INVENTÁRIOS E TÉCNICAS PROJETIVAS


Recebi este outro artigo que me parece ser útil...
AS DIFERENÇAS ENTRE INVENTÁRIOS E TÉCNICAS PROJETIVAS Profa. Carla Carotenuto 1) Inventários de Personalidade de Auto-Relato: - Embora o termo “personalidade” seja empregado às vezes num sentido mais amplo, na terminologia psicométrica convencional, os “testes de personalidade” são instrumentos para a mensuração de características emocionais, motivacionais, interpessoais e de atitudes. - Os inventários são predominantemente questionários de lápis-e-papel, de auto-relato, adequados para aplicação grupal, embora muitos deles também possam ser empregados na avaliação individual. - Existem numerosos inventários de personalidade. - No desenvolvimento de inventários de personalidade, foram seguidas várias abordagens na formulação, na montagem, na seleção e no agrupamento de itens. - Entre os procedimentos mais importantes em uso atualmente, estão aqueles baseados: a) na relevância do conteúdo, b) no gabarito de critério empírico, c) na análise fatorial e d) na teoria da personalidade. - Na prática, a maioria dos inventários atualmente utiliza dois ou mais desses procedimentos. - Embora certos testes de personalidade sejam usados como instrumento de triagem grupal, a maioria encontra sua principal aplicação em ambientes clínicos e de aconselhamento. - A maioria dos testes de personalidade deve ser considerada como um auxílio na avaliação individual ou como um instrumento de pesquisa. a) Procedimentos relacionados ao Conteúdo: - A ênfase na construção e no uso dos inventários foi colocada na relevância do conteúdo de seus itens. - A principal vantagem da abordagem relacionada ao conteúdo no desenvolvimento de inventários de personalidade está na simplicidade e no caráter direto do método. - Embora estas características possibilitem instrumentos relativamente breves e econômicos, sua transparência também permite aos examinandos uma maior oportunidade de tentativas conscientes de manipulação dos resultados. - Por esta razão, não é recomendado o seu uso exclusivo numa avaliação. b) Gabarito de Critério Empírico: - Refere-se ao desenvolvimento de um gabarito de pontuação em termos de critérios externos. - O procedimento envolve a seleção de itens a serem mantidos e a atribuição de pesos de pontuação a cada resposta. - As respostas são tratadas como diagnósticas ou sintomáticas do comportamento. - Um inventário de auto-relato é uma série de estímulos verbais padronizados. - As respostas eliciadas por esses estímulos são pontuadas em termos de seus correlatos comportamentais empiricamente estabelecidos. - As respostas ao questionário correspondem à percepção que o sujeito tem da realidade. c) Análise Fatorial no desenvolvimento dos testes: - Consiste numa tentativa de se chegar a uma classificação sistemática dos traços de personalidade. - Exemplo: Inventário Fatorial de Personalidade (IFP) – apresenta 17 fatores da personalidade, como Assistência, Desempenho, Persistência, Dominância, Autonomia, entre outros. d) Teoria da Personalidade no desenvolvimento dos testes: - As teorias da personalidade geralmente originam-se de ambientes clínicos. - Foram construídos inúmeros testes de personalidade dentro das diferentes estruturas das teorias da personalidade. 1.1) Atitudes na Testagem e viés de resposta a) Fraude e Desejabilidade Social: - Os inventários de auto-relato estão sujeitos à possibilidade de respostas incorretas deliberadas. - A maioria dos itens desses inventários tem uma resposta que é reconhecida como socialmente aceita ou desejável. Nesses testes, o examinando pode escolher respostas que criem uma impressão favorável, principalmente quando se candidatam a um emprego. - A tendência da resposta de desejabilidade social está relacionada com uma necessidade geral do indivíduo de autoproteção, evitação de críticas, conformidade e aprovação social. - Em outras circunstâncias, o examinando pode, ao contrário, “fingir para causar uma má impressão”. b) Técnica da Escolha Forçada: - Requer que o examinando escolha entre dois termos ou expressões descritivas que parecem igualmente aceitáveis. - As expressões emparelhadas podem ser tanto desejáveis quanto indesejáveis. - Os itens de escolha forçada também podem conter 3, 4 ou 5 termos. Nestes casos, o sujeito deve indicar a expressão mais ou menos característica a seu respeito. c) Tendências de resposta e Estilos de resposta: - A tendência a escolher alternativas de resposta com base na desejabilidade social é uma das várias tendências de resposta, identificadas nos inventários de auto-relato. - Outra tendência de resposta é a aquiescência, ou tendência a responder “Verdadeiro” ou “Sim”. - A implicação dessa tendência de resposta para a construção de inventários de personalidade é que o número de itens em que uma resposta “Sim” ou “Verdadeira” é pontuada positivamente, deve ser igual ao número de itens em que uma resposta “Não” ou “Falsa”. - Outra tendência de resposta é o desvio, ou a tendência a dar respostas raras ou incomuns. - Essas tendências passaram a ser consideradas indicadores de características da personalidade e descritas como estilos de respostas. 2) Técnicas Projetivas A natureza das técnicas projetivas: - Como uma importante característica das técnicas projetivas, suas tarefas costumam ser relativamente não-estruturadas ou pouco estruturadas. - Isto é, as tarefas permitem uma variedade ilimitada de respostas possíveis. - Para permitir uma liberdade total à fantasia do indivíduo são dadas instruções breves e gerais (liberdade de tempo, de resposta e de expressão). - Pela mesma razão, os estímulos dos testes são vagos ou ambíguos. - Espera-se que os materiais dos testes sirvam como uma espécie de tela, na qual o indivíduo projeta seus processos de pensamento, suas necessidades, suas ansiedades e seus conflitos; portanto, as características de sua personalidade. - Os instrumentos projetivos também representam procedimentos de testagem disfarçada, na medida em que os testandos raramente se dão conta do tipo de interpretação psicológica que suas respostas terão. - As técnicas projetivas também se caracterizam por uma abordagem global da personalidade. - A atenção das técnicas centra-se na personalidade como um todo e não na mensuração de traços separados (testes psicométricos). - As técnicas projetivas são efetivas para revelar aspectos da personalidade encobertos, latentes ou inconscientes. - Quanto menos estruturado for o teste, mais sensível ele será a esse material encoberto. Isso decorre da suposição de que quanto menos estruturado ou mais ambíguo for o estímulo, menos provável que evoque reações defensivas por parte do examinando. - Os métodos projetivos originaram-se de um ambiente clínico e permaneceram como instrumentos para o psicólogo clínico. - Em sua fundamentação e estrutura teórica, a maioria das técnicas projetivas reflete a influência dos conceitos psicanalíticos tradicionais e modernos. 2.1) Avaliação das Técnicas Projetivas a) Rapport e Aplicabilidade: - A maioria das técnicas projetivas representa um meio efetivo de “quebrar o gelo” durante os contatos iniciais entre o terapeuta e o paciente. - A tarefa geralmente é interessante e divertida. Ela tende a afastar a atenção do indivíduo de si mesmo e, assim, reduz o embaraço e a defensividade. - Ela oferece pouca ou nenhuma ameaça ao prestígio do examinando, uma vez que qualquer resposta que a pessoa dá está “certa”. - Em muitos casos, contribui na comunicação entre testando e examinador. b) O Examinador e as variáveis situacionais: - As técnicas projetivas são menos padronizadas em relação à técnica de aplicação e à pontuação. - Mesmo quando são empregadas instruções idênticas, alguns examinadores podem ser mais encorajadores e outros mais ameaçadores, devido à sua conduta geral. - Nas técnicas projetivas, os problemas de aplicação e condições da testagem assumem uma importância maior do que em outros testes psicológicos. c) As Técnicas Projetivas como instrumentos clínicos: - Em vez de serem considerados e avaliados como instrumentos psicométricos, ou testes no sentido estrito do termo, a maioria dos instrumentos projetivos passou a ser considerada mais como instrumentos clínicos. - Portanto, eles podem servir como auxílios suplementares qualitativos às entrevistas. - As técnicas projetivas têm mais valor quando interpretadas por meio de procedimentos qualitativos e clínicos e não quando são quantitativamente pontuadas e interpretadas como se fossem instrumentos psicométricos objetivos. - Devido à natureza das técnicas projetivas, as decisões não devem se basear em um único dado ou escore obtido, mas no uso conjunto com entrevistas, observações e outros instrumentos diagnósticos.
Bibliografia Consultada: ANASTASI, A. & URBINA, S. (2000). Testagem Psicológica. Porto Alegre: Artes Médicas.

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