domingo, abril 11, 2010

ANOTAÇÕES: "O INCESTO UM DESEJO" 1ª parte

A partir da leitura do livro "O INCESTO UM DESEJO, Cláudio Cohen, Casa do Psicólogo, 1993, apreendi as informações anotadas e excertos do texto que gostaria de compartilhar...


Segundo Cohen (1993), a proibição do incesto é um fator estruturante da psique individual, e tem por finalidade a organização da vida afetiva e cognitiva, permitindo a integração do individuo na cultura e na sociedade. (p.8)

O QUE É O INCESTO?

De acordo com o autor, para compreender o que é incesto é importante entender o que é a família, pois o incesto é literalmente um assunto de família.

Família é um tipo de agrupamento social, cujos membros estão vinculados por laços de parentesco. É um grupo biológico e fundamentalmente uma instituição social, inscrita em um universo ideológico. Ela é a célula do tecido social.

Dupuis (1989) apud Cohen (1993) afirma que as sociedades humanas do quarto e quinto milênios antes de Cristo, já haviam descoberto a relação entre o ato sexual e a procriação. "O conhecimento do principio de procriação não é um dado imediato da consciência, mas resulta de uma situação experimental". (p. 5).

Para o autor, o conhecimento da origem da paternidade propagou-se pelo mundo a partir do período neolítico. Antes se conheciam estruturas protofamiliares centradas nas mães, as estruturas matriarcais, caracterizadas por uma vida sexual dominada pelo principio do prazer, pela livre satisfação do desejo sem nenhum tipo de repressão. "Com o reconhecimento do pai, estabeleceram-se novos conceitos de família, onde a satisfação do desejo ficou vinculado ao principio de realidade."

A palavra “incesto” deriva do latim incestus, que significa impuro, manchado, não casto, ou seja, in= não e castus=puro (Dicionario etimológico italiano, p.149)

Segundo o autor, na historia da humanidade observa-se que algumas sociedades permitiam que seus membros mais ilustres transgredissem esse tabu. “No antigo Egito as uniões incestuosas entre irmãos eram impostas aos faraós em homenagem ao mito dos deuses Ísis e Osíris. Durou até a dinastia dos Ptolomeus (Cleópatra casou-se com seu irmão Ptolomeu XII). Os reis peruanos, da época pré-colombiana também casavam-e com suas irmãs em homenagem ao Sol e à Lua, de forma a perpetuar a santidade da dinastia.”

A mitologia nos ensina que o incesto, diante do qual, supostamente tanto se horrorizam os seres humanos, era concedido sem nenhum reparo aos deuses; pela história antiga podemos averiguar que o matrimônio incestuoso com a irmã era um preceito sagrado para a pessoa do governante. O ato incestuoso torna-se então um privilégio que é negado aos homens comuns”. (Freud, S; v. XVI, p. 305). Freud citado por Cohen, postula que o complexo de Édipo é a peça fundamental na compreensão da neurose.

Cohen aponta que nas concepções grega, judaica e católica por imperativos filosóficos e religiosos o incesto foi condenado e estigmatizado como um crime repulsivo à consciência. Também aponta para a dificuldade da existência de diversas interpretações quanto à definição do que seja um comportamento incestuoso, e o fato de que, devido à complexidade do tema, nenhuma delas se mostra totalmente satisfatória. Ainda complementa que “muitas legislações modernas, como por exemplo as do Brasil, Peru, Espanha, França, Bélgica, Portugal não consideram o incesto como um crime autônomo, mas apenas uma circunstância agravante de algum outro crime sexual, enquanto outras legislações como as da Alemanha, Suíça, Itália, México, Uruguai, Cuba as consideram como um crime.” (Enciclopédia jurídica OMEBA tomo XV p 369).

Algumas definições que confirmam diferentes concepções de incesto:

“1 – O incesto é a união carnal ilícita entre pessoas de sexos diferentes, ligadas por vínculo de parentesco ou afinidade e que constitui um dos impedimentos ao matrimônio (Grande enciclopédia portuguesa e brasileira); 2 – O incesto é a união sexual ilícita entre parentes consangüíneos, afins ou adotivos. (Novo Dicionário Aurélio da língua portuguesa); 3 – O incesto é o pecado carnal entre consangüíneos ou afins, os quais, segundo a lei natural e eclesiástica, não podem contrair matrimônio válido. (Enciclopédia católica Itália). 6- O incesto é a violação do tabu que pesa sobre as relações sexuais entre os membros da “família nuclear”, excluídos marido e mulher, isto é, entre pais e filhos ou entre irmãos. O tabu pode estender-se a outros parentes e graus de parentesco, cujos vínculos podem ser de afinidade ou biológico. (Enciclopédia internacional das ciências sociais).(p. 17-18). O autor apresenta em seu livro uma análise dos conflitos inerentes ao incesto a partir do ângulo da psicopatologia forense.

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