terça-feira, dezembro 31, 2013

A CASTIDADE IMPOSSÍVEL, A LUXÚRIA MALDITA


Excelente palestra com o professor Luiz Felipe Pondé.


A CASTIDADE IMPOSSÍVEL, A LUXÚRIA MALDITA




A luxúria é um dos pecados mais sérios. Através dela nos perdemos na escravidão do desejo pelo corpo. A castidade (que não deve ser confundida com virgindade) é o correto uso do desejo pelo corpo. A imagem mais comum da perda da castidade é a pessoa que faz sexo sem amor, a mulher fácil, o homem promíscuo. No mundo contemporâneo, a luxuria se confunde com a liberdade sexual, mas passada a euforia, nos perguntamos: o excesso no sexo é sempre infeliz?

SER ARTISTA


SER ARTISTA

Mirian Lopes



Ser artista é antes de tudo ser humano. Ele sente, sofre, sonha, ri, chora, dúvida, se questiona, se angustia, desabrocha, derrete, ama, foge e se encontra. Ser artista é ser autêntico, ser estranho e ser comum ao mesmo tempo. Já dizia Oscar Wilde: “nenhum grande artista, vê as coisas como realmente são, caso contrário, deixaria de ser um artista”. O artista é aquele que viaja em várias dimensões sem que precise locomover-se geograficamente. É o que acolhe o sopro da criação para diluí-lo em múltiplas direções, formas e sentidos. O artista é instrumento por onde fluem o saber, a emoção, o impensado, o êxtase, a beleza, o impacto, os significados, o silêncio, o diferente, o vazio e o encontro consigo. Ele tem a sentença de eterno sonhador e deve aprender a conviver com o improvável, com a incompreensão, com os temores, com a dor, com a contradição dos sentimentos, com a ausência, com os limites, com as fragilidades, com as perdas, com as inquietações, com o sucesso e com os excessos. O artista pensa saber alguma coisa, mas, em seu exercício diário, descobre que é preciso mergulhar profundo para alcançar o que não sabe e o que não conhece, para então apaziguar seu ser. O artista é uma nascente abundante que alimenta os rios; os rios que fluem e seguem seu curso ao mar; o mar que assusta pela sua imensidão e que parece tocar o infinito, o Céu. O artista não escolhe ser o que é. Ele descobre o que é. Ele aprende a aceitar sua condição de ser muitos, no encontro com cada ser. O artista é a expressão do Criador do Universo, livre e cativo em si mesmo.

A ARTE DE ESCREVER


A ARTE DE ESCREVER
Mirian Lopes

Escrever é uma arte que exige coragem e ousadia, pois conduz-nos para um caminho novo e desconhecido. É um exercício que requer entrega, pois quem escreve dedica-se a fazer aquilo que não sabe. Digo que não sabe, pois ao se colocar diante da página em branco, depara-se com labirintos de dificuldades, o de iniciar suas primeiras linhas a partir de percepções ou do que lhe coloca em suspensão. 
Reconhecer-se como escritor é compreender e aceitar esta condição como um acontecimento, que ocorre através do conhecimento de si mesmo. Este nos conduz para um mergulho nos lugares mais profundos da alma e nos faz aceitar o ato de escrever como necessário. Faz-nos mais próximos da natureza para ver o que vivemos, o que amamos e o que perdemos. Um olhar que alcança as imagens, as lembranças, os lugares talvez invisíveis aos olhares menos atentos. Faz-nos compreender o sentido da solidão como condição por onde brotam as reflexões, as palavras. Escrever leva-nos para além dos limites da criação, e nos coloca em contato com o Universo. Contudo há de se considerar que escrever também é assumir e compreender o sofrimento que os outros não compreendem e talvez não tenham coragem para assumir. É uma missão compreender a condição humana, e carregar as dificuldades intocadas por muitos, o absurdo, o não possível, as angústias perdidas pelos corredores não existentes. O escritor é aquele ser que se comporta normalmente, pois gosta de muitas coisas, sobretudo de apreciar a vida, de tecer diálogos, de observar curiosamente o que pode alcançar de fato ou em seu imaginário. Por vezes, está sozinho. Quando respirando um transe criativo, parece não suportar ninguém ou ninguém o suporta, até que se chegue a uma resolução. O escritor não esconde suas fraquezas e não resiste em reconhecer seus defeitos e limitações, inclusive, se queixa de cansaço como qualquer outra pessoa. O escritor fica contente com o que escreve, ou pode considerar inútil, as linhas que rabisca no papel. Parece uma criança teimosa experimentando um brinquedo novo, procurando sempre uma maneira para alcançar o que deseja, o que a sua imaginação lhe indica. O escritor se apaixona e se dissolve no seu encontro com as palavras, procurando esculpir outras formas e sentidos para além destas na arte de escrever. Finalmente, a arte de escrever exige de quem escreve que este esteja despido de seus preconceitos e de seus temores, sobretudo de se colocar como uma carta escrita para os olhos daqueles que o poderão ler e tecer as mais distintas significações, das mais nobres até as menos importantes. Por tudo isso, escrever é mágico, pois transforma quem se submete ao exercício deste fazer, tanto para quem se aventura a partir da entrega do escritor, a dar continuidade ao enredo, ao contexto construído. Uma dádiva!

segunda-feira, dezembro 30, 2013

CAMINHOS IMAGINÁRIOS: O AMOR E O PRAZER

Meu primeiro ensaio publicado na PerSe, poesias e crônicas. Um percurso poético que teve início na adolescência com pequenas frases e rabiscos em papéis...E que ganhou forma, a partir de 2007...
Um prazer, permitir-se aventurar no mundo das palavras...Mais um projeto realizado.



sábado, dezembro 28, 2013

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CONCENTRAÇÃO EM TUDO O QUE SE FAZ

 "...deve-se aprender a ficar concentrado em tudo o que se faz, em ouvir música, em ler um livro, em falar com uma pessoa, em ver uma paisagem. A atividade do momento presente deve ser a única coisa que importa, a que merece plena entrega. Se se está concentrado, pouco importa aquilo que se esteja fazendo; as coisas importantes, assim como as sem importância, assumem nova dimensão de realidade, porque detêm a integral atenção da pessoa. Aprender concentração, exige que se evite, tanto quanto possível, a conversação trivial, isto é, a conversação que não é genuína. Se duas pessoas falam a respeito do crescimento de uma árvore que ambas conhecem, ou do gosto do pão que acabam de comer juntas, ou acerca de uma experiência comum em seu serviço, tal conversa pode ser importante, desde que elas experimentem aquilo de que falam e não tratem disso de maneira abstraída; por outro lado, uma conversação pode tratar de assuntos de política ou religião e, contudo, ser trivial; isto acontece quando as duas pessoas falam usando lugares-comuns, quando seus corações-não estão naquilo que dizem. Poderia acrescentar aqui que tão importante quanto evitar a conversação trivial é evitar as más companhias. Por más companhias não me refiro apenas a pessoas que sejam viciadas e destruidoras; deve-se evitar a companhia destas porque sua órbita é venenosa e deprimente.   Falo também da companhia dos zumbis, da gente que tem a alma morta, embora seu corpo esteja vivo; daqueles cujos pensamentos e conversas são triviais que tagarelam em vez de falar e que emitem opiniões estereotipadas em vez de pensar. Nem sempre, entretanto, é possível evitar a companhia de tal gente, e nem mesmo isso é necessário. Se não se reage de modo esperado — isto é, por “meio de lugares-comuns e trivialidades —, mas direta e humanamente, muitas vezes se verá que tais pessoas mudam seu comportamento, ajudadas pela surpresa que o choque do inesperado causou. Ficar concentrado em relação aos outros significa, antes de tudo, ser capaz de ouvir. Muitas pessoas ouvem as outras, e até dão conselhos, sem ouvir realmente. Não levam a sério o que a outra pessoa fala, nem também levam a sério suas próprias respostas. Em conseqüência, a conversação deixa-as cansadas. Têm a ilusão de que ficariam ainda mais fatigadas se ouvissem com concentração. A verdade, porém, é o oposto. Qualquer atividade, se feita de maneira concentrada, torna-nos mais despertos (embora depois sobrevenha um cansaço natural e benéfico), ao passo que qualquer atividade não concentrada nos deixa sonolentos — e ao mesmo tempo torna difícil adormecer ao fim do dia. Ficar concentrado significa viver plenamente no presente, agora, aqui, e não pensar na coisa seguinte a ser feita enquanto estou fazendo outra coisa neste instante. Desnecessário é dizer que a concentração deve ser praticada, acima de tudo, por pessoas que mutuamente se amam. Devem aprender a estar próximas uma da outra, sem fugir pelos muitos modos por que isso é costumeiramente feito. O começo da prática da concentração será difícil; parecerá que nunca se alcançará o alvo. Nem é mister dizer que isso implica a necessidade de ter paciência. Se não se sabe que tudo tem seu tempo, se se quer forçar as coisas, então, na verdade, nunca se conseguirá sucesso em ficar concentrado — nem na arte de amar. Para ter uma idéia do que é a paciência, basta que se observe uma criança aprendendo a andar. Ela cai, torna a cair, cai outra vez, e, no entanto, continua tentando, melhorando, até que um dia anda sem cair. Que não poderia o adulto realizar se tivesse a paciência da criança e sua concentração nos objetivos que lhe são de importância! Ninguém pode aprender a concentrar-se sem tornar-se sensível a si mesmo. Que significa isso? Deve alguém pensar acerca de si mesmo todo o tempo, “analisar-se”, ou o quê”? Se fôssemos falar em ser sensível a uma máquina, haveria pouca dificuldade em explicar o que isso significa. Qualquer pessoa que guie um automóvel, por exemplo, é sensível a ele. Mesmo um ruído pequeno, inabitual, é notado, como o é uma pequena alteração no arranque do motor. Do mesmo modo, o motorista é sensível às mudanças na superfície da estrada, aos movimentos dos carros atrás e à frente do seu. Contudo, ele não está pensando em todos esses fatores; sua mente está em estado de repouso alertado, aberta a todas as coisas de relevo na situação em que ele se concentra: a de guiar seu carro com segurança." 

Erich Fromm - Excertos do Livro A Arte de Amar páginas 85-86.

A ARTE DE AMAR - ERICH FROMM

"O amor não é, primacialmente, uma relação para com uma pessoa específica; é uma atitude, uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um “objeto” de amor. Se uma pessoa ama apenas a uma outra pessoa e é indiferente ao resto dos seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou um egoísmo ampliado. Contudo, a maioria crê que o amor é constituído pelo objeto e não pela faculdade. De fato, acredita-se mesmo que a prova da intensidade do amor está em não amar ninguém além da pessoa “amada”. Este o mesmo equívoco de que acima já falamos. Por não se ver que o amor é uma atividade, uma força da alma, acredita-se que tudo quanto é necessário encontrar é o objeto certo — e tudo o mais irá depois por si. Tal atitude pode ser comparada à de alguém que queira pintar mas, em vez de aprender a arte, proclama que lhe basta esperar pelo objeto certo, passando a pintá-lo belamente quando o encontrar. Se verdadeiramente amo alguém, então amo a todos, amo o mundo, amo a vida. Se posso dizer a outrem, “Eu te amo”, devo ser capaz de dizer: “Amo em ti a todos, através de ti amo o mundo, amo-me a mim mesmo em ti". Erich Fromm - A ARTE DE AMAR...



SUGESTÃO DE LEITURA:

A ARTE DE AMAR do psicanalista Erich Fromm

Sinopse

O renomado psicanalista Erich Fromm ajudou centenas de milhares de homens e mulheres a tornarem suas vidas ricas e produtivas desenvolvendo sua capacidades para o amor, até então irreveladas. Neste livro, admiravelmente franco e claro, ele explora as maneiras pelas quais essa extraordinária emoção pode alterar todo o curso de nossa vida. A maioria das pessoas não consegue desenvolver sua capacidade de amar no único nível que realmente importa - um amor constituído por maturidade, autoconhecimento e coragem. O aprendizado do amor, como o de todas as outras artes, exige prática e concentração. E, mais do que qualquer outra arte, exige prática e concentração. E, mais do que qualquer outra arte, exige insight e comprenssão. Neste livro surpreendente, o dr. Fromm aborda o amor sob todos os seus aspectos - não apenas o amor romântico, tão cercado de conceitos errôneos, mas também o amor dos pais pelos filhos, entre irmãos, o amor erótico, o amor-próprio e o amor por Deus.

A PAIXÃO VISTA PELO ENAMORADO - PSICANALISTA JURANDIR FREIRE COSTA

Neste vídeo o psicanalista Jurandir Freire discute a dinâmica emocional do estado amoroso.


A SEPARAÇÃO DOS AMANTES - FLÁVIO GIKOVATE

"O amor é o sentimento que se tem pela pessoa cuja a presença provoca em nós a sensação de paz, aconchego  e tranquilidade, ou seja, completude que nos falta quando estamos sozinhos, em outra palavras, o amor é o que nos tira do desgosto da solidão". Flavio Gikovate 


quinta-feira, dezembro 26, 2013

BAÚ DE TESOUROS

BAÚ DE TESOUROS

Mirian Lopes

Aqueles corpos sagrados tornaram-se abrigo. Desde então, foram transformados! Estavam sem viço e adormecidos, mas, do longo sono foram despertos. A suavidade do toque daquelas mãos os faziam desabrochar, como as flores na primavera. Somente elas portavam o segredo chamado "despertar", e traziam vigor para a pele, tal como o frescor da chuva a cair sobre a grama, cheiro de terra molhada! Os beijos quentes salpicados pelo corpo refletiam nos olhos, o brilho inconfundível: sentiam-se amados, sentiam-se plenos. Apenas um sopro de vida era capaz de enlevá-los e transformá-los, Rei e Rainha para o Reino de Amor!

Naquele tempo, gotas tocaram seus lábios: uma poção mágica. Desde então, permaneceram encantados! E toda a beleza daquele instante fora guardada no Baú de Tesouros, em algum lugar do coração. Finalmente, encontrou a chave para abri-lo, e cuidadosamente passeou com os olhos por cada relíquia. Lá estava o delicado brinco de cristal, outrora perdido; o nome escrito na pele com tinta vermelha-homenagem; os olhos desenhados à lápis preto, à sua maneira, contornando o mistério entre eles; uma face enigmática à procura de emoção; um rabisco de mãos entrelaçadas num pedaço de papel, simbólico; uma obra de arte construída a partir de cenários recortados desde a Pinacoteca até a audição barroca "Sento Nel Core", de Scarlatti, simplesmente singular! Imagens flutuantes e vivas, redesenhadas na alma. Contínuas transformações...  

CALIPSO E O NAVEGANTE


CALIPSO E O NAVEGANTE
Mirian Lopes

O sabor da uva Mavrodaphne na pele é incendiário! Vinho que cai lentamente sobre os desalinhados cabelos. Escorre sobre a face corada a deslizar pelos cálidos lábios. Percorre o desenho curvilíneo do corpo! 
Aquele olhar perspicaz e belo, o alcança, o domina inteiramente. Há como escapar? Não. É mesmo estonteante! Então, os fortes braços a envolvem... 
Com sofreguidão os lábios se encontram numa sincronia perfeita! É preciso fôlego se destinados estão a se derreterem de amor! 
Onde estão? No mar... Calipso e o Navegante, mergulhados nas águas profundas e na doçura que a natureza nunca há de negar! A ninfa do mar a mirar o barco de seu amado, nas encostas da pequena ilha...

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Calipso (do grego antigo Καλυψώ) na mitologia grega é uma ninfa do mar. Segundo Hesíodo seria uma das Oceânides filhas dos titãs Oceano e de Tétis, e vivia em uma gruta, na encosta de uma montanha na ilha de Ogígia. No texto da Odisseia, atribuído a Homero, quando Odisseu (Ulisses) naufragou na costa da sua ilha, Calipso acolheu-o em sua morada e por ele se apaixonou. Passava os dias a tecer e a fiar, e neste tempo insistia em seduzi-lo, oferecendo-lhe inclusive a imortalidade se aceitasse ficar com ela para sempre. Fonte: Wikipedia.

Uva Mavrodaphne, da Grécia, da qual se produz um vinho intrigante tinto doce de sobremesa, uma especialidade do norte do Peloponeso. Um vinho que combina com chocolate. Fonte: Mistral

segunda-feira, dezembro 23, 2013

CALÍOPE E A CANÇÃO

Mirian Lopes


Calíope canta suavemente a canção...
Um belo anoitecer e amanhecer para ti. Sinto muito, Oh! Apolo, pelas últimas notas desta composição.
Que equívoco há no tempo e nas pontuações irrelevantes, como você prefere, assim dizer! O caminho é mesmo solitário e talvez seja somente meu.
Oh! Apolo, talvez falte harmonia em alguns aspectos deste compasso. Talvez tenhas muitos afazeres no Olimpo, que não possas dedicar alguns minutos do teu sagrado tempo para ouvir canções essencialmente apaixonadas.
Em algum lugar, enquanto sonhava, cantei numa inesquecível entrega. Porém, uma pausa se pronunciou quando a corda da Lira se soltou...
Esta canção, como cantá-la? O Olimpo não alcancei... Você compreende a impossibilidade de alcançá-lo. És Apolo. Convenço-me disso. Sou Calíope e pergunto:  Por que a melancolia desta canção? Ela nasce de amar cegamente.
Oh! Triste canção, só a pausa inscrita. Como a corda da Lira religar? Sem solução. Linhas silenciosas serão gravadas na pauta. Uma canção inacabada que expressa o lirismo do amor e da beleza. 

Oh! Apolo  não me aflijas mais.  Desça do Olimpo!

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Apolo: foi uma das divindades principais da mitologia greco-romana, um dos deuses olímpicos. Filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis, possuía muitos atributos e funções, e possivelmente depois de Zeus foi o deus mais influente e venerado de todos os da Antiguidade clássica. As origens de seu mito são obscuras, mas no tempo de Homero já era de grande importância, sendo um dos mais citados na Ilíada. Era descrito como o deus da divina distância, que ameaçava ou protegia desde o alto dos céus, sendo identificado como o sol e a luz da verdade. Fazia os homens conscientes de seus pecados e era o agente de sua purificação; presidia sobre as leis da Religião e sobre as constituições das cidades, era o símbolo da inspiração profética e artística, sendo o patrono do mais famoso oráculo da Antiguidade, o Oráculo de Delfos, e líder das Musas. Era temido pelos outros deuses e somente seu pai e sua mãe podiam contê-lo. Era o deus da morte súbita, das pragas e doenças, mas também o deus da cura e da proteção contra as forças malignas. Além disso era o deus da Beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão, o iniciador dos jovens no mundo dos adultos, estava ligado à Natureza, às ervas e aos rebanhos, e era protetor dos pastores, marinheiros e arqueiros.

Calíope: foi a musa da poesia épica, da ciência em geral e da eloquência e a mais velha e sábia das musas, e é considerada por vezes a rainha destas. É representada por uma figura de donzela de ar majestoso, coroada de louros e ornada de grinaldas, sentada em atitude de meditação, com a cabeça apoiada numa das mãos e um livro na outra, tendo, junto de si, mais três livros: a Ilíada, a Odisseia e a Eneida. Em outras representações, traz como atributo um rolo de pergaminho e uma pena.

Fonte: Wikipédia.

sábado, dezembro 21, 2013

POESIAS DE FLORBELA ESPANCA

SE TU VIESSES VER-ME...
Florbela Espanca

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca...o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte...os teus abraços...
Os teus beijos...a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...




MISTÉRIO
Florbela Espanca

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados
Dizendo coisas que ninguém entende
Da tua cantilena te desprende
Um sonho de magia e de pecados

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e acende
Frases que a nossa boca não aprende
Murmúrios por caminhos desolados

Pelo meu rosto branco sempre frio
Fazes passar o lúgubre arrepio

Das sensações estranhas dolorosas...

Filme: Florbela - Os Amores de Florbela Espanca - 2012



Um filme interessante sobre a vida da poetisa portuguesa, Florbela Espanca, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente. Uma mulher forte e determinada que escreveu o que sentiu, o que amou, o que sofreu. 


REALIDADE
Florbela Espanca
Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho
E a minha rubra boca apaixonada
teve a frescura pálida do linho.

Embriagou-me o teu beijo como vinho
Fulvo de Espanha em taça cinzelada
E a minha cabeleira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho.

Minhas pálpebras são cor de verbena
Eu tenho os olhos garços, sou morena
E para te encontrar foi que eu nasci

Tens sido vida fora o meu desejo
E agora que te falo que te vejo
Não sei se te encontrei, se te perdi.

domingo, dezembro 15, 2013

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM TDSH?

Por Mirian Lopes


De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR), 4ª edição, revisado, o Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) é uma deficiência ou ausência de fantasias sexuais e desejo de ter atividade sexual (Critério A). Esta disfunção sexual pode ocorrer tanto em homens quanto mulheres. 
O TDSH tem sido muito referido por mulheres, o que conduz a uma revisão do conceito de resposta sexual feminina. O modelo proposto por Basson (2000) é constituído pelas fases de desejo, excitação, orgasmo e resolução ou relaxamento, com o diferencial de que as respostas femininas resultam mais da necessidade de intimidade do que propriamente de uma estimulação sexual física. Assim sendo, a motivação para que as mulheres tenham atividade sexual costuma se basear em recompensas, não necessariamente sexuais, como a intimidade, o contato, o desejo de agradar o parceiro. 
A autora afirma que a mulher pode sair de um estado de neutralidade sexual e motivada pela recompensa da intimidade emocional e do bem estar do parceiro, ativar voluntariamente seu ciclo de resposta sexual, ficando receptiva a certos estímulos que possam despertar o desejo erótico. 
Tratar o TDSH feminino é um desafio visto que sua etiologia é muito variada. Segundo Leiblum (2010) alguns fatores contribuem para o desinteresse sexual, são: 
os fatores biológicos (desequilíbrios hormonais, medicamentos e seus feitos colaterais, doenças crônicas, etc); 
fatores do desenvolvimento (ausência de educação ou permissão sexual, infância e adolescência marcadas pela privação emocional, física, verbal ou afetiva, trauma ou coerção sexual); 
fatores psicológicos (ansiedade, depressão, transtornos de apego e da personalidade); fatores interpessoais (conflitos, insultos, perdas no relacionamento e incompetência ou disfunção sexual do parceiro); 
fatores culturais (questões morais e crenças religiosas ou culturais relativas a conduta sexual apropriada); 
fatores contextuais (aspectos ambientais, como privacidade, segurança e conforto com a vizinhança). 
De acordo com esta autora, os problemas do desejo são considerados às vezes produtos de uma variedade de fatores predisponentes (timidez vs. Impulsividade, variações ou deformidades anatômicas, inibição vs. Excitação); 
fatores desenvolvimentais (exposição a violência física ou sexual, experiências sexuais precoces negativas, entre outras); 
fatores precipitantes (estressores do estágio da vida, como divórcio, infidelidade, menopausa, abuso de substância ou experiências humilhantes ou vergonhosas); fatores perturbadores (estresse contínuo, fadiga, conflito de relacionamento ou preocupações com a imagem corporal). 

Sandra R. Leiblum. Tratamento dos Transtornos do Desejo Sexual: Casos Clínicos, 2010.
Rosemary Basson. The female sexual response: a diferente model. Journal of Sex & Marital Therapy, v. 26, p. 51-65, 2000.

sábado, dezembro 14, 2013

OS NOVOS LÍDERES DO SÉCULO 21: UM NOVO CONCEITO DE LIDERANÇA?


Por  Pablo Vasconcelos – Artigo apresentado no IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO (20, 21 e 22 de junho de 2013).

Resumo: O Objetivo deste trabalho é desenvolver conceitos sobre o perfil de um líder moderno, tendo como referência a via democrática em contraposição ao modelo autoritário de gestão nas corporações, ao mesmo tempo em que se apresenta as mudanças de perspectivas de liderança ao longo da história. Pretende-se diagnosticar as diferenças entre líder e chefe dentro de uma empresa, identificar as qualidades de um jovem líder do século XXI e o seu perfil bem-sucedido. Para tanto, será utilizada pesquisa bibliográfica, tendo como referência autores ligados à administração pública.
Palavras-chaves: Líder, empresa, perfil, chefe, gestão.

1. Introdução

Em artigo publicado no jornal o Globo, em março de 2013, o jornalista Arnaldo Bloch dedicou sua coluna semanal ao tema liderança mundial. No texto intitulado “Quem é o líder”, ele propõe que o mundo está sentindo falta de grandes líderes seja no âmbito do Estado ou mesmo ligados a movimentos de contestação social a exemplos de Ghandi e Martin Luther King, ambos citados pelo autor. Se no contexto mundial, há uma ausência de importantes lideranças, como sugere o Bloch, no campo das organizações, há uma série de novos e já renomados jovens líderes surgidos nas últimas décadas que levaram junto com eles suas empresas ao sucesso.  Alguns dos novos nomes tiveram admirável influência nas economias mundiais. Apenas para citar alguns: os americanos Bill Gates, dono da Microsoft; Mark Zuckerberg à frente do Facebook, que movimenta bilhões de dólares. Não por acaso, o líder, dono da rede social mais famosa do planeta mereceu um filme hollywoodiano que abordou desde sua trajetória – controversa para alguns - de estudante universitário até se tornar mundialmente famoso e milionário.  
Dentro do cenário acima citado, o presente trabalho pretende examinar as principais características dos novos líderes e suas funções nas empresas. Antes, no entanto, serão abordados alguns conceitos amplos de liderança. Em seguida, será traçada as diferenças entre líder e chefe. Logo após, a distinções entre líderes mais jovens e os mais experientes serão destaque, apontando para o que identifica a nova geração de guias de homens e mulheres e o que estes podem aprender e/ou ensinar aos líderes mais velhos. Ou será que tem algo para passar aos líderes anteriores. Para tanto, será apontada também a liderança nas grandes corporações ao longo do século XX.

O QUE É LIDERANÇA

Para Andrade (2003), a liderança não é simples, mas plural. Está associada a diferentes ocasiões. Segundo o autor, “é um processo de influenciação social que ocorre em circunstâncias, momentos e níveis nos mais diversos. São tão variados os fenômenos de liderança que se torna lícito indagar se de fato se trata de um só tipo de ocorrência. Eles se manifestam em microgrupos, como no caso de famílias, equipes de trabalho e grupos de amigos, mas também no âmbito dos processos societários e no das complexas relações internacionais” (p.35).
Em caminho semelhante Jordão (2004) assinala que a verdadeira liderança fundamenta-se em propósito, visão e valores. Portanto não é uma qualidade que possa ser racionada ou controlada. O autor acrescenta que: "os líderes têm como missão guiar a organização e desenvolver outros líderes. Buscando isso, o líder se destaca, acima de tudo, influenciando as pessoas. Liderar é um fenômeno social". Bennis (2004) segue o raciocínio: A liderança sempre existiu e ao defini-la verifica-se que está ligada a um fenômeno grupal, consiste em uma influência exercida intencionalmente por parte do indivíduo que lidera sobre as outras pessoas. O processo de liderança tem mão-dupla. Não abrange apenas o cargo de líder, necessita da cooperação das pessoas, e o objetivo final só se concretizará se as ações pretendidas pelo líder forem assimiladas e correspondidas pelos subordinados (p.29).
Segundo Andrade (2003), o tema merece destaque tanto para psicólogos quanto aos sociólogos. Por isso, é necessário criar distintos conceitos a cerca de liderança, pois são diferentes os pontos de vista das áreas de interesse. Ele cita dois. São eles: a primeira diz respeito às “ideias de liderança e dominação. A última é um processo baseado na força física, se sexo e idade em que os animais de espécies infra-humanas exibem seu poderio e subjugam outros do mesmo grupo” (p.37). Mas ele lembra que a liderança é uma consideração que mais se aplica à espécie humana, e nas relações interpessoais. O autor afirma que, basicamente, liderança lembra alguém capaz de movimentar outras pessoas em torno de suas ideias, crenças, comportamentos. Mas não apenas isso: o líder também é capaz de organizar, orientar outros indivíduos para ações que ele deseja atingir. Andrade (2003) diz ainda que é preciso fazer outra distinção: líder e estilo de liderança. O autor explica que líder cabe para a pessoa “no grupo à qual foi atribuída, formal ou informalmente, uma posição de responsabilidade para dirigir e coordenar as atividades relacionadas à tarefa. Sua maior preocupação prende-se à conquista de algum objetivo específico do grupo” (p.37). Já a forma como um alguém numa posição de líder “influencia as demais pessoas no grupo é chamada estilo de liderança” (p.37).
Penteado (1986) menciona a definição do dicionário Webster para líder. Segundo o glossário: "líder" vem do Inglês "leader", por sua vez oriundo do antigo celta, e cujo significado é, conforme aquele dicionário, "a person who goes before to guide or to show the way or one who precedes or directs in some action, opinion or movement "- "a pessoa que vai à frente para guiar ou mostrar o caminho, ou que precede ou dirige qualquer ação, opinião, ou movimento" (p.1). Para este autor, é necessário entender líder como aquele que influencia tanto positiva quanto negativamente ao seu redor. "Estaremos diante de um líder toda vez que o observarmos ou sentirmos não apenas se destacar no grupo, mas, e principalmente, influenciar o grupo" (p.2). Sendo assim, segundo Penteado (1986), não é possível imaginar um homem só líder dele mesmo. Isso porque "a liderança é um fenômeno social, expressão que implica na existência de uma sociedade e de um ambiente" (p.4). Ou, ainda, "não bastam certas qualidades de liderança para ser um líder. A liderança, segundo o autor, é um desempenho da situação, da cultura, do contexto e dos costumes, tanto quanto é uma função de atributos pessoais e estrutura de grupos. É a combinação equilibrada de três elementos vitais e dinâmicos: o indivíduo, o grupo e a situação” (p. 11). Tem-se também Coveye (1989) para quem Liderança é a intersecção entre o conhecimento, habilidade e o desejo.
No aspecto organizacional, liderança para Hunter (2004) é: “[...] a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.” (p.43). Maxwell (2007) chama atenção para liderança entre gerenciamento e liderança. Segundo ele, liderança forma um conjunto de fatores, tais como: mais pessoas do que projeto; mais movimento do que manutenção; mais arte do que ciência; mais intuição do que fórmula; mais visão do que procedimento; mais risco do que cuidado, mais ação do que reação; mais relacionamentos do que regras e, principalmente, mais quem é você do que o que você faz.  No mesmo caminho, Gaudêncio (2007) diz que o líder deve focar o mundo externo ao tempo que o gerente deve mirar o cenário interno da organização, procurando tornar alcançáveis as ideias do líder. Ou seja: “organizando a estrutura, alocando recursos e mantendo o controle operacional. Líderes lidam com visões inspiradoras e gerentes com sistemas de avaliação de desempenho, planos e orçamentos” (p.33).
Para Penteado (1986), o processo da liderança implica no “modo de agir”, portanto, toda a problemática da liderança está em quando empregar qual processo e com quem. Portanto, cada líder exerce sua autoridade de uma maneira particular, de acordo com seus traços primários, que podem ser: o tirano, o ditador, o comandante, e o líder (p. 75).
Junior (2009) explica que um novo conceito de liderança vem sendo aplicado em vários países ultimamente e tem o nome de liderança servidora. Mas ele adverte que este conceito é exatamente o oposto ao que poderia indicar o nome. Ou seja, baseado no poder e individualismo. Servidora aqui se refere em colocar o coletivo acima do individual, a autoridade sobrepondo-se ao poder. Ele diz que trata-se de um novo conceito de liderança que busca o estabelecimento de relações de cooperação e confiança entre líderes e subordinados. Completa o autor: “servir neste caso, nada tem a ver com ser subserviente, obedecer a ordens ou realizar as vontades dos liderados, mas sim com satisfazer suas reais necessidades de segurança e bem estar para que eles possam atingir as metas estipuladas”. A liderança servidora sustenta a ação coletiva, sem abandonar as necessidades individuais de forma alcançar os resultados desejados. Ainda segundo Júnior (2009): “Em essência, o líder não trabalha para a Empresa, trabalha para os seus Liderados. Estes sim é que trabalham para a Empresa, são eles que produzem os resultados”. Para Tanaka (2013), a verdade em se tratando de liderança é que cada indivíduo pode fazer a diferença. Ninguém deve ser subestimado. Segundo ele, “ao contrário do que muitos possam pensar, a liderança é uma qualidade que está acessível a qualquer pessoa que esteja determinada a mudar o status quo e não apenas a determinados escalões hierárquicos superiores”. Já para segundo Lewin (apud PEREIRA, 2004), para ser um líder, para o bem ou para o mal, é preciso escolher uma entre as três características relativas ao processo do exercício da liderança: Liderança Autocrática, Liderança Democrática e Liderança Liberal. Vejamos o que elas  representam de acordo com a opinião do autor: 
Liderança Autocrática: o líder manda, ou seja, exige obediência, e na qual compete a ele, líder, delinear as regras de ação e tomar as decisões. Não admite erros, nem ouve outras opiniões que diferem das dele.
Liderança Democrática: esta se define pela ideia de que o líder consulta, extrai ideias e sugestões do grupo, que, por sua vez, é encorajado a participar das deliberações e a traçar objetivos comuns. O líder é um elemento de composição e estímulo.
Liderança Liberal: em que o líder sugere, comporta-se como um centro de informações ao grupo, que dispõe de ampla liberdade de movimentos, decidindo, das regras aos objetivos. Resumo: o líder ministra os meios e as facilidades.
Andrade (2003) destaca a liderança democrática participativa como estilo importante para uma gestão comprometida com o trabalho e com as pessoas envolvidas. Segundo ele, “neste estilo de liderança, todo o grupo pode e deve contribuir com sugestões. A responsabilidade do líder, dirigir estas opiniões para que, na prática, atinjam os objetivos esperados” (p.40).
Andrade (2003) diz ainda que o líder, com o seu conhecimento, deve incidir sobre pontos difíceis e ideias que já foram testadas no passado, sem obter sucesso. A expectativa é fazer com que o grupo entenda que atingir objetivos é responsabilidades de todos e não apenas do líder.

LÍDER E CHEFE

Comandar, liderar, demandar, tudo isso como dito acima, pode ser resultado de uma conquista ou apenas de uma circunstância de estar numa posição de superioridade perante alguns subordinados. Por isso, alguns autores fazem a delimitação entre os dois termos. Para Andrade (2003), ser líder é assumir riscos; ter auto-reflexão humilde; é solicitar opiniões; ouvir cuidadosamente e ter abertura a novas ideias; porque o processo de mudança se dá de forma diferente nas pessoas e nas organizações. “Portanto, chefes são diferentes de líderes. A função da liderança, completa ou autor, é comprometer, avaliar, mensurar e, principalmente, confiar delegando responsabilidades” (p.36).
O autor acrescenta que “no fundo, a chefia é um poder nominal, ao passo que a liderança se manifesta num circuito sócio-cultural muito mais amplo” (p.36). Ainda de acordo com o autor, o chefe hierárquico explica o seu domínio por meio do seu emprego e de seus contatos ou "ligações". Já o líder tem seu poder através das suas habilidades e competências “para fazer com que todos dêem o melhor de si para o resultado final” (p.47). Para um dos líderes da General Eletric, Jack Welch, existem traços de líderes que são natos e outros que podem ser treinados e desenvolvidos (nascimento, 2005). Covey (2002) nota que as pessoas, os “liderados”, valorizam a “ética do caráter”, que significa que um “líder” precisa ter coragem de assumir riscos, ser honesto e cumprir o que se propôs. Mas, o autor ressalta que diversos “lideres” enfatizam a “ética da personalidade”, importando-se apenas em criar uma imagem e usar expressões de impacto.
Muitos estudos, segundo Nascimento (2005), como a da Revista Fast Company, Public Allies – grupo sem fins lucrativos voltado à formação de jovens lideres, apontam a importância da habilidade em lidar com pessoas. O que se percebe, diz a autora, é que quanto mais “alto” um executivo chega na escala corporativa menos utiliza suas aptidões gerenciais e técnicas. Um erro, segundo Nascimento (2005), pois liderança, para ela, é uma “competência” aspirada por todos os profissionais que assumem cargos gerenciais e que lidam com equipes de trabalho, que precisam “pensar” estrategicamente e administrar mudanças. A autora completa, citando Kwasnicka (1989):
Dentro da organização a liderança estabelece os objetivos, onde para melhor compreensão, apresenta-se as tarefas do líder: definir a missão institucional, dar forma institucional ao objetivo, definir a integridade institucional e administrar o conflito interno. Portanto um líder pode aparecer dentro de uma organização de onde menos se espera. Qualquer pessoa pode deixar fluir de dentro de si, um líder que esteve guardado por muito tempo, em uma determinada situação peculiar ou extraordinária e inusitada, frente a uma dificuldade (Nascimento, 2005, p.17). Segundo Júnior (2009), ser líder é: “é ser capaz de conseguir que uma ou mais pessoas mova-se no sentido de um resultado comum”. Recai, portanto, segundo Cunha et al (2009): “sobre as mãos do líder o desafio de aumentar a produtividade das pessoas, estimular o comprometimento e eficiência, e o estabelecimento de equipes de trabalho altamente eficiente e eficazes” (p.14)
Na opinião de Cunha et al (2009):
Para ser um bom líder é necessário antes de tudo, entender a sua finalidade, o porquê da sua existência para o grupo e para a organização. Entender o seu papel é fundamental para que o líder crie um ambiente de sucesso. Para isso é importante ter virtudes e algumas são primordiais, tais como: eficácia (levar o grupo a atingir objetivos e metas definidos pela organização), saber ouvir (ouvir atentamente os seus liderados, filtrar os assuntos importantes e deixar que as melhores ideias prevaleçam, criando assim um ambiente de inovação), saber delegar tarefas (não centralizar tudo, saber delegar é praticar a confiança no grupo) e desenvolver o grupo e contribuir para o desenvolvimento de cada indivíduo do seu grupo, formar líderes e sucessores (p.2). 
Duarte (2000, apud Gaspar e Portásio, 2009) lembra que existem várias denominações do líder, muitas vezes, este é chamado de chefe, coordenador, gerente, patrão, dono do capital, encarregado, mestre, empresário, superintendente, monitor, e tantos outros adjetivos, que lhe são empregados tanto para o bem quanto para o mal. Porém, ele afirma, que nem todo chefe é um líder e vice-versa. O autêntico líder levará sua equipe a atingir objetivos com maior eficiência e eficácia, mantendo-a sempre esforçada, motivada e convicta de estar trabalhando por uma causa justa e necessária (p.28).

MUDANÇAS DE CONCEPÇÃO AO LONGO DA HISTÓRIA


Os padrões atuais de perfil de liderança nas empresas não são obras do acaso. Eles são frutos de períodos históricos, das relações público/privado de acordo com as transformações do capitalismo no que diz respeito aos sistemas de administração. Gaspar e Portásio (2009) informam que os primeiros estudos relativos à liderança ocorreram antes mesmo da época da burguesia, uma vez que nessa época já havia o controle de grupos voltados ao cumprimento de certas tarefas. Suas práticas ocorriam em sistemas não capitalistas e davam grandes resultados.
No século XVIII, com o aparecimento do amplo salto tecnológico e os sinais de fortalecimento do capitalismo e advento da Revolução Industrial, estas práticas foram reforçadas, irrompendo-se numa dinâmica própria de constantes buscas de aumento de capital investido. Os grupos começaram a se reunir e foram sentindo uma necessidade muito grande de coordenação, que organizasse as operações, priorizasse ações e delegasse responsabilidades (Jordão, 2004).
Gaspar e Portásio (2009) indicam que, com o passar do tempo, houve uma evolução da função gerencial para a supervisão do trabalho, estabelecendo, desta forma, um sutil controle do capitalismo. Segundo os autores, o Gerente Profissional (assalariado) passou a existir com o capitalismo industrial e firmou-se a partir da inviabilidade de uma empresa ser gerida por membros da família. O resultado, assinalam, foi que a evolução das empresas acabou por dar raiz às estruturas hierárquicas, especialização de funções, profissionalização e superioridade do gerente profissional na gestão. Marques (1994) explica que o conceito de comando e controle nasceu das organizações militares, que dividiam as tarefas de forma organizada, sendo este termo em seguida, transportado para o ambiente empresarial.
No início do século XX, a dinâmica do capitalismo estava voltada para a industrialização, a grande produção utilizando os trabalhadores à exaustão – com jornadas de trabalho que chegavam a superar 15 horas diárias. Este modelo de gestão, conhecido como fordismo, colocava o trabalhador das grandes fábricas como mero executor de movimentos repetitivos em uma única tarefa. Erguido em nome do progresso, o método buscava a concepção de produção acelerada em um curto espaço de tempo. Dentro desta compreensão, o trabalho era fragmentado ao extremo. Além disso, havia a hierarquização da organização e o tempo de produção, passou a ser cronometrado. Ou seja, o empregado precisava realizar sua tarefa no menor tempo possível. A norma era sistematizar e não perder tempo. Se os empregados mal tinham condições de trabalho, muito menos de opinar sobre suas tarefas. Um exemplo de Liderança Autocrática. Essa forma de administrar exerceu influências em diferentes segmentos da administração. A produção em massa, característica do fordismo, no entanto, começou a esfriar a partir da metade da década de 1960. Segundo Pereira (2006), no tocante à forma de gestão, a concepção autoritária começou a dar lugar aos questionamentos originários de diferentes correntes e pensadores no sentido de superar a rigidez no trato com os profissionais. Gaspar e Portásio (2009) esclarecem que os anos 1980 marcaram o momento em que a filosofia e os princípios de qualidade e produtividade iniciaram seu processo de expansão, ameaçando pirâmides organizacionais e as práticas administrativas apoiadas no princípio da autoridade/subordinação a elas associadas.
Chiavenato (2003) também lembra que foi nessa ocasião que o coaching, um misto de recursos e técnicas que funcionam em ciências do comportamento (psicologia, sociologia, neurociências), surgiu nos Estados Unidos para ocupar o lugar da gestão arrogante. Segundo o autor, desde o início o coaching assumiu a função de facilitar o processo de mudança para formas de administrar menos severas, uma opção que até o momento era comentada pelos teóricos, no entanto jamais antes exercida.
Na opinião de Bennis (2004), no ambiente empresarial atual ocorre um ritmo agitado, impaciente e de muitas mudanças. Novos valores são despontados como autoestima, responsabilidade individual e uma cultura empresarial que valoriza a capacidade para se arrumar emprego, ou seja, maneiras "comando e controle" de gerencial foram substituídas.


LÍDER MODERNO ATUAL


Em função da evolução dos processos de gestão empresarial, no final dos anos 1990, se deu início à valorização a figura do líder. Atualmente, essa característica não é mais considerada como um diferencial, mas como algo necessário para o sucesso de um bom profissional nessa posição e a nova tendência em gestão (Gaspar e Portásio, 2009). Mas não de pode deixar de observar algumas diferenças fundamentais, sobretudo por causa da influência das novas tecnologias e da internet. Quanto aos líderes da atualidade, Bennis (apud BISCAIA: 2004), aponta que o perfil destes caracteriza-se por serem mais instrutores, microadministradores, e exigem mais compromisso e menos submissão, aplicam-se na qualidade e no serviço ao cliente.
O autor ainda afirma que, “o líder torna as ideias tangíveis e reais. Não importa quão maravilhoso seja a visão, o líder eficiente deve usar uma metáfora, uma palavra ou um modelo para tornar tal visão clara para os outros”. Para o autor, o tema Liderança, para o consultor Warren Bennis, se constitui na sua grande área de reflexão e estudo, sua "cachaça". Para ele, as empresas hierarquizadas e burocráticas terão grandes dificuldades em se readaptar às mudanças tão aceleradas dos tempos atuais. A chave da vantagem competitiva de qualquer organização, hoje em dia, é, segundo Bennis (apud BISCAIA: 2004), sua capacidade de criar uma estrutura ágil, flexível, compacta, interativa e capaz de gerar capital intelectual. Ele cita um tripé no qual o verdadeiro líder, em sua opinião, deve se apoiar: ambição/drive; conhecimento/especialização e integridade. Determinar o perfil e o padrão adequado da personalidade do líder é uma tarefa difícil e discutível. Porém, caracterizá-lo por suas qualidades e defeitos é mais adequado, pois o tipo de personalidade do líder depende dos referentes e adquire a significação do contexto onde está inserido. (PENTEADO, 1986 : 14).
Cunha et al (2009) indicam que na sociedade atual, baseada na era da informação, é natural que o perfil de líderes mude em relação ao passado mesmo que um passado recente. Segundo os autores, “com a chegada da globalização e o surgimento de novas tecnologias como a internet, barreiras como distância e línguas não são mais empecilhos para qualquer tipo de negociação comercial entre as corporações ao redor do mundo” (p.10). Eles apontam que o acesso fácil ao conhecimento estimula por tabela a competição e a concorrência entre as organizações, e esta tendência cresce em velocidade cada vez maior. Os fatos, segundo os autores, pedem que as empresas mudem em seus conceitos, uma vez que não se pode ignorar novas lideranças, oriundo da internet. “A lentidão tradicional encontrada em vários níveis gerenciais pode ocasionar perda de oportunidades” (p.10).
Para Gaspar e Portásio (2009), a velocidade com que as coisas modificam na contemporaneidade manda o aprendizado de coisas novas, “direcionando o desenvolvimento de novos métodos de trabalho e de novas posturas diante dos clientes, buscando cada vez mais um diferencial para vencer a competitividade do mercado” (p.34).
Para KRAMES (2006): “No mundo globalizado, o tempo é um ativo cada vez mais fluido. Pequenos atrasos ou indecisões podem levar uma empresa a ser excluída do próprio mercado” (p.28). O autor acrescenta: “outra mudança importante na abordagem gerencial é a perspectiva de resultados. Antigamente focava-se principalmente nos produtos e nos serviços entregues. Hoje, o foco de interesse passa para as pessoas” (p.28).
Na opinião de Cunha et al (2009), os funcionários são hoje apreciados como ativos mais preciosos da empresa e para tal torna-se necessário adotar políticas de gestão que estimule trabalho, aprecie as diferenças, propicie premiações e maximize a utilização dos recursos humanos de forma otimizar os resultados alcançados pelas empresas. “Não basta apenas deter e reter conhecimentos. Torna-se necessário desenvolver novas técnicas para aplicar eficientemente os novos e constantes conhecimentos adquiridos” (p.11).
Ainda nesse caminho, os autores apontam que recompensar resultados é uma das formas de motivação para as pessoas as pessoas e conseguir com que elas superem seus objetivos. A recompensa pode surgir de diferentes maneiras, uma nominação formal, um agradecimento em público, uma promoção, mas independentemente de como ela será realizada, todo líder de sucesso tem em mãos um instrumento poderoso para sacar o máximo de seus subordinados: o diálogo.
Segundo MATTAR (2009), “O importante agora, e daqui para frente, é ter pessoas que maximizem o uso do capital e que saibam gerar, desenvolver e aplicar conhecimentos, métodos e tecnologias, notadamente às relacionadas com o ser humano, de como tornar as pessoas motivadas para atingir os objetivos organizacionais” (p. 34). Neste contexto, segundo o autor, o gestor de pessoas, ou líder, assume um papel fundamental, extraindo o máximo de seus recursos humanos, maximizando o conhecimento e habilidades disponíveis, definindo e acompanhando metas, e motivando de forma a alcançar os objetivos e as metas pré-estabelecidas. Nos dias de competitividade e extensa comunicação, não mais é suficiente selecionar ou reter os melhores profissionais, é de fundamental importância a presença de uma liderança democrática que estimule o trabalho em equipe, trace metas e estimule o trabalho.
Cunha et al (2009) citam como mais outra característica essenciais dos líderes de sucesso no século XXI é a disposição para adaptação a mudanças. “As políticas que funcionaram no passado e no presente não necessariamente trarão resultado no futuro” (p.12). De acordo com os autores, líderes de sucesso conseguem reconhecer isto e se adaptar. KRAMES (2006) analisa que o processo de mudança não é simples e faz com que a maioria das pessoas crie barreiras a este processo. O verdadeiro líder consegue estimular as pessoas a se adaptarem durante as fases de mudança, sendo um agente ativo neste processo. “O líder precisa ter a capacidade de acompanhar as tendências e estimular o processo de mudança dentro de suas equipes”. KRAMES (p.60). E acrescenta: “colaborador que tiver a capacidade de enxergar a mudança como uma oportunidade, não como um problema, terá maior sucesso na carreira do que seus colegas conservadores, que temem qualquer novidade” (p.60).
No que diz respeito à forma de liderar no mundo moderno atual, Ramos (2004), defende que esta prática requer muita competência, levando-se em conta que simplesmente essas pessoas são responsáveis pelo desenvolvimento e sucesso da organização. Para tanto, é preciso que o líder, na opinião do autor, pratique, entre outras, as seguintes atribuições: ser aberto às inovações, ajudar os funcionários a gerenciar; conhecer toda a organização; contratar pessoas; dar feedback; demitir pessoas; fortalecer a missão e os valores organização; motivar as pessoas; pensar positivamente e ser ético.
No aspecto ético, Andrade (2003) também destaca o tema como um forte componente que deve fazer parte do perfil de um líder no mundo atual. Segundo o autor, é por meio da ética que tornamo-nos cientes e responsáveis pelas respostas que damos ao planeta. Ele afirma que, na crise global, que angustia a humanidade, há uma carência generalizada de liderança moral em todos os segmentos da sociedade humana, conforme o que é mostrado pelas evidências crescentes de desleixo ético e de corrupção encontradas entre autoridades dos níveis altos da sociedade tanto em instituições públicas como em organizações privadas pelo mundo todo. “Se jamais houve na história um momento em que o mundo todo mais precisou de lideranças comprometidas com a moral e a ética, então este é o momento” (p.64).


CONCLUSÃO


Embora sejam muitas as definições de líder ao longo dos tempos, e, sobretudo, a respeito das diferenças entre eles, no tocante às particularidades do século XXI - permeado por inovações tecnológicas e a globalização -, a principal característica de um líder, talvez, tenha sido inalterada. Isso porque todo ser humano pode fazer a diferença e, com sua consciência e habilidades, cada pessoa pode se manifestar e mostrar seu potencial, bem como suas ideias que tem a capacidade, sim, de mexer com seu meio e até com a sociedade na qual faz parte.
Pelo que foi relatado nas páginas acima, não há um padrão ideal ou único de perfil para o líder, pois, para o aprendizado da liderança, é preciso ter um conjunto de habilidades. No entanto, nem sempre é possível ser capaz de reunir todas as potencialidades. E nem por isso, um indivíduo não pode mudar as regras e mostrar que é possível fazer diferente, pelo bem de todos.
Outra coisa importante do estudo é que não basta ter extrema capacidade técnica, uma vez que para quem lidera, é importante ter conhecimento vasto – tanto do trabalho em si, da equipe e do objetivo, mas também do mundo que o cerca, pois este certamente tem influência no que se refere ao seu trabalho, uma vez que nada é isolado.
Se grandes nomes jovens foram protagonistas de suas histórias no novo século, podemos afirmar, mas se foram realmente líderes, é outra questão. Tendo como base as referências deste trabalho, muitos podem ter o nome de líderes de grupos, porque ergueram pessoas em prol de suas ideias. Por outro lado, como é possível nos dias atuais, alguns foram sozinhos e chegaram ao topo, imbuídos apenas do prazer pela ganância. Mas temos também outros tantos jovens que apostam na realidade das mídias eletrônicas para influir no processo interno da empresa, levando novos paradigmas para os colegas. Continua, portanto, sendo uma visão sobre o que é ser líder.


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