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VALORIZAÇÃO DAS PESSOAS E ADOÇÃO DE NOVOS PARADIGMAS

5. Valorização das pessoas e respeito às diferenças individuais.

Diferentemente do pensamento que vigorou ao longo da era industrial, para que as organizações de hoje sejam competitivas, elas necessitam respeitar as diferenças individuais de todos os seus trabalhadores. Nas palavras de Hamel e Prahalad: “As empresas necessitam abrir caminho para os rebeldes e subversivos, ou seja, precisa dar espaço para pessoas que freqüentemente questionam as normas e os padrões vigentes”. Há que destacar o fato de que muitos gestores possuem a tendência de valorizar aquelas pessoas que se parecem com eles, desprezando, ou até mesmo pré-conceituando, aquelas que possuem estilos de comportamento diferenciados. No entanto, esses gestores precisam entender que o que torna uma empresa visionária é a diversidade de ideais que ela pode gera. Portanto, não há como caracterizar pessoas por seus estilos, uma vez que não há um estilo melhor do que o outro. Todos os estilos são importantes desde que aproveitados da maneira certa. Existe um dito popular que diz que quando duas pessoas estão sempre de acordo sobre tudo o que se discute, uma delas não é necessária. De fato, se a empresa é constituída por um grupo de pessoas que aceita todos os fatos sem questionamento, então não há espaço para a criatividade. Valorizar as pessoas e respeitar as diferenças individuais é antes de tudo entender que são as diferenças individuais que geram os conflitos e que são os conflitos, bem administrados, os verdadeiros condutores da criatividade.

6. Adoção permanente de novos paradigmas ao invés do culto aos valores convencionais.

Foi Thomas Kuhn, cientista renomado, falecido em 1996, que consagrou essa expressão. Em sua obra “As Estrutura das Revoluções Científicas”, Kuhn mostrou que quando uma ciência evolui de forma contínua ela atravessa um período através do qual é vista pela maioria dos cientistas segundo as mesmas perspectivas. Todos a vêm sob a mesma ótica porque todos possuem os mesmos modelos de referência, normalmente já consagrados em estudos anteriores. A estes modelos de referência Kuhn denominou paradigmas. Paradigmas são, na linguagem comum, uma maneira de ver a realidade. Representam modelos de referência que nos auxiliam na resolução dos problemas que encontramos no nosso dia a dia. Trata-se de um conceito particularmente importante para compreender, não apenas a ciência, mas a própria vida em sociedade.

Os paradigmas começam a representar um grande problema quando se transformam em uma verdade absoluta, ou seja, na única maneira aceita de se enxergar, sentir e agir em relação a uma determinada situação. As organizações devem adotar permanentemente novos paradigmas ao invés de cultuar valores tradicionais. De fato, nos dias atuais, não há sentido em frear a evolução de uma organização meramente pela crença de que os modelos de referência utilizados na condução das atividades cotidianas são completos e perfeitos.

Questionar constantemente o modo como as coisas são feitas, bem como as soluções padronizadas que normalmente são utilizadas na resolução dos problemas organizacionais, não é apenas uma questão de bom senso. Antes de tudo, trata-se de um requisito fundamental para a garantia do sucesso da organização. Na era da transição, as organizações vencedoras serão aquelas compostas por pessoas de mente aberta, receptivas ao questionamento e a quebra dos paradigmas estabelecidos. Somente organizações compostas por equipes com flexibilidade intelectual serão capazes de derrubar modelos ultrapassados e encontrar novos caminhos. Finalmente, ressaltamos a importância do ambiente organizacional nesta questão.

Organizações que desejam ter em seu quadro pessoas com espírito questionar, com capacidade de romper com valores tradicionais ultrapassados, precisam criar um ambiente aberto, livre de recriminações e censuras prévias. Obviamente não estamos propondo um ambiente organizacional totalmente desprovido de controles, onde cada pessoa segue um direcionamento definido ao seu bel prazer. O que estamos defendendo é que se uma organização deseja possuir equipes de alto desempenho, com capacidade de inovar constantemente, ela precisa abrir espaço para as novas idéias. Somente um ambiente onde as pessoas possam se expressar sem medo pode fomentar equipes com flexibilidade intelectual, capazes de analisar os paradigmas em jogo e fazer opções mais apropriadas aos momentos de cada negócio.



CRÉDITOS: Texto extraído do livro-texto da disciplina de Posicionamento Estratégico do Curso de Pós-Graduação em Administração Geral - Universidade Paulista- São Paulo, 2011.






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