SER ARTISTA


SER ARTISTA

Mirian Lopes



Ser artista é antes de tudo ser humano. Ele sente, sofre, sonha, ri, chora, dúvida, se questiona, se angustia, desabrocha, derrete, ama, foge e se encontra. Ser artista é ser autêntico, ser estranho e ser comum ao mesmo tempo. Já dizia Oscar Wilde: “nenhum grande artista, vê as coisas como realmente são, caso contrário, deixaria de ser um artista”. O artista é aquele que viaja em várias dimensões sem que precise locomover-se geograficamente. É o que acolhe o sopro da criação para diluí-lo em múltiplas direções, formas e sentidos. O artista é instrumento por onde fluem o saber, a emoção, o impensado, o êxtase, a beleza, o impacto, os significados, o silêncio, o diferente, o vazio e o encontro consigo. Ele tem a sentença de eterno sonhador e deve aprender a conviver com o improvável, com a incompreensão, com os temores, com a dor, com a contradição dos sentimentos, com a ausência, com os limites, com as fragilidades, com as perdas, com as inquietações, com o sucesso e com os excessos. O artista pensa saber alguma coisa, mas, em seu exercício diário, descobre que é preciso mergulhar profundo para alcançar o que não sabe e o que não conhece, para então apaziguar seu ser. O artista é uma nascente abundante que alimenta os rios; os rios que fluem e seguem seu curso ao mar; o mar que assusta pela sua imensidão e que parece tocar o infinito, o Céu. O artista não escolhe ser o que é. Ele descobre o que é. Ele aprende a aceitar sua condição de ser muitos, no encontro com cada ser. O artista é a expressão do Criador do Universo, livre e cativo em si mesmo.

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