DUALIDADE E NÃO-DUALIDADE - AQUARELA E SATURAÇÃO DIGITAL






"O desenho é captura da memória. É uma sutileza do espírito. Uma via singular por onde transitam significados". Mirian Lopes


Encontrei um lindo texto que expressa bem o sentido da não-dualidade. São excertos de "A não-dualidade" de Lama Yeshe  (http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=43).


"O que significa o termo "não-dualidade"? Todos os fenômenos existentes, sejam eles considerados bons ou maus, são por natureza transcendentes a dualidade, transcendentes as nossas falsas discriminações. Nada do que existe acontece fora da não-dualidade. Em outras palavras, todas as energias existentes nascem dentro da não-dualidade, funcionam dentro da não-dualidade e, por fim, desaparecem na natureza da não-dualidade. Nós nascemos nesta Terra, vivemos e desaparecemos sempre dentro do espaço da não-dualidade. Trata-se de uma verdade simples e natural e não de uma filosofia fabricada pelo Buda Maitreya. Estamos falando sobre fatos concretos e sobre a natureza fundamental da realidade, nem mais nem menos. 

Se quisermos compreender o Mahamudra, é essencial que desenvolvamos a habilidade da arte da meditação. Mas para meditar adequadamente, devemos ouvir primeiro uma exposição perfeita do assunto. Isso nos dará uma compreensão exata e precisa do objetivo da meditação. Se tivermos a clara intenção de por em prática essas explicações sobre a meditação, então o mero fato de ouvir os ensinamentos torna-se uma poderosa experiência, em vez de alguma espécie de "viagem" intelectual superficial. 

Compreender que a mente dualista, perdida em falsas discriminações, e a origem do sofrimento sem começo nem fim da própria pessoa e dos outros, é ter uma visão intuitiva verdadeiramente valiosa que irá modificar profundamente a qualidade de nossa vida diária. 

A mente dualista é contraditória por natureza. Ela estabelece um dialogo interior que vem perturbando a nossa paz. Estamos sempre pensando: "Talvez isto, talvez aquilo, talvez qualquer outra coisa" - e assim por diante. O pensamento dualista perpetua o conflito dentro da nossa mente. Ele nos torna agitados e profundamente confusos. Quando chegamos a conclusão de que essa confusão é o resultado de urna mente condicionada pela visão dualista da realidade, então poderemos fazer alguma coisa a respeito. Até lá, será impossível lutar contra o problema, porque não identificamos corretamente sua verdadeira causa. Não é suficiente tratar apenas dos sintomas. É claro que devemos erradicar completamente a origem dos nossos problemas, se quisermos ficar verdadeiramente livres deles.

Na medida em que a nossa compreensão e o nosso conhecimento do Mahamudra se aprofundam, compreendemos que o modo como as coisas nos parecem é uma mera projeção da nossa mente. Por exemplo, não se trata da questão de se Madison, Wisconsin, existem ou não, mas se o modo como os vemos de fato existe ou não. Deve ficar claro que isso difere da visão niilista, que afirma que nada existe. Estamos apenas procurando ter uma visão correta da realidade. 

Para esclarecer ainda mais este ponto, podemos investigar as fantasias que projetamos sobre os nossos amigos e sobre as pessoas com quem convivemos ou que encontramos diariamente. Nossa mente dualista projeta uma máscara de atração ou de rejeição sobre a imagem mostrada por todas as pessoas que encontramos, ocasionando o aparecimento de reações de desejo ou de aversão, que matizam nossas atitudes e o nosso comportamento com relação a essas pessoas. E começamos a discriminar: "Ele é bom" ou "Ela é má". Se essas atitudes rígidas e preconceituosas já impossibilitam a comunicação adequada com nossos amigos mais íntimos, o que dizer da comunicação com a profunda sabedoria de um ser iluminado, de um Buda? 

Se investigarmos persistentemente as maquinações interiores da mente, seremos finalmente capazes de mudar nossa maneira habitualmente rígida de perceber o universo e de deixar espaço e luz dentro da nossa consciência. Com o tempo, teremos um discernimento do que significa, na verdade, a não-dualidade. Nessa altura, deveríamos simplesmente meditar sem manter pensamentos intelectuais ou discursivos. Com forte determinação, devemos apenas deixar a mente meditar intencionalmente sobre a visão da não-dualidade, além de sujeito/objeto, do bom/mau e assim por diante. A visão da não-dualidade pode ser tão vívida e poderosa que quase julgamos poder alcançá-la e tocá-la. É muito importante matizar a mente apenas com essa nova experiência de alegria e luminosidade, sem buscá-la através de análise. Devemos compreender diretamente que a não-dualidade é a verdade universal da realidade. Ao dirigir nossa mente ao longo do caminho do dharma, é melhor não esperar demais logo no começo. O caminho é um processo gradual que deve ser percorrido passo a passo. Antes que alguém possa seguir práticas que tragam resultados rápidos e profundos, há outras técnicas preparatórias que devem ser realizadas. [...]"

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