Pular para o conteúdo principal

O PODER DE UM SONHO

Um dos maiores problemas do mundo atual não é conseqüência da globalização, da inflação ou da diferença social, mas sim a dificuldade que as pessoas têm de sonhar. Talvez seja este o maior drama vivido pelos jovens quando olham para seus pais, para a vida e, por não terem perspectivas futuras, agarram-se ao passado e começam a encarar a vida de forma pessimista, concluindo que sonhar não leva a nada, que é melhor não sonhar, para mais tarde não sofrer decepções.

Outro grave problema das pessoas, é que elas não realizam seus sonhos e contentam-se apenas em sonhar. Têm sonhos, mas não se propõem em transformá-los em realidade.

Uma das soluções para esse pessimismo generalizado está em recuperar a capacidade de sonhar do ser humano e também realizar tudo o que sua mente pede.

Mais do que qualquer outra sensação, é essencial que cada pessoa sinta que sua vida vale a pena.

Se você tem olhado sua existência como um fardo pesado de carregar, chegou a hora de ter fé na vida, em você e, principalmente, na sua capacidade de realização.

Vivemos um momento especialmente conturbado, onde a visão das organizações é incorporar, comprar, encampar ou associar. É muito mais fácil que começar do zero. Hoje, a velocidade das transformações políticas, econômicas, sociais e culturais nos conduzem a um túnel desconhecido e escuro, onde valores, metas e diretrizes tornam-se cada vez mais comprometidos. As pessoas começam a perder a esperança em si mesmas, no trabalho, no futuro de suas vidas e no próprio planeta.

No mundo dos negócios, esse descompasso crescente revela-se ainda mais.

As empresas são como uma espécie de termômetro da sociedade, indicando que algo está errado. Basta abrir os jornais para constatar a dura realidade: empresas promissoras fecham suas portas, concordatas e falências generalizadas, funcionários descontentes, consumidores desrespeitados.

Esses e muitos outros episódios negativos são sintomas de que as empresas estão doentes. Na verdade, apesar de todos os avanços, a filosofia administrativa adotada pela maioria das empresas não mais funciona no mundo atual. Muito além de uma gestão que cuide dos recursos humanos, precisamos de uma administração que se preocupe com o crescimento e a evolução de seres humanos.

Existe, pois, neste final de milênio, uma necessidade urgente de reinspirar os espíritos humanos.

Quando eu falo em espírito, não me refiro a fundamentos religiosos nem a qualquer seita em especial. Refiro-me à alma humana, essa chama intensa que nos move diariamente, nos menores gestos e ações, uma força que acorda e se deita conosco e, mesmo quando o corpo humano dorme definitivamente, ela não se dissipa, mantém-se acesa de uma forma diferente, em outro lugar.

Você deve estar se perguntando: mas como manter nossa capacidade de sonhar e realizar alimentos essenciais ao espírito em um mundo que a todo instante dilacera a nossa integridade?

A resposta é simples: assumindo a liderança espiritual.

O caráter de uma família, escola ou empresa, está inexoravelmente ligado a seu líder. O verdadeiro líder espiritual é aquele que conhece e vive segundo seus valores, haja o que houver, e faz isso abertamente para que outros se inspirem. Mesmo que você não faça parte da diretoria da empresa, pode disseminar idéias e valores entre os colegas de trabalho que estão à sua volta e são diretamente influenciados pelo que você pensa, faz ou diz.

O líder espiritual também pode ser chamado de realizador, pois consegue, por meio de suas realizações, liberar o que há de melhor nas pessoas e devolver a autoconfiança a seus companheiros. Uma vez acionado esse processo, as conseqüências são: maior orçamento, mais lucros, maior produtividade, maior empenho e, conseqüentemente, mais felicidade.

Enquanto o administrador é controlador e burocrático, o líder conquista o respeito e o envolvimento de seus companheiros.

Os verdadeiros líderes vêem as empresas nas quais trabalham, não apenas como mera fonte de lucros, mas como um organismo vivo, uno, na qual cada pessoa, cada alma, exerce um papel vital. Ao menor sinal de problema, a engrenagem maior se vê perigosamente comprometida.

Por isso, o líder assume a responsabilidade pela criação de um sentimento de união e igualdade. Ao mesmo tempo, valoriza cada indivíduo, pois sabe que quanto mais se aproximar das pessoas e conseguir tocá-las, mais elas se sentirão importantes e motivadas. Assim não perde a oportunidade de reconhecer novos líderes, abrindo espaço para que eles brilhem e transmitam seus valores para a comunidade empresarial.

A liderança espiritual é assim, uma fonte de energia inestimável para toda empresa, pois cria um estado mental que permite à organização deixar de ser mais uma ilha de produtividade em meio a milhares de outras e conectar-se à energia fundadora do universo. Muitos a visitarão, buscando ensinamentos para criar suas próprias empresas, mas ela se manterá firme em sua integridade inabalável perante as reviravoltas do mercado, como uma rocha em meio às águas revoltas do oceano.

As duas principais características e virtudes do líder realmente comprometido com o desenvolvimento das potencialidades organizacionais são atuar sonhando e realizando.

Fonte

ROMÃO, Cesar. O poder de um sonho. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2005.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DINÂMICA DE GRUPO - CONCEITOS DA TEORIA DE WILL SCHUTZ

CONCEITOS DA TEORIA DE WILL SCHUTZ CONTEXTUALIZADOS A PARTIR DA ANÁLISE DO FILME “DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA” APRESENTAÇÃO Este trabalho apresenta os principais conceitos da teoria desenvolvida por Will C. Schutz, contextualizados a partir da análise do filme “Doze Homens e Uma Sentença”. INTRODUÇÃO 1.TEORIA DAS NECESSIDADES INTERPESSOAIS Kurt Lewin foi um grande estudioso das dinâmicas de grupos e foi responsável por introduzir o termo “Dinâmica de grupo” no vocabulário da psicologia contemporânea, fornecendo suas hipóteses de trabalho mais válidas e instrumentos de pesquisa e técnicas de aprendizagem mais eficientes. Em uma de suas experiências conclui, que a produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas, não somente com a competência de seus membros, mas, sobretudo, com a solidariedade de suas relações interpessoais. Will C. Schutz também foi um estudioso das dinâmicas de grupos e com suas pesquisas sistemáticas fez novas experiências sobre este ...

O Que É Psicologia Socio-Histórica? De Vygotsky ao Aprendizado Socioemocional (SEL)

1. Introdução: As Bases Teóricas da Psicologia Socio-Histórica A Psicologia Socio-Histórica é uma vertente teórica da Psicologia, cujas proposições ligadas ao conhecimento do ser humano e da sua subjetividade estão pautadas pela concepção materialista dialética. Emergida no início do século XX na União Soviética, a vertente buscou reconstruir suas teorias científicas a partir do referencial marxista. Os autores que definem os fundamentos teóricos são: Alexandr Romanovich Luria (1902-1977), Alexis Nicolaievich Leontiev (1903-1979) e Lev Seminovichi Vigotski (1896-1934). Vygotski propôs-se a construir uma psicologia guiada pelos princípios e métodos do materialismo dialético, destinando sua produção à descrição e explicação da construção e desenvolvimento do psiquismo e comportamento humano a partir das funções psicológicas superiores (pensamento, linguagem e consciência), guiando-se pelo princípio da gênese social da consciência. O ser humano se constitui pela relação do homem com a re...

ÉTICA PROFISSIONAL

Por  Mirian Lopes Refletir nossas ações é fundamental para um melhor convívio social. Por vezes não nos percebemos nos contextos, e sequer percebemos o que gira em nosso entorno. Estamos habituados ao automatismo  das funcionalidades, algo desta chamada "Era da Informação", que nos conduz para comportamentos e práticas cotidianas irrefletidas e resultantes em perda de energia e valorização humana. Pensando aquilo que vemos e sentimos, lembrei-me do código de ética da profissão que  abraçei e que embora esteja direcionado para uma classe específica de profissionais, não se torna inviável compartilhar aqui, três de seus princípios fundamentais, que ao me ver deveríam ser extendidos para outras classes profissionais, no que se refere aos  valores éticos primordiais  para nosso convívio social e para melhor qualidade de vida, quais sejam: o respeito, a dignidade, a integridade, a responsabilidade social,  entre outros.  O comprome...