sexta-feira, novembro 21, 2014

SOBRE O FATOR HUMANO

SOBRE O FATOR HUMANO
 
Por José Eduardo Azarite (texto escrito para disciplina de Processos de Negociação e Tomadas de Decisão) 
 
“se todos fossem iguais a você, que maravilha viver,” Vinicius de Moraes
 
Há um conjunto de simplificações que são extremamente perigosas, existe a chamada estereotipagem, ou seja, o julgamento de uma pessoa com base no grupo a que ela pertence, e não com base nas atitudes que ela como pessoa toma. Há algumas situações nas quais nos deparamos com estereotipagem que fazemos naturalmente tanto por preconceito nosso, como por similaridade da situação presentemente vivida com outras que já vivenciamos – e nesses momentos criamos um estereótipo a partir de identificação de alguns traços culturais facilmente expostos. Nesse caso, o que fazemos é a comparação – nem sempre benigna para os fins da negociação – de estereótipos pré-concebidos com os traços atitudinais que foram recém-identificados. Isso é extremamente perigoso: não é uma via de mão dupla, ou seja, não significa que a pessoa pertencente a um determinado grupo ( religião, etnia ou descendência, formação escolar, etc )  irá agir ou se comportar exatamente como aquele que você tem como referência no seu dia-a-dia ou na sua experiência passada. Existe o que se chama também de efeito halo, ou seja, a construção de uma impressão geral á partir de um único atributo, tão ameaçador quanto a estereotipagem, pois a partir de uma simpatia ou antipatia, por exemplo, ou mesmo avaliando apenas um atributo, seu julgamento pode estar totalmente comprometido por conta de possíveis extrapolações ou generalizações. Tenha em mente que as pessoas têm um conjunto de atributos. Não tire conclusões precipitadas baseadas em apenas um – ou alguns – dos atributos. Outro aspecto extremamente interessante e que nos leva a fazer simplificações extremamente perigosas: a interpretação dos fatos a partir de interesses, necessidades e medos, ou seja, entender que só é verdadeiro o que reforça o que quero e desejo provar e que pode, possivelmente, não o ser verídico.  Cuidado! Essa percepção seletiva pode te levar a simplificações assaz perigosas. Outra coisa bastante interessante e comum é a atribuição de características próprias a outras pessoas, ou seja, se faço de um determinado jeito, acredito que as outras pessoas também estarão fazendo do modo que eu faria. Isso pode nos levar a simplificações complexas e perigosas, assim como a avaliação das características de uma pessoa tendo como uma referência as de outra pessoa encontrada recentemente – deve-se sempre retomar a ideia inicial de nosso poeta Vinícius de Moraes citado no início de nosso texto, ou seja: ninguém é o mesmo, não se pode confrontar existências, tampouco pô-las lado a lado. Caso você encontre alguém na véspera e acha que no dia seguinte o seu interlocutor terá as reações parecidas com a que você interpretou na véspera, cuidado! Você não é profeta, não é, de maneira alguma, um processo lógico de “causa e consequência” ou de sequência, trata- se de relações humanas, por excelência, únicas.  Então, para que a gente possa concluir, para ver as pessoas de um modo eficaz, você tem que reunir informações suficientes sobre elas, para restabelecer um padrão consistente – mesmo assim, ainda falível –, sem esse “modelo”, as suas conclusões serão tão confiáveis quanto a leitura de tarô.

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