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1 - CONSCIÊNCIA DE QUE A EMPRESA É PARTE INTEGRANTE DO AMBIENTE

O primeiro aspecto que precisamos discutir em relação a este item, diz respeito ao entendimento de que as organizações empresariais do século XXI devem ser vistas como sistemas vivos em contraposição à visão mecanicista que dominou o pensamento gerencial dos três últimos séculos. A partir da década de 1950 quando as mudanças começam a ganhar velocidade e intensidade, o modelo mecanicista começa a se esvair gradativamente. Na medida em que as novas tecnologias emergem, dominando os processos produtivos e criando máquinas “inteligentes” que passam a fazer as tarefas rotineiras e repetitivas, antes realizadas pelo homem, as organizações vão pouco a pouco deixando de necessitar do trabalhador da força física. De repente o mundo empresarial se dá conta de que a nova era que estava surgindo, paralelamente ao declínio da era industrial, exigia um novo tipo de trabalhador, muito mais criativo e com uma enorme capacidade de enxergar estrategicamente o futuro.

Na era da transição, máquinas, processos e até mesmo novas tecnologias, rapidamente se transformam em commodities. Neste contexto, o que realmente faz a diferença são as pessoas. São as pessoas que inovam. São as pessoas que abrem novas perspectivas. Em síntese, são elas que sistematicamente descobrem novos caminhos para o futuro. É certo que as máquinas realizam atividades com maior rapidez e precisão do que o homem, mas ainda estão muito distantes decopiá-lo naquilo que ele tem de mais fantástico: sua criatividade.

Estamos cientes de que o principal ativo da nova era está no conhecimento, ao mesmo tempo em que compreendemos que, por mais que as organizações criem processos ou sistemas informatizados para armazenar informações, são as pessoas as verdadeiras detentoras da inteligência organizacional. Afinal, são as pessoas que possuem a capacidade de constantemente gerar novos conhecimentos. Note que estamos falando de uma rede de mentes interligadas com enorme capacidade de processar informações, ou seja, um sistema inteligente com capacidade para pensar, questionar e, principalmente, criar. Portanto, não há como questionar o fato de que estamos diante de um sistema vivo. E o que há de tão especial no entendimento de que as organizações são sistemas vivos? Certamente existem vários aspectos a serem considerados. Um sistema mecânico é inerte, um sistema vivo possui vontades próprias. Um sistema mecânico é projetado e construído enquanto um sistema vivo tem a capacidade de construir-se a si próprio. Um sistema mecânico pode ser programado para executar as tarefas sempre da mesma maneira enquanto um sistema vivo está sempre recriando sua forma de agir. Portanto, o pressuposto básico é de que todo sistema vivo necessita, acima de tudo, respeitar seu ambiente, uma vez que a destruição deste significa, em curto espaço de tempo, a própria destruição. De forma conclusiva, a sobrevivência de todo sistema vivo depende substancialmente da maneira como ele próprio protege seu ambiente.

De volta ao contexto empresarial, quando afirmarmos que as organizações são sistemas vivos estamos automaticamente afirmando que elas necessitam incondicionalmente proteger o ambiente no qual vivem, caso queiram sobreviver e prosperar por longos períodos. Quando dizemos que é preciso haver uma consciência geral de que a empresa é parte integrante do ambiente, estamos realmente querendo dizer que as empresas precisam respeitar esse ambiente caso queiram se tornar longevas. Perceba como esta é uma forma muito diferente de enxergar o contexto empresarial. A idéia subjacente do modelo industrial era a de que o bem estar humano estava diretamente associado ao desenvolvimento das organizações.

Falando do ponto de vista mercadológico, toda empresa precisa aprender a respeitar todos os atores do processo. Assim como no mundo biológico o ecossistema depende da existência e sobrevivência das diversas populações de sistemas vivos, no mundo empresarial nada é diferente. Neste caso, quando falamos de respeito ao ambiente mercadológico, estamos nos referindo os diversos atores que atuam no processo empresarial: clientes, fornecedores, funcionários, acionistas, sociedade e até mesmo os concorrentes. Entender que uma empresa é parte integrante do ambiente é entender que antes de tudo ela precisa respeitar todos os players.

CRÉDITOS: Texto extraído do livro-texto da disciplina de Posicionamento Estratégico do Curso de  Pós-Graduação em Administração Geral  - Universidade Paulista- São Paulo, 2011.

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