Pular para o conteúdo principal

FALTA DE COMPROMENTIMENTO: COMO TRANSFORMAR ISTO?

A falta de comprometimento se manifesta nos pequenos e grandes exemplos – nas minhas caminhadas matinais percebi de uns tempos para cá que há um número crescente de pessoas que adoram levar seus cães para passear, e que tomam seus cuidados com os dejetos caninos. Ter animais domésticos, em especial cães, é muito gostoso, mas as casas e apartamentos pequenos obrigam seus donos a levarem os bichos para suas caminhadas diárias. E, sem cuidados, os jardins, calçadas e ruas ficam perigosamente marcados com cocô de cachorro, muito desagradável de ser pisado. Agrada-me saber que as pessoas agora cuidam melhor de seus animais, contribuindo para que o ambiente seja mais limpo.

Isto é respeito pelos outros. Isto é comprometimento com o bem estar dos outros e com o meio ambiente.

Gosto de uma propaganda de automóvel, onde alguém descuidado joga lixo na rua e outro recolhe, não sem um olhar de reprovação. E é isto mesmo que precisa ser reforçado – respeito pelo próximo, respeito pelo meio ambiente. Se o cocô de cachorro é uma metáfora do que ocorre em outros níveis da sociedade, cabem as perguntas...

• o que estamos jogando de nosso lixo dentro dos limites das pessoas ao nosso redor?

• quanta irritação, ofensas e humilhações – lixo – estamos jogando em cima dos outros?

• o que estamos jogando de lixo nos rios, no ar ou em terrenos baldios? – é tão mais fácil jogar entulho na rua que pagar uma remoção...?

• o que nossa empresa empurra de produtos defeituosos para seus clientes?

• o que está sendo causado de irritação com ineficazes serviços 0800 que deixam as pessoas por 40 minutos na espera?

E a lista não acaba aí!

Nas empresas, a falta de comprometimento se manifesta, por exemplo, com não cumprir com o combinado numa reunião, com prazos acertados, com cláusulas contratuais, com normas e procedimentos. Quem está acostumado a cumprir aquilo que prometeu geralmente sofre com pessoas que não agem com igual empenho, pelos mais variados motivos. Tem gente que é meio desligada com prazo, que não se importa muito em cumprir uma data ou horário com o qual se comprometeu. Outros fazem isto de forma intencional. Nós vivemos numa sociedade de interdependências, e o não cumprimento de uma parte implica em atrasos no projeto inteiro ou em alguém ter que dar o sangue para assegurar o cumprimento de um prazo final comprometido. Isto custa muito dinheiro, pois gera muito desperdício de recursos e tempo, retrabalho, descoordenação, para nem falar dos desgastes emocionais desta situação.

As causas desta falta de comprometimento são muitas e escapam ao espaço deste artigo, mas com certeza a forma de perceber o mundo, os valores de consumismo desenfreado, a falta de envolvimento nos processos decisórios, entre outros, são fatores que estão definindo o nulo ou baixo comprometimento. Para transformar esta dificuldade num potencial, podemos resumir... se possível, não gere lixo. Mas, se gerar, cuide bem dele para que o próximo não fique prejudicado. Pense bem antes de assumir um compromisso; se assumir, cumpra.

O respeito ao próximo é a base de tudo.

Fonte

BOOG, Gustavo G. Falta de comprometimento: como transformar isto? [S.l.: s.n.].

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vygotsky e a Linguagem: A Importância do Desenvolvimento Socioemocional na Aprendizagem

A linguagem, enquanto sistema simbólico fundamental de todos os grupos humanos, ocupa um papel central na obra de Vygotsky, sendo também a base para a Educação Emocional e o desenvolvimento de competências socioemocionais. Vygotsky organiza a linguagem a partir de duas funções essenciais: Intercâmbio Social: A função primária da linguagem é a comunicação com o outro. É a necessidade de interação, conexão e regulação do convívio social que impulsiona o seu desenvolvimento inicial. Na Aprendizagem Socioemocional, essa função constitui a base para o desenvolvimento da empatia, das habilidades de relacionamento e da convivência democrática. Pensamento Generalizante: A linguagem ordena o mundo ao categorizar objetos, eventos e sentimentos. Ao nomear e conceituar a realidade, ela se torna o instrumento pelo qual o sujeito media sua relação com o meio e consigo mesmo. No desenvolvimento infantil, o pensamento e a linguagem seguem caminhos inicialmente independentes: Fase pré-verbal do pens...

O Novo Papel do Professor Segundo Libâneo: Como Aplicar a Educação Emocional na Escola

Em sua obra emblemática "Adeus professor, adeus professora?", José Carlos Libâneo delineia o novo papel do professor diante das profundas exigências impostas pelas transformações tecnológicas, científicas, econômicas e culturais da sociedade contemporânea. Sob uma perspectiva emancipadora, o autor nos convida a refletir sobre a função social da escola, defendendo a valorização da categoria docente sem ignorar gargalos estruturais como a desvalorização profissional, a falta de políticas públicas consistentes e a tendência de desprofissionalização da carreira. A principal tese de Libâneo é que a escola precisa abandonar o modelo de mera transmissora de informações para se tornar um espaço de análise crítica, produção do conhecimento e atribuição de significados. Contudo, ao analisar a atuação do professor como mediador da aprendizagem ativa, torna-se indispensável expandir essa mediação para além do campo estritamente cognitivo: a aprendizagem crítica e a construção de signific...

A Terapia como Microcosmo Social: Como o Aqui e Agora na Educação Emocional Transforma Relacionamentos Interpessoais

Introdução: Os Relacionamentos Interpessoais no Centro da Saúde Mental Os seres humanos são essencialmente relacionais. Nossas maiores alegrias e, frequentemente, nossas dores mais profundas emergem do modo como interagimos com o outro. Quando um indivíduo busca apoio profissional — seja na clínica ou em processos estruturados de educação emocional —, a queixa inicial raramente, existe de forma isolada: ela reflete padrões sociocomportamentais desenvolvidos ao longo de sua história interpessoal. Na obra “Os Desafios da Terapia: Reflexões para Pacientes e Terapeutas” , o renomado psiquiatra e escritor Irvin D. Yalom adapta para o ambiente individual um dos conceitos mais transformadores da prática clínica contemporânea, originalmente desenvolvido em seus trabalhos com grupos: a terapia como microcosmo social . Segundo essa perspectiva, o ambiente terapêutico ou educativo não é um mero local de escuta passiva, mas sim uma amostra viva e em escala reduzida do mundo social do indivíduo. Ne...