da criança e do aprendizado. Visão e feedback perceptivo-motor estão estruturados e coordenados visando produzir um comportamento motor adaptado em qualquer situação.

Motricidade Global

A conduta da criança esta representada pela sua atividade motora. Sua capacidade em se deslocar, gesticular, suas atitudes e seu ritmo nos permite, ás vezes, conhecê-la e compreendê-la melhor. As crianças correm rapidamente, imitam os animais, e através disto ocorre o relaxamento corporal, o bem-estar da liberação física. Cada criança tem seu ritmo próprio e sua originalidade, portanto, isto deve ser respeitado, pois a maturação dos centros nervosos em cada uma delas não é idêntica. A perfeição progressiva do ato motor implica um funcionamento global dos mecanismos reguladores do equilíbrio e da atitude.

Através da brincadeira espontânea a criança descobre os ajustes diversos, complexos e progressivos da atividade motriz, resultando em um conjunto de movimentos coordenados em função de um fim a ser alcançado, e isto, desenvolve um certo controle da motricidade espontânea. O movimento motor global é um movimento sinestésico, tátil, labiríntico, visual, espacial, temporal e assim por diante. Os movimentos dinâmicos corporais desempenham um importante papel na melhora dos comandos nervosos e o afinamento das sensações e das percepções. O que é educativo na atividade motora é o controle de si mesmo – obtido pela qualidade do movimento executado, da precisão e da maestria de sua execução.

Equilíbrio

O equilíbrio é a base primordial de toda a ação diferenciada dos segmentos corporais. Existem relações estreitas entre as alterações ou as insuficiências do equilíbrio estático e dinâmico e os latentes estados de ansiedade ou insegurança. A complexidade motora da atitude humana é resultado de uma experiência pessoal.

A criança pequena, antes de alcançar o equilíbrio, adota apenas posturas, ou seja, seu corpo reage de maneira reflexa aos múltiplos estímulos do meio. A postura é a atividade reflexa do corpo com relação ao espaço, e está estruturada sobre o tono muscular (os músculos esqueléticos sadios, os quais constituem a base da postura).

O equilíbrio é o estado de um corpo quando forças distintas que atuam sobre ele se compensam e anulam-se mutuamente. Do ponto de vista biológico, a possibilidade de manter posturas, posições e atitudes indica a existência de equilíbrio.

As grandes transformações esqueléticas que se observam no homem têm uma relação de dependência com a postura vertical permanente e com a marcha bípede, características únicas entre todos os mamíferos. A marcha constitui uma queda controlada, combinando funções cerebelares e cerebrais que integram aspectos do equilíbrio, do controle do próprio corpo e da coordenação motora.

A posição vertical e o alinhamento da cabeça são os responsáveis pela evolução cortical dos seres vivos. A posição horizontal da visão fornece ao cérebro uma colocação perfeita para a centralização e integração de todas as informações que originam o comportamento humano.

Para Rigal (1988) a atividade reflexa do organismo é a base do controle postural. O tono de manutenção se sobrepõe ao tono muscular de base e rege as reações do equilíbrio mediante as quais o sistema neuromuscular assegura a fixação do centro de gravidade do corpo no interior do quadrilátero de sustentação. O deslocamento rompe o equilíbrio estático e necessita, em particular, de um ajuste do tono muscular de sustentação da perna de apoio para compensar o aumento passageiro da massa a suportar.

O tono postural de manutenção é o resultado de um conjunto de reações de equilíbrio e de manutenção de atitude e fornece referência e suporte para a execução das ações motrizes. As suas variações controladas pelo sistema neuromuscular estabilizam o centro de gravidade no interior do quadrilátero de sustentação. A posição em pé supõe que o sistema motor do organismo humano assegura a manutenção do equilíbrio estático ou dinâmico e luta, contra as forças da gravidade. O equilíbrio tônico-postural do sujeito, e outros itens são o reflexo de seu comportamento e, ao mesmo tempo, de suas dificuldades e de seus bloqueios.

Durante o movimento, o tono postural deve se ajustar a fim de compensar o deslocamento do peso do corpo de uma perna a outra e assegurar ao mesmo tempo o equilíbrio de todo o corpo. O que caracteriza o equilíbrio tônico-postural é o mecanismo complexo dos reflexos de equilibrio derivado de um conjunto de informações proprioceptivas. No plano de organização neurológica ele constitui o modelo de auto-regulação do comportamento.

Asher (1975) considera que as variações da postura estão associadas a períodos de crescimento surgindo como uma resposta aos problemas de equilíbrio que costumam ocorrer segundo as mudanças nas proporções corporais e nos seus segmentos. A postura ideal é aquela em que a atividade muscular tem de ser mínima para manter o corpo em estado de equilíbrio.

Esquema Corporal

A imagem do corpo representa uma forma de equilíbrio que, como núcleo central da personalidade, se organiza em um contexto de relações mútuas do organismo e do meio. Em 1911, Henry Head, lançou o conceito de esquema corporal que representava uma verdadeira referência, pois permitia construir um modelo postural de nós mesmos. Outros autores atribuem ao esquema corporal um papel essencial na manutenção da regulação postural.

Independente das informações cutâneas e profundas, há um modelo postural, um esquema, uma imagem do nosso corpo, os quais desempenham um papel importante na consciência que cada um tem de si mesmo. O modelo postural não é um dado estático, mas sustenta ativamente todos os gestos que nosso corpo realiza sobre si mesmo e sobre os objetos exteriores.

Os primeiros contatos corporais que a criança percebe, manipula e com os quais joga são de seu próprio corpo: satisfação e dor, choro e alegria, mobilizações e deslocamentos, sensações visuais e auditivas e esse corpo é o meio da ação, do conhecimento e da relação. O esquema corporal é a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior.

A atividade tônica refere-se às atitudes e às posturas, e a atividade cinética está orientada para o mundo exterior. Essas duas orientações da atividade motriz (tônica e cinética), correspondem aos aspectos fundamentais da função muscular, a qual deve assegurar a relação com o mundo exterior graças aos deslocamentos e aos movimentos do corpo (mobilidade) e assegurar a conservação do equilíbrio corporal, a infra-estrutura de toda a ação diferenciada (tono).

A função tônica se apresenta em um plano fisiológico sob dois aspectos: o tono de repouso, que é o estado de tensão permanente do músculo que se conserva inclusive durante o sono; o tono de atitude, que é ordenado e harmonizado pelo jogo complexo dos reflexos da atitude, sendo eles resultado das sensações proprioceptivas e da soma dos estímulos provenientes do mundo exterior.

Para Wallon (1963), a função tônica depende constantemente das influências superiores e pode ser modificada pela via central (psíquica). O tono muscular é o suporte de sustentação para as emoções, e através da atividade tônica, a criança estabelece uma relação com o mundo exterior. O estado tônico é um modo de relação, logo, tono e psiquismo estão relacionados e representam os dois aspectos de uma mesma função, ou seja, relação pessoal, familiar e social.

Para Vayer (1979), a imagem corporal é o resultado complexo de toda a atividade cinética, sendo a imagem do corpo a síntese de todas as mensagens, de todos os estímulos e de todas as ações que permitam à criança se diferenciar do mundo exterior e de fazer do “eu” o sujeito de sua própria existência.

No plano educativo o esquema corporal pode ser definido com a chave de toda a organização da personalidade e sua elaboração segue as leis da maturidade céfalo-caudal e próximo-distal.

Organização Espacial

A noção de espaço é ao mesmo tempo, concreta e abstrata, pois envolve o espaço do corpo (acessível) e o espaço exterior. O espaço físico absoluto existe independentemente de seu contexto e de nós, enquanto o espaço psicológico associado à nossa atividade mental, revela-se, de modo direto, em nossa consciência. A nossa atividade perceptiva baseada na experiência do aprendizado é que significa as informações captadas sensorialmente, sobre as relações entre os objetos que ocupam o espaço.

A organização espacial depende da estrutura (anatômica, biomecânica, fisiológica, etc.) de nosso próprio corpo, da natureza do meio que nos cerca e de suas características. Todas as modalidades sensoriais participam em certa medida na percepção espacial, e a orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com precisão a relação física entre nosso corpo e o ambiente, e para efetuar as modificações no curso de nossos deslocamentos.

A nossa organização espacial provém da interação e da integração das informações internas e externas por nós recebidas. As características das nossas atividades nos permitem utilizar duas dimensões do espaço plano e a terceira dimensão (distância ou profundidade). Os índices táteis associados aos índices sinestésicos resultam da exploração de um objeto que permite o reconhecimento das formas (esterognosia) em ausência da visão (sentido háptico).

A evolução da noção espacial destaca a existência de duas etapas: uma ligada à percepção imediata do ambiente, caracterizada pelo espaço perceptivo ou sensório-motor; outra baseada nas operações mentais que saem do espaço representativo e intelectual. A partir das reações topológicas, a criança elabora paulatinamente as reações projetivas e euclidianas. Assim, se estabelece de forma progressiva com a evolução mental da criança a aquisição e a conservação das noções de distancia, superfície, volume, perspectivas e coordenadas que determinam suas possibilidades de orientação e de estruturação do espaço em que vive.

Organização Temporal

O tempo é, antes de tudo, memória. A ordem e a duração que o ritmo reúne são os grandes componentes da organização temporal. A ordem define a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem (ordem física irreversível) e a duração permite a variação do intervalo que separa dois pontos (o principio e o fim) de um acontecimento. A ordem numa distribuição cronológica das mudanças ou dos acontecimentos sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a duração seu aspecto quantitativo.

A noção de duração resulta de uma elaboração ativa do ser humano de informações sensoriais. O conteúdo físico da duração proporciona a base de nosso conhecimento do tempo e de sua organização. A organização temporal inclui uma dimensão lógica, uma dimensão convencional (sistema cultural de referências) e um aspecto de vivência que surge antes dos outros dois (percepção e memória da sucessão e duração dos acontecimentos).

A consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas, e sua retenção esta vinculada à memória e a codificação da informação contida nos acontecimentos. No tempo psicológico organizamos a ordem dos acontecimentos e estimamos sua duração, construindo o nosso próprio tempo. A percepção da duração começa pela discriminação do instantâneo e do duradouro que se estabelece a partir de 10 a 50m para a audição e 100 a 120m para visão (Rigal, 1988).

Lateralidade

A lateralidade é a preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo. Ela está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor, o qual desembocará na aprendizagem e na consolidação das praxias. A lateralização cortical é a especialidade de um dos dois hemisférios quanto ao tratamento da informação sensorial ou quanto ao controle de certas funções. Essa atitude funcional que é suporte da intencionalidade se desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação, ao longo da qual a criança vai deparar-se com seu meio. A ação educativa fundamental para colocar a criança nas melhores condições para aceder a uma lateralidade definida é a que lhe permita organizar suas atividades motoras.

3. DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

Pré-Linguagem

Assim, se estabelece de forma progressiva com a evolução mental da criança a aquisição e a conservação das noções de distancia, superfície, volume, perspectivas e coordenadas que determinam suas possibilidades de orientação e de estruturação do espaço em que vive.

A Pequena Linguagem

Assim, se estabelece de forma progressiva com a evolução mental da criança a aquisição e a conservação das noções de distancia, superfície, volume, perspectivas e coordenadas que determinam suas possibilidades de orientação e de estruturação do espaço em que vive.

A Linguagem

  Assim, se estabelece de forma progressiva com a evolução mental da criança a aquisição e a conservação das noções de distancia, superfície, volume, perspectivas e coordenadas que determinam suas possibilidades de orientação e de estruturação do espaço em que vive.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o desenvolvimento da motricidade está vinculado ao movimento e a maturação biológica. Esta maturação, por sua vez, ocorrerá através do diálogo tônico, da segurança gravitacional e do conforto tátil, manifesto no corpo através da relação entre a criança e sua mãe ou seu cuidador, permitindo a estruturação da motricidade e a aprendizagem. A aprendizagem, por sua vez, envolve a necessidade de uma grande integração sensorial, elevada ao nível do sistema nervoso central onde é organizada, armazenada e elaborada, para originar as respostas e as reações motoras.

O cérebro e a motricidade estão em constante interação desde o nascimento até a morte, dialogando com o corpo, organizando esse corpo. A motricidade que está a serviço de uma função psicológica organizada através da experiência prolongada, tem sua origem social.

Portanto, é de grande importância a aquisição e compreensão dos conceitos da psicomotricidade, para que o psicólogo utilize estes conhecimentos, como um meio privilegiado de prevenção e intervenção nas dificuldades de aprendizagem, permitindo que a criança possa conhecer-se melhor e conhecer melhor aquilo que está à sua volta.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ROSA NETO, F. – Desenvolvimento Motor. In.: Manual de Avaliação Motora. São Paulo:

PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA: SUBJETIVIDADE E MUNDO SOCIAL

INTRODUÇÃO

A Psicologia Sócio-Histórica é uma vertente teórica da Psicologia, cujas proposições ligadas ao conhecimento do homem e sua subjetividade estão guiadas pela concepção materialista dialética. Ela surge no inicio do século XX, na União Soviética, momento em que esta procurava reconstruir suas teorias científicas a partir do referencial marxista. Os autores que definem os fundamentos teóricos são: Alexandr Romanovich Luria (1902-1977); Aléxis Nicolaievich Leontiev (1903-1979) e Lev Seminovichi Vigotski (1896-1934).

Vygotski propôs-se a construir uma Psicologia guiada pelos princípios e métodos do materialismo dialético, destinando sua produção à descrição e explicação da construção e desenvolvimento do psiquismo e comportamento humano, a partir das funções psicológicas superiores (pensamento, linguagem e consciência), guiando-se pelo princípio da gênese social da consciência. O humano se constitui pela relação do homem com a realidade, não só enquanto meio social imediato, mas enquanto processo cultural historicamente produzido.

A produção de Vygotski teve continuidade, na União Soviética, com trabalhos de Luria e Leontiev e posteriormente passou a ser estudado em outros paises. Na América Latina, e especificamente no Brasil, sua obra foi adquirindo espaço e se incorporando à área de Psicologia Social. Atualmente, estes conhecimentos expressam diferentes leituras da obra de Vygotsky dentre os diversos grupos que se ocupam da elaboração e construção desta proposta. A denominação Psicologia Sócio-Histórica foi criada pelo grupo da PUC/SP.



1. A CONSTITUIÇÃO DO PSIQUISMO PARA A PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA

Para Luria (1987) é preciso sair dos limites do organismo para explicar as formas mais complexas da vida consciente do homem. Para ele, o objeto da psicologia é o reflexo do mundo externo no mundo interno (a interação do homem com a realidade). A atividade humana caracteriza-se pelo trabalho social mediante a divisão das funções e que origina novas formas de comportamento independente dos motivos biológicos elementares. Os motivos sociais do comportamento surgem devido à atividade social complexa, o trabalho social e a divisão do trabalho.

A linguagem é fator decisivo que determina a passagem da conduta animal à atividade consciente do homem. Esta atividade consciente se distingue radicalmente do comportamento individualmente variável dos animais, pois não esta forçosamente relacionada com motivações biológicas, não está determinada em absoluto, nem por impressões vivas do meio ou pelas contingências da experiência individual direta, mas, está na capacidade de abstração dessa impressão direta. O comportamento humano está baseado no conhecimento da necessidade.

Uma imensa proporção dos conhecimentos e das artes do homem se forma pela assimilação da experiência acumulada do processo da histórica social que se transmite no processo de aprendizagem. Luria pretende explicar as singularidades da atividade consciente humana a partir das distinções do comportamento humano, e aponta duas vias para isto: pela filosofia idealista (dualismo mente/corpo sedimentado por Descartes) e pelo positivismo científico-natural aliado às teses evolucionistas de Darwin (a atividade consciente como fruto da evolução).

A Psicologia Sócio-Histórica apresenta o problema da origem da atividade consciente do homem a partir de posições distintas: as peculiaridades da forma superior de vida do homem devem ser buscadas na conformação sócio-histórica da atividade vital, relacionada ao trabalho social, ao uso de ferramentas e ao aparecimento da linguagem. No homem a atividade adquire um caráter organizado complexo: a satisfação da necessidade passa a ser mediatizada por atos que antecipam o comportamento final e que estão ligados à estrutura da atividade, produzindo com essa forma complexa uma maior atividade consciente (comportamento mediato e imediato).

A reestruturação cardinal do comportamento e a nova estrutura da atividade consciente do homem é constituída, devido o fato de separar da atividade biológica atos especiais não determinados por motivações biológicas diretas, mas dirigidas por um objetivo consciente.

O surgimento da linguagem motiva a formação da estrutura complexa atividade consciente do homem, pois ela se constitui como fator essencial na formação da consciência, criando um mundo de imagens internas. Trata-se de uma construção peculiar que engendra aquilo que convencionamos chamar de subjetividade.

A linguagem permite o processo de abstração, generalização, de análise e classificação que tomou corpo no processo de história social convertendo-a em meio de comunicação e instrumento do pensar que, proporciona o trânsito do reflexo sensorial para a construção do mundo racional. Ela permite ao homem se desligar da experiência direta e garante o nascimento da imaginação, base para a criatividade, além disso, permite a reestruturação das reações emocionais. Os homens se modificam em função do desenvolvimento de suas necessidades e no decurso de sua atividade, suas aptidões, seus conhecimentos e seu saber-fazer cristalizam-se de certa maneira em seus produtos (materiais, intelectuais, ideais).

O processo de apropriação do mundo consiste na aquisição do instrumento (originalmente, instrumento de trabalho), que constrói a função de acumulação (retenção), base para a construção da cultura; e na aquisição da linguagem, processo de apropriação das operações de palavras que são fixadas historicamente nas suas significações. A principal característica do processo de apropriação é de criar no homem nova aptidões, novas funções psíquicas.

O desenvolvimento humano não depende somente de suas características filogenéticas ou ontogenéticas. Este desenvolvimento desembocou na construção das sociedades de classes e na dominação do homem pelo homem, produzindo um campo de desigualdade que vai além dos fatores ambientais – a desigualdade econômica, fruto da divisão social do trabalho e do aparecimento da mercadoria, que irá instrumentar a capacidade criadora do homem.

Uma das principais características da sociedade capitalista é a constituição do individualismo. Entretanto, há uma contradição exposta pela constituição de uma sociedade de massas que produz uma ilusão na qual nos sentimos indivíduos quando somos obrigados a um consumo de massa que nos torna muito parecidos com todos os outros. Mas esta contradição entre individualismo e a massificação é minimizada pelos meios de comunicação de massa, pelas agências socializadoras e pelas agências controladoras, que são responsáveis pela difusão e manutenção de um quadro de valores e crenças que instituem formas de controle e autocontrole.

Uma consciência coletiva distorcida pela presença do quadro de valores e crenças sociais (ideologia) que encobrem os verdadeiros determinantes dessa circunstancia transforma a aparência da diferença social em algo absolutamente normal, e a isto chamamos de constituição da subjetividade capitalista.

Outro fator importante é a forma como se dá a internalização do processo psíquico, pois demonstra claramente que o conteúdo psíquico não tem origem no próprio individuo, mas constitui uma construção social. Assim, o uso de instrumento potencializa a capacidade humana de agir e potencializa a capacidade intelectual. A combinação entre signo e instrumento na atividade psicológica gera a função psicológica superior que ultrapassa o organicamente demarcado. O psiquismo se constitui na relação dialética com a natureza, ou seja, ao mesmo tempo em o homem transforma a natureza, esta também é transformadora do homem.

2. A SUBJETIVIDADE NA PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA

Maffesoli (1995) aponta como as relações sociais no capitalismo tardio transformam a condição subjetiva no plano cultural, qualificada por ele como a emergência de uma modernidade econômico-utilitarista e que está diretamente ligada ao fenômeno do individualismo. A subjetividade é um campo socialmente construído e que se expressa no plano individual (crenças, valores e comportamentos individuais). O termo subjetividade tem sido usado para definir todo o fenômeno humano que escapa a concretude da objetividade, e principalmente no campo da Psicologia e da Psicanálise tem sido utilizado como resultado da produção psíquica (produção do sujeito).

Renato Mezan aponta duas maneiras diferentes para que a idéia de subjetividade seja entendida: como experiência de si e como condensação de uma série de determinações, e por outro lado, como estrutura e como experiência de si depende sobremaneira do lugar social que o individuo ocupa. É no cotidiano do sujeito que a subjetividade tem sua expressão mais palpável (fenômeno socialmente determinado).

González Rey procura demonstrar que o desenvolvimento do psiquismo está intimamente relacionado a sua base material e que, representa um fenômeno específico e não mera reprodução “do mundo externo”. Ele irá considerar a personalidade como fenômeno que se desenvolve controlada por determinantes que atuam fora do campo do sujeito psicológico concreto e a partir de um espaço interativo de distintos níveis de complexidade e de hierarquia no qual o sujeito atualiza permanentemente sua condição social. Ele entenderá a subjetividade como a constituição do psiquismo no sujeito individual.

A subjetividade integra os processos e estados característicos a esse sujeito em cada momento da ação social, momentos inseparáveis do sentido subjetivo que terão para ele. Ela se expressa no plano social como constituinte da vida social e tem base objetiva quando se trata de sua relação com o conhecimento. Ela estaria organizada por processos e configurações que se interpenetram permanentemente e que estão em constante desenvolvimento e vinculados à inserção simultânea do sujeito em outro sistema igualmente complexo, que é a sociedade.

A constituição da subjetividade individual é um processo singular que surge na complexa unidade dialética entre sujeito e meio atual. A constituição subjetiva do real e sua construção por parte do sujeito são processos simultâneos que se inter-relacionam, mas não são dirigidos pela intencionalidade do sujeito.

3. A SUBJETIVIDADE SOCIAL

A discussão da subjetividade social ocorre no campo da construção social da realidade. A realidade é um fenômeno multideterminado e é a expressão do campo dos valores que a interpretam (suas bases subjetivas) e o desenvolvimento concreto das forças produtivas (suas bases objetivas). O individuo é agente ativo de transformação social, independente de ter ou não consciência do fato.

É a partir da consciência de si e da consciência o outro que o plano singular da subjetividade se imbrica com o plano social da subjetividade. È através dessa relação que podemos dizer que é possível para a Psicologia Social enfocar a gênese das representações das construções ideológicas, a partir do estudo da subjetividade social denominada de Dimensões Subjetivas da Realidade. Ela é correlata à Configuração Subjetiva do Sujeito e denota como a subjetividade se configura socialmente. A interação dinâmica, de base objetiva material (os determinantes sociais e econômicos) e campo da configuração subjetiva do sujeito, é o elemento dialético que nos permite considerar a relação dialética entre a produção singular de determinado sujeito e a produção de um conteúdo que representa o repertório cultural de um povo e que se constitui historicamente.

4. CONSCIÊNCIA E ATIVIDADE

O psicológico é a atividade do homem de registrar a experiência e a relação que mantém com o ambiente sociocultural. A capacidade de registrar pode ser denominada de capacidade psíquica. O mundo psicológico enquanto conjunto de registros se constitui a partir das relações que o homem mantêm com seu mundo sociocultural. Assim, cabe à Psicologia compreender o individuo em sua singularidade, internalizando e expressando sua condição histórica e social, sua ideologia e relações vividas.

A consciência deve ser vista como um sistema integrado, numa processualidade permanente, determinada pelas condições sociais e históricas, que num processo de conversão se transformam em produções simbólicas, em construções singulares. A realidade objetiva preexiste e nessa condição passará a fazer parte da subjetividade de um homem em particular.

As funções psicológicas são produto da atividade humana. É através desta atividade externa, que se criam as possibilidades de construção da atividade interna. A atividade de cada indivíduo é determinada pela forma como a sociedade se organiza para o trabalho. Para a Psicologia Sócio-Histórica, o homem é um ser ativo, social e histórico.

A linguagem é o instrumento fundamental nesse processo de constituição do sujeito. Para Vigotsky, as palavras desempenham um papel central no desenvolvimento do pensamento e na evolução histórica da consciência como um todo. A atividade humana é significada como um processo social, mediatizada semioticamente. Assim, a consciência se constitui a partir dos próprios signos, de instrumentos construídos pela cultura e pelos outros, que quando internalizados se tornam instrumentos internos e subjetivos da relação do individuo consigo mesmo.

A palavra é o espaço privilegiado de criação ideológica, onde se confrontam valores sociais contraditórios, conflitos, relações de dominação etc. Os sistemas semióticos não só exprimem a ideologia como são determinados por ela. Os signos são orientados para regular as ações sobre o psiquismo das pessoas.

A constituição do sujeito é vista como um processo de “conversão” do social no individual. A conversão se refere a um processo semiótico: descobrir/assumir uma significação nova das coisas, ou seja, consiste em transformar materialidades concretas em produções simbólicas. Para compreender a gênese da consciência é preciso analisar os processos de internalização da linguagem. O pensamento é ideológico, contém o social, pertence ao sistema ideológico social e também ao sistema psíquico.

A consciência constitui a forma como o individuo conhece o mundo num trabalho de interpretação da vida, de nós mesmos, da relação com o mundo, através do pensar, do sentir, sonhar. A emoção deve ser vista como um elemento constitutivo da consciência e como uma dimensão fundamental desta.

O processo de produção de sentidos, pode conter elementos contraditórios, que incluem emoções e afetos como prazer e desprazer, gostar e não gostar. O processo cognitivo não existe descolado da emoção. De acordo com Vigotsky, o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação, por nossos desejos e necessidades, nossos interesses e emoções. Assim, o pensamento será concebido como pensamento emocionado, a linguagem será sempre emocionada, expressando uma avaliação do sujeito, o sentido subjetivo que determinado fato ou evento tiveram para ele.

Para González Rey, o externo só passa a ter sentido quando entra em contato com o interno. No processo constante de internalização, o social aparece configurado em termos subjetivos, a realidade aparece de outra maneira, constituída subjetivamente na forma de configuração.

O caminho de apropriação da realidade pelo individuo (subjetiva/objetiva) quando não consegue imprimir uma nova forma de agir, evidencia que este individuo vive uma situação de cisão entre o pensar, sentir e o agir, marcada pela tensão entre a possibilidade do novo e a permanência. Neste processo, a realidade social encontra múltiplas formas de ser configurada, seja sem desconstituir velhas concepções e emoções calcadas em preconceitos, seja pelas visões ideologizadas, fragmentadas, etc. esta situação pode nos ajudar a compreender esse movimento de não-transformação.

Portanto, a consciência deve ser vista como integrada e multideterminada, marcada pela processualidade constante, na qual é possível à reconstrução interna do mundo objetivo. Ela é tencionada por produtos históricos e pela subjetividade dos sujeitos, é social e ideológica, intersubjetiva e particular.


5. A PRÁTICA PROFISSIONAL

A intervenção do profissional de psicologia deve ser vista, como trabalho, ou seja, um emprego de energia de forma intencionada para produzir transformações no meio. Ao planejar essa intervenção, consideramos não só nossos conhecimentos teóricos e valores pessoais, mas as condições, necessidades, vontades e projetos da pessoa para a qual prestamos nosso serviço. Esta se torna um trabalho duplo: a intervenção do profissional que, internalizada pelo sujeito, é transformada, através de um trabalho de conversão das expressões do profissional em possibilidades individuais.

Na prática profissional em Psicologia Sócio-Histórica, a intervenção é fundamental, pois estão nele os valores e fundamentos da Psicologia. Interferimos no processo psicológico, atuamos para transformar algo no processo de registro do mundo que as pessoas fazem, para recriar sentidos e refazer projetos de vida, transformando a possibilidade de intervenção no mundo cotidiano.

Atuando na orientação profissional ou sexual, vamos construir técnicas e formas de trabalho que permitam refletir sobre o que já se construiu até esse momento da vida acerca desse assunto ou tema, introduzindo novas informações capazes de contribuir para reestruturação do que estava configurado e transformar assim o projeto do individuo de forma a permitir uma intervenção mais satisfatória no cotidiano.

Atuando na clínica, trabalhamos para romper processos de fragilização nos sujeitos. A saúde psicológica dos sujeitos está na possibilidade de enfrentar cotidianamente o mundo de modo a interferir nele, construindo soluções para dificuldades e problemas que se apresentem. Assim, interferimos na construção dos sentidos, nos registros que o sujeito fez do mundo, estes que são fontes de suas frazilizações. Isto envolve a organização psicológica do sujeito no decorrer de sua vida. Interferimos para recuperar ou romper um processo de frazilização que se apresenta como dificultador e ameaçador.

O trabalho educacional, por sua vez, antecipa qualquer frazilização do sujeito. É uma atuação que se faz para promover a capacidade de intervenção e de transformação do homem sobre o mundo cotidiano. È preciso que o sujeito seja pensado em sua inserção sociocultural e todas as suas capacidades e dificuldades sejam vistas da perspectiva histórica.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que as proposições da Psicologia Sócio-Histórica ligadas ao conhecimento do homem e sua subjetividade evidenciam a relação dialética do homem com a natureza constituindo o seu psiquismo, e que a consciência é constituída a partir dos próprios signos, de instrumentos construídos pela cultura e pelos outros, tornando-se instrumentos internos e subjetivos da relação do individuo consigo mesmo.

A atividade consciente do homem é motivada pelo surgimento da linguagem, constituindo-se um fator essencial na formação da consciência. Ela é tencionada por produtos históricos e pela subjetividade dos sujeitos, é social e ideológica, intersubjetiva e particular.

Portanto, a prática profissional em Psicologia Sócio-Histórica é voltada para a intervenção no processo psicológico, atuando para transformação no processo de registro do mundo que as pessoas fazem, para recriar sentidos e refazer projetos de vida, transformando a possibilidade de intervenção no mundo cotidiano.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BOCK, A.M.B., GONÇALVES, M.GM. e FURTADO, O. – Psicologia Sócio-Histórica. São Paulo: Cortez, 2001.

ANALÍTICS